Investimento Imobiliário

Economia favorável pode levar à disparada dos Fundos de Investimentos Imobiliários

30 JAN, 2019 / JORNALISTA RESPONSÁVEL: GRAZIELI BINKOWSKI

O final do período eleitoral foi o divisor de águas para o setor da construção civil. Com a definição de presidente e nova equipe econômica, os investimentos em obras tendem a se acelerar, com empresas gradativamente ampliando a ocupação de galpões logísticos, pavilhões industriais e torres de escritórios. Na opinião de especialistas, o cenário sedimenta o crescimento das emissões de títulos e do potencial de valorização dos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), que remuneram investidores conforme a receita com locações de estabelecimentos comerciais ou produtivos, além da valorização das cotas.

A equipe de análise da XP considera que papéis atrelados a lajes corporativas e shopping centers, com longos ciclos de produção, têm boa tendência de upside. Mesmo galpões logísticos, cuja construção dura entre seis e doze meses, deverão ver parte significativa de seu estoque ocupado nos próximos anos, especialmente os que se encontram mais próximos à cidade de São Paulo, diz a XP.

“A recuperação econômica garante a demanda, derrubando a vacância, aumentando aluguel e também o valor de patrimônio dos ativos”, descrevem os analistas.

O assessor de investimentos e sócio-fundador da Mais Retorno, Lucas Paulino, destaca que os FIIs foram um dos papéis que reagiram imediatamente ao final do processo eleitoral. As emissões primárias, em que as cotas são oferecidas aos investidores pela primeira vez, somaram R$ 10,2 bilhões em 2018, o dobro do que foi ofertado em 2017.

“Para quem observa mais atentamente a natureza desses fundos, fica claro que servem para qualquer objetivo de investimento. Galpões logísticos, lajes corporativas e agências bancárias são algumas opções para investir”, sugere.

O otimismo é reforçado pelo histórico de crescimento dos FIIs nos últimos anos no país, na casa de 20%. Em meados do ano passado, o patrimônio desses fundos chegava a R$ 45 bilhões. “Os FIIs crescem rapidamente, tanto pelo investidor que aplica uma porcentagem cada vez maior de sua carteira, quanto pelo aumento sistemático e consistente de novos CPFs. Com picos de taxa de vacância no passado e clara tendência de recuperação dos valores de aluguel, o risco do setor fica cada vez menor”, descreve a XP.

Apesar do crescimento rápido, esta indústria ainda é pouco representativa no Brasil. Ela representa apenas 1,6% do total de recursos alocados em fundos de investimentos, enquanto que nos EUA o mesmo veículo, intitulado REITs (Real Estate Investment Trusts), representam em torno de 13%. Apenas 155 mil brasileiros têm posições em fundos imobiliários.

“Apesar de ser boa opção de aplicar, é preciso alguns cuidados, como se informar sobre a capacidade do gestor e sua experiência no ramo imobiliário, além de selecionar vários ativos, buscando sempre os de melhor qualidade”, condiciona Lucas Paulino. Os Fundos Imobiliários são considerados investimentos de renda variável, portanto, é indicado fazer uma análise sobre o mercado imobiliário antes de aplicar."

 

Rentabilidade dos FIIs por setor de atuação
(média de Dividend Yeld dos últimos 12 meses, até 2 de janeiro de 2019)
Varejo 8,15%
Hospitais 7,94%
Entidades de Educação 7,91%
Outros 7,78%
Agências Bancárias 7,48%
Ativos Logísticos 6,57%
Shoppings 6,11%
Hotéis 6,06%
Lajes Corporativas 5,39%


Veja mais: