Plantação de dinheiro

Saiba por que a captação dos fundos desabou em 2018

20 FEV, 2019 / JORNALISTA RESPONSÁVEL: GRAZIELI BINKOWSKI

Com a redução da taxa básica de juros, somada à volatilidade dos mercados, os investimentos em fundos, sobretudo os atrelados à renda fixa, tiveram uma queda substancial de rentabilidade e captação em 2018. Um levantamento feito pela fintech Mais Retorno, especializada em conteúdo e tecnologia sobre investimentos, mostrou que os 30 maiores fundos do país em número de cotistas tiveram rentabilidade média de apenas 95% do CDI no ano passado. A taxa fechou 2018 em 6,41%.

Todos os fundos analisados são administrados pelos maiores bancos do país, com patrimônio líquido maior que R$ 10 milhões e com mais de 100 cotistas. Com rentabilidade limitada, investidores têm demonstrado menos apetite pelos fundos. Estes títulos atingiram R$ 4,6 trilhões de patrimônio líquido sob gestão em 2018, com captação líquida de R$ 84,7 bilhões, abaixo dos R$ 263,8 bilhões captados em 2017 (queda de 68%), de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Na avaliação de Carlos André, vice-presidente da Anbima, a queda está mais associada à forte base de comparação, do que efetivamente uma fuga de investidores para outras aplicações fora do universo dos fundos.

"No início de 2018, sabíamos que o resultado do período anterior havia sido atípico para a indústria de fundos, refletindo o momento em que a economia dava sinais de retomada", afirma.
"Mesmo assim, mantivemos captações positivas ao longo do ano, acompanhando o apetite dos investidores por produtos que agregam maiores riscos e retornos, como fundos multimercados e de ações", pondera.

Os multimercados tiveram ingressos líquidos de R$ 42,9 bilhões no ano passado, contra R$ 88,2 bilhões em 2017. Os fundos de ações captaram R$ 27,1 bilhões (ante R$ 37 bilhões no período anterior), e os de previdência somaram R$ 24,9 bilhões (diante de R$ 42,1 bilhões em 2017). A maior perda do ano foi da categoria renda fixa, que apresentou resgates líquidos de R$ 12,9 bilhões, revertendo a captação positiva de R$ 61,7 bilhões em 2017.

A troca dos fundos de renda fixa pelos de ações se explica pela maior rentabilidade destes em meio ao bom momento do mercado de capitais, observa Carlos Andre. Sob este guarda-chuva, o tipo Valor/Crescimento (que busca retorno por ações subvalorizadas) teve performance de 19,5%, seguido pelo Índice Ativo (que tem como objetivo superar o desempenho do índice do mercado acionário), com 17,1%.

A Anbima mostra que, entre os multimercados, o tipo Long and Short Direcional (que faz operações de ativos e derivativos ligados à renda variável, montando posições compradas e vendidas) teve a melhor rentabilidade média da classe no ano, de 14,4%. Já na renda fixa, os fundos de prazos mais longos apresentaram os melhores retornos, como o Duração Alta Soberano (que investe exclusivamente em títulos públicos federais de longo prazo), com performance de 13,3%.

Projetando 2019, os resultados passados podem servir como diretriz para que o investidor mantenha no radar os fundos de renda variável, indica Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno.

"A inflação segue baixa e não temos muitas perspectivas de grandes altas de juros, então a renda fixa não tende a pagar muito mais do que atualmente", ressalta.
"Fato é que retornos fáceis devem ficar para trás, e os investidores terão de assumir mais risco para obterem bons desempenhos em 2019", complementa.
Links interessantes:

Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)

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