Analista financeira

Fundos de Investimentos: os cuidados essenciais antes de começar a aplicar

19 JUN, 2019 / JORNALISTA RESPONSÁVEL: GRAZIELI BINKOWSKI

Aplicar em fundos de investimentos requer alguns cuidados importantes para garantir rentabilidade, segurança, liquidez e custos mais baixos.

É preciso ficar atento a:

• Taxas de administração;

• Prazos para resgate;

• Potencial de ganho;

• Risco de perda;

• Proposta de cada fundo e;

• Se casa com o seu objetivo.


Com ampla oferta em bancos e corretoras, os fundos têm se tornado uma das principais escolhas de investidores que querem escapar do baixo rendimento da caderneta de poupança.

De acordo com dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), até maio de 2019, a indústria de fundos acumula aplicações de R$ 86,5 bilhões, com avanço de 29,4% em relação aos primeiros cinco meses de 2018.

Fundos multimercados campeões de rentabilidade no ano

Quais os melhores fundos de renda fixa em 2019

Para escolher o melhor fundo, deve-se buscar informação sobre a categoria. Isso será importante para direcionar o risco e a rentabilidade da aplicação.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as principais classes são renda fixa, ações, cambial e multimercado.

"Conhecer a característica de cada um deles é essencial para alinhar seus objetivos à estratégia que poderá ser empregada pelo gestor", explica o consultor financeiro André Bona.

Fundos de renda fixa se amparam principalmente em títulos ligados à Taxa Básica de Juros (Selic) e aos títulos bancários (CDBs LCIs e LCAs), e têm maior previsibilidade.

Os multimercados mesclam opções de risco mais alto e mais baixo, tentando uma variação um pouco maior, e os cambiais e de ações surfam na oscilação mais intensa desses ativos.

"Após selecionar o tipo de fundo, é hora de analisar melhor o descritivo fornecido por seu banco ou corretora, que é o prospecto", sugere Bona.

Este material mostrará qual o objetivo do fundo, a política de investimento, a tributação e a rentabilidade histórica, que pode dar uma boa ideia do que vem pela frente.

Taxas

Um dos pontos mais importantes dos fundos são as taxas de administração. Elas são cobradas ao longo de um ano, e incidem sobre o patrimônio total aplicado. Costumam variar de 0,5% a 3%, mas há casos em que superam este patamar.

Isso significa que, se um fundo tem taxa de administração de 2% ao ano e o rendimento bruto acumulado foi de 8%, o dinheiro do investidor rendeu, na prática, apenas 6%.

Podemos citar dois exemplos bem distintos:

O Fundo de Investimento Caixa Prático Renda Fixa Curto Prazo, por exemplo, tem uma taxa de administração de 5% ao ano, considerado bem acima da média, para investimento mínimo inicial de R$ 100. Por outro lado, o fundo BNP Paribas Rubi Renda Fixa Crédito Privado, que é da mesma categoria, cobra taxa de administração de 0,42% ao ano, para investimento mínimo inicial de R$ 5 mil.

"É essencial avaliar se as taxas de administração estão adequadas ao tipo de gestão que o fundo terá. Por exemplo, não faz sentido pagar 2% ou 3% para um Fundo DI que se limita a comprar títulos do tesouro", pondera Bona.

Incidem ainda as taxas de performance, que são mais comuns em fundos mais arriscados, em que há maior mérito para o gestor encontrar melhores oportunidades.

Em linhas gerais, as instituições que cobram taxa de performance preveem cobrança de 10% a 15% sobre o rendimento acima de um patamar estabelecido anteriormente, que pode ser a Taxa Selic, a Inflação Oficial ou o índice Ibovespa, por exemplo.

Liquidez e Risco

O investidor de fundos deve estar atento à liquidez e risco. Como o dinheiro aplicado não está coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), eventuais perdas ou até a quebra do fundo não são recuperáveis.

Isso pode tornar os fundos um pouco menos seguros do que Poupança, CDBs, Letras e os Títulos do governo, por exemplo.

Por outro lado, vale lembrar que os fundos têm CNPJ próprio, e, mesmo que a instituição financeira que faz a gestão quebre, ele está preservado e pode migrar para outros gestores.

Já a liquidez é um reflexo direto dos prazos de resgate. Quanto maior o prazo, menor a liquidez, e vice-versa.

Este prazo costuma ter duas etapas:

• O de cotização é o tempo entre a solicitação de resgate e a conversão de suas cotas em dinheiro. Geralmente é estabelecido em dias corridos. Ao final deste prazo, é definido o valor final pelo qual as cotas serão resgatadas;

• A partir daí, passa a contar o prazo de liquidação, tempo entre a cotização e o efetivo pagamento do resgate em conta corrente, também contado em dias úteis.

Conforme a gestora de recursos Vérios, às vezes, é necessário abrir mão de liquidez em busca de melhor retorno, aplicando em fundos de prazos mais longos.


Via de regra, os fundos costumam trabalhar com prazos de resgate de D+1 até D+5 — ou seja, o dinheiro cai na conta do cliente de um a quatro dias após a solicitação de resgate.

Contudo, é importante que uma boa parte de nossas reservas fique sempre em produtos de alta liquidez, para que estejam disponíveis em caso de imprevistos.


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