Agricultora plantando

Veja como ganhar dinheiro com títulos do agronegócio em 2019

16 JAN, 2019 / JORNALISTA RESPONSÁVEL: GRAZIELI BINKOWSKI

A gradativa recuperação da economia e o crescimento da safra previsto para este ano deve estimular mais emissões de papéis ligados ao agronegócio – em particular as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) do campo deve registrar crescimento de 2% em 2019 na comparação com 2018. A entidade estima ainda um acréscimo de 4,3% no Valor Bruto da Produção (VBP). A expectativa de clima favorável e consequente aumento na safra de grãos estão entre os fatores que embasam a previsão otimista da CNA.

Para o investidor, é a oportunidade para ganhar dinheiro com títulos que ajudam a irrigar produtores com capital para investir em terras e maquinário. As LCAs costumam ser a porta de entrada no setor, e funcionam de maneira muito semelhante ao Certificado de Depósito Bancário (CDB), remunerando um percentual do DI. A vantagem está na isenção do Imposto de Renda, e há cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações até R$ 250 mil por pessoa e por instituição financeira. Atualmente, as LCAs de bancos pequenos e médios oferecem em torno de 100% de DI, o que rende, líquido, 6,5% ao ano.

A economista Gabriele Couto, especialista em investimentos pessoais, afirma que as boas perspectivas do agronegócio devem se somar a uma alta da Taxa Básica de Juros (Selic) para até 8% ao final de 2019. Com isso, títulos com lastro no campo e que sejam baseados na Selic, como as LCAs, podem ficar bem atraentes.

"Títulos de renda fixa devem ficar ainda mais vantajosos caso as projeções para a Selic estejam corretas, e as LCAs devem ser beneficiadas por melhoras esperadas para o setor agrícola", aponta Gabriele.

Há um ponto que o investidor precisa manter a cautela: a isenção do IR pode estar com os dias contados. Mais de uma vez, a equipe econômica do governo de Michel Temer apontou a recomposição do IR para LCA e sua "irmã" da indústria imobiliária, a LCI, como movimento importante para aumentar a arrecadação. O atual ministro da Economia, Paulo Guedes, já acenou que pretende eliminar benefícios tributários dos diversos tipos, mas não está claro se esta mudança valeria também para as letras. Se isso ocorrer, a remuneração das LCAs terá a mesma regra que os CDBs, e a comparação terá se ser feita rigorosamente sobre os índices de remuneração.

Outra opção para aplicar em títulos da agricultura são os CRAs, emitidos por securitizadoras para adquirir recebíveis (empréstimos, duplicatas, notas promissórias etc.). Também contam com isenção do Imposto de Renda, mas não são asseguradas pelo FGC.

"Os CRAs têm se tornado uma boa oportunidade para quem pretende investir por longo prazo, acima de cinco anos, pois tem boa rentabilidade, margem de risco razoável e lastros maiores do que as LCAs", explica o consultor financeiro André Bona.

Originalmente sob a lupa apenas de grandes investidores, desde 2017 os CRAs têm mirado os pequenos no interesse em pulverizar a base de captação. Por isso, já podem ser encontrados no mercado CRAs com investimento mínimo em torno de R$ 1 mil. Atualmente, o CRA do Banco Pactual oferece 96% de CDI para aplicação de R$ 1,028 mil. As formas mais comuns de remuneração são percentual do CDI (taxa pós-fixada); CDI + Taxa Prefixada; Índices de Preços + Taxa Prefixada e Taxa Prefixada.



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