Contando notas de dólar

Saltos, tombos e especulação: o que esperar do dólar para as próximas semanas

03 ABR, 2019 / JORNALISTA RESPONSÁVEL: GRAZIELI BINKOWSKI

Quando parecia que o mercado financeiro tinha se acostumado com certa estabilidade do dólar, rumando para a casa dos R$ 3,60, vem a surpresa: novas rusgas em Brasília, acirramento de confronto político e, claro, salto na cotação da moeda americana. Extremamente volátil, o dólar tem reagido diretamente às especulações em torno da Reforma da Previdência, em que ainda há dúvidas sobre a viabilidade para aprovação neste ano, e também sofre com a redução da expectativa para o crescimento da economia.

"O país está em um "corner" criado pelas dificuldades de articulação política entre Executivo e Legislativo", resume Sidney Nehme, analista do mercado cambial e diretor da corretora NGO.
"O mercado financeiro, então, entra em ebulição na formação descontrolada dos preços dos seus ativos, mixando realidade e especulações", afirma.

Neste clima de incertezas, o dólar, assim como as ações, é um dos mais fortes instrumentos de teste de preços. A moeda abriu o ano em R$ 3,87, caiu para R$ 3,66 em 1º de fevereiro, quando começaram a surgir informações sobre a nova Reforma, e pulou para R$ 3,91 no final de março. Mês passado, por sinal, registrou alta de 4,3%, a maior para um mês fechado desde agosto do ano passado (8,4%).

Economistas, no entanto, veem mais motivos para uma queda nas próximas semanas do que novas altas. Na opinião de Nehme, não há razões fundamentalistas para que a moeda volte a subir, a não ser a mera especulação, que seria "desidratada" nos próximos dias.

"O dólar tem sido acentuadamente especulado, mesmo que o país não tenha problemas cambiais. Muito pelo contrário, dispomos de confortável situação das contas externas e reservas cambiais substanciais", afirma o especialista.

Não há evidências de pressão de saída de recursos do país, e, na análise de Nehme, o Banco Central inclusive reconhece que o atual movimento é puramente especulativo, sem sustentabilidade – o que tem tornado discretas suas intervenções no mercado financeiro.

O diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, concorda que há uma perspectiva de curto prazo mais favorável à queda do que a novos saltos.

"O dólar começou abril com tendência de queda. A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, parece ter se acalmado, e Governo e Congresso já começam a entrar em acordo. Além disso, na quarta-feira (3), o ministro da Economia, Paulo Guedes, estará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para explicar a Reforma da Previdência aos parlamentares. Esses fatores políticos fazem com que o dólar tenha uma tendência de recuo, indo buscar os R$ 3,80".

Outros pontos ressaltados pelo especialista para projetar uma redução no valor do dólar estão no contexto internacional. A variação cambial sofre bastante influência da China e dos Estados Unidos, de onde têm partido boas notícias nas últimas semanas. “O setor industrial do país asiático registrou ascensão no mês de março, voltando a crescer depois de quatro meses seguidos de queda, o que influencia diretamente no câmbio", exemplifica Cavalcante.


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