Trabalhadores na indústria

Produtividade industrial se mantém estável no 1T19

31 MAI, 2019 / POR: AGÊNCIA ENFOQUE

A produtividade do trabalho na indústria de transformação - medida como o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas - se manteve praticamente estável, com uma queda de 0,1% no 1º trimestre de 2019 em comparação com o 4º trimestre de 2018, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O volume produzido aumentou 0,1% no período, ritmo inferior ao aumento no índice de horas trabalhadas na produção, que foi de 0,2%.

Na comparação com o 1º trimestre de 2018, entretanto, a produtividade do trabalho na indústria de transformação apresentou queda de 1,5%. Nessa comparação com o mesmo período do ano anterior, o volume produzido caiu 1,4%, enquanto as horas trabalhadas na produção aumentaram 0,2%.

O setor da indústria de transformação que mais apresentou ganho de produtividade do trabalho na última década foi 'Coque, derivados do petróleo e biocombustíveis', com crescimento anual médio de 6,1%, entre 2008 e 2018. Esse setor apresentou sete anos seguidos de crescimento da produtividade entre 2011 e 2017, com crescimento em ritmo cada vez mais lento a partir de 2014. A redução do ritmo de crescimento culminou na queda de 0,3% em 2018, na comparação com 2017, interrompendo a sequência de altas anuais. Apesar da estagnação dos últimos anos, a produtividade do setor é 80,7% maior em 2018 do que do que era em 2008.

O setor de 'Bebidas' é o segundo com maior ganho anual médio de produtividade (2,9%) na última década. Após um período de relativa estabilidade entre 2006 e 2008, o setor passou por um período de ganhos de produtividade entre 2008 e 2012. Em 2013, o setor apresentou a maior retração anual de sua série histórica, o que reverteu parcialmente os ganhos de produtividade dos anos anteriores. A partir de 2014, o setor iniciou o segundo período de ganhos sucessivos de produtividade, interrompido por nova retração em 2018.

O setor de 'Celulose e papel' apresenta uma trajetória de ganhos de produtividade, com crescimento anual médio de 2,5% ao longo da última década e apenas um ano de retração na série histórica iniciada em 2003. Nos últimos anos, os ganhos de produtividade do setor têm acelerado: o crescimento anual passou de 1,6%, em 2015, para 6,3%, em 2016, 6,2%, em 2017, e chegou a 7,2%, em 2018. Neste último ano, o setor de 'Celulose e papel' se destacou com o maior crescimento entre os setores da indústria de transformação.

No outro extremo, com trajetórias de perda de produtividade na última década, se encontram os setores 'Produtos farmacêuticos' e 'Couro e calçados'. Ambos os setores apresentaram queda anual média de 1,3% na produtividade do trabalho entre 2008 e 2018.

A produtividade do setor de 'Couro e calçados' apresenta uma trajetória de queda ao longo da série histórica: o setor apresentou retração de produtividade em 10 dos 15 anos da série. O período entre 2006 e 2011 registrou as maiores retrações, e foi seguido por relativa estabilidade, com queda pequena da produtividade até 2015. Apesar de o setor ter apresentado ganho de produtividade em 2016 e 2017, em 2018 a produtividade voltou a cair.

O setor de 'Produtos Farmacêuticos' apresenta dois movimentos em sua série de produtividade. Entre 2008 e 2014, a produtividade do setor apresentou trajetória de crescimento. Desde então, o setor apresenta sucessivas quedas de produtividade, e o ritmo de retração vem aumentando: passou de -3,1%, em 2016, para -5,9%, em 2017, e chegou a -8,7% em 2018, maior queda entre os setores da indústria de transformação nesse ano.

Os setores de 'Madeira' e 'Químicos' se destacam entre os três com maior crescimento da produtividade em 2018, em relação a 2017: respectivamente 5,7% e 4,8%. Esses números chamam a atenção, pois o crescimento anual médio na última década de ambos os setores foi de 1,1%, igual ao da indústria de transformação.

O setor de madeira apresentou três anos de crescimento de produtividade entre 2010 e 2012, seguido de cinco anos de queda sucessiva de produtividade entre 2013 e 2017, tendo esse movimento sido interrompido pelo crescimento de 5,7% em 2018.

Já o setor de químicos apresenta uma trajetória de produtividade irregular, sendo que na série histórica iniciada em 2003, se verifica apenas um período com três anos sucessivos de ganho de produtividade: 2016, 2017 e 2018.

Fonte: Agência Enfoque