Chave da casa

Saiba o que são investimentos automáticos

PUBLIEDITORIAL / 28 JAN, 2019 / POR: SERGIO DIAS

Quem analisa frequentemente o extrato bancário pode tomar aquele susto: de forma inesperada, o saldo diminui e, tempos depois, começa a aparecer um valor a mais. Muita gente, na realidade, autoriza esse tipo de movimentação sem sequer dar-se conta! Mas, ao contrário do que se pode imaginar, o dinheiro não desaparece, ele apenas é deslocado.

Isso ocorre por causa de uma operação chamada aplicação automática. Não é feita sem que o cliente autorize, mas existem sim algumas instituições, ou mesmo gerentes, que influenciam as pessoas a liberarem esse tipo de aplicação financeira. A princípio parece bastante lógico: vale mais permitir um investimento do que deixar seu dinheiro parado, não é?

A resposta depende. É possível que, em alguns casos, a equipe de atendimento esteja interessada no bem-estar da sua conta corrente e, portanto, o seu próprio; mas é preciso analisar com cautela essa movimentação e ponderar o quanto ela vale a pena. Para isso, então, é fundamental entender como o investimento automático funciona e quais são os principais interessados nesta operação.

O que é um investimento automático?

De maneira geral, uma aplicação automática é um recurso utilizado pelo bancos em que o dinheiro em conta é remanejado para investimentos pré-definidos. O Banco Central determinou que 45% de todos os depósitos devem ser deixados em depósitos compulsórios, 34% devem ser investidos em crédito rural e 2% para o microcrédito; os 19% restantes ficam livres para que o banco utilize da melhor forma.

Para as contas poupança, em específico, os recursos disponíveis para os bancos são ainda menores. 65% dos depósitos são destinados para o crédito imobiliário e os depósitos compulsórios ficam apenas com 24,5%; para os bancos utilizarem da maneira que quiserem, então, resta apenas 5%.

Normalmente, essas parcelas são utilizadas em aplicações no CDB — Certificado de Depósito Bancário —, pois são títulos privados emitidos por bancos, em que, na prática, empresta-se dinheiro a essas instituições como forma de elas captarem recursos. Assim, quando se fala em aplicação automática, é bastante provável que o banco esteja investindo em CDBs próprios.

Isso não necessariamente significa algo ruim, mas nem todos os rendimentos em Certificados de Depósito Bancário são vantajosos. Claro, há um retorno maior se for comparado com dinheiro parado em conta corrente, mas existe o risco de se ter rentabilidade irrisória, o que não vale a pena no mundo dos investimentos.


Autor

Sergio Dias

Economista com pós-graduação em gerência de projetos e especialização em administração de empresas; consultor de empresas, roteirista, palestrante e instrutor; sócio da Sdias Consultoria Ltda (fundada em 1999); prestador de serviços de consultoria no SEBRAE/RJ, nas áreas de gestão da inovação e planejamento estratégico. Sérgio Dias também é consultor e facilitador de cursos de inovação na FIRJAN e na ANPEI. É vice-presidente da ASSESPRO-RJ, membro do Conselho Empresarial de Inovação da Associação Comercial do Rio de Janeiro e integrou o grupo de trabalho da prefeitura para elaboração do Planejamento Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro e as missões de negócios ao Panamá, Costa Rica, Portugal e Espanha pelo Centro Internacional de Negócios da FIRJAN.
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