Alta do dólar

Dólar - Banco Central tem força para conter a subida?

27 NOV, 2018 / POR: GUERATTO PRESS

O Banco Central leiloou ontem US$ 2 bilhões das reservas internacionais com o compromisso de comprar o dinheiro daqui alguns meses. Esse tipo de operação monetária não acontecia desde o final do mês de agosto. No dia de ontem, o dólar subiu aproximadamente 2,5%, causando forte tensão no mercado financeiro. Economistas comentam como a moeda foi afetada pela saída de recursos em meio as tensões externas como a votação pela saída do Reino Unido da União Europeia e a ata da reunião do Federal Reserve do Banco Central americano.

"O país tem dinheiro em caixa para segurar a moeda americana em momentos de alta volatilidade do mercado e os grandes players mundiais sabem disso. Mesmo com o cenário externo desfavorável ao Brasil, o leilão de hoje cedo mostrou exatamente isso. Mais do que apenas segurar a moeda americana, o Banco Central é claro na mensagem que quer passar", explica Daniela Casabona, Sócia-Diretora da FB Wealth.
"O Banco Central ofertou um leilão de linha para o montante de US$ 2 bilhões que havia anunciado ontem no final do dia. A justificativa formal de promover liquidez no mercado de câmbio, como é usual nesta época do ano. O leilão foi integralmente absorvido pelo mercado. Logo no primeiro dia foram vendidos os US$ 2 bilhões, então o Banco central desistiu de fazer um segundo leilão, porque fariam apenas se não houvessem vendido integralmente. Com isso o câmbio devolveu os ganhos de ontem, já que o pregão de ontem teve cerca de 2% de alta do dólar. Hoje temos um recuo de mais de 1%, que é em função absolutamente desta ação do Banco Central", conclui Fernando Bergallo, Diretor de Câmbio da FB Capital.
"O Brasil possui muitas reservas cambiais. Quando o Banco Central decide entrar com sua mão pesada no mercado, como hoje, por exemplo, os players sabem que no mesmo instante a moeda americana cairá. O simples fato do Bacen fazer o anúncio já tem eficácia. Porém, é importante frisar que, a equipe econômica de Bolsonaro agrada muito o mercado e a subida do dólar é consequência do cenário externo. Assim que o governo começar e a reforma da previdência for aprovada, teremos uma retomada forte da confiança no país e consequente subida da bolsa de valores e queda do dólar", explica Pedro Coelho Afonso, Economista que já trabalhou com Paulo Guedes na iniciativa privada.
"A cotação da moeda americana voltou a recuar nesta terça-feira, após quase uma semana em alta. Isto porque, principalmente, o Banco Central voltou a intervir no mercado cambial. Foram anunciados, para hoje, até US$ 2 bilhões em novos leilões de linha, proporcionando mais liquidez ao mercado. Além destes leilões adicionais, o BC carrega operação de US$1,25 bilhão que vencerá nos primeiros dias de dezembro e cuja rolagem pode ser reavaliada a depender das condições de mercado. Avaliamos, assim, que a atuação do BC está ajudando a conter o dólar no curto prazo. E, no médio prazo, a situação de nosso balanço de pagamentos é confortável, assegurando algum espaço para valorização adicional do Real caso as reformas econômicas avancem no próximo ano", ressalta Daniel Xavier, economista-chefe da DMI Group.

Gueratto Press



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