Chave da casa

O que é e como funciona o SBPE

PUBLIEDITORIAL / 20 DEZ, 2018 / POR: SERGIO DIAS

Na hora de fazer o financiamento imobiliário, é comum se deparar com algumas siglas e termos específicos. Esse é o caso, por exemplo, do SBPE. A abreviatura, que significa Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, é a principal fonte de recursos para os financiamentos imobiliários.

O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo é formado pelas instituições bancárias que usam as aplicações da poupança. As regras e diretrizes desse sistema são definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco do Brasil.

Basicamente, o SBPE é o responsável por viabilizar a concessão de créditos imobiliários no Brasil. Como os recursos desse sistema provém da poupança, quanto mais as pessoas guardam dinheiro, melhor é para o mercado imobiliário, pois há maior disponibilidade de dinheiro.

Os recursos disponíveis para financiamento são diferentes de instituição para instituição, pois cada uma tem um fundo de poupança. Além disso, cada banco tem liberdade para cobrar as próprias taxas pelo produto, o que faz com que haja uma grande disputa entre as instituições.

Tipos de financiamentos

Fazem parte do SBPE as linhas de crédito: o Sistema de Financiamento Habitacional (SFH) e o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). A primeira sofreu mudanças há pouco tempo e agora permite financiar imóveis em todo o país que custem até 1,5 milhão. Antes, o teto era diferente dependendo do Estado em que a propriedade estava localizada.

Como o SFH tem as menores taxas imobiliárias do mercado, essa alteração permitiu que um número maior de compradores tivesse acesso a um crédito mais barato. A mudança havia sido prometida para o começo de 2019, mas foi adiantada por uma necessidade do próprio setor imobiliário.

Por meio do SFH, o indivíduo também consegue utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), se tiver ao menos três anos de trabalho em carteira assinada. Na prática, isso ajuda os compradores, ainda mais quem já tem uma quantia significativa na conta do FGTS.

Outra linha de crédito que faz parte do SBPE é o SFI. Essa linha não possui teto de valor do imóvel. Portanto, o interessado pode efetuar o financiamento de uma casa que vale mais de R$ 1,5 milhão sem problemas — desde que comprove a renda, obviamente. Porém, os juros do SFI são mais altos do que os cobrados no SFH.

SBPE em números

Os últimos anos não foram fáceis para o mercado imobiliário e para o SBPE. Como a crise apertou o orçamento de grande parte dos brasileiros, muitos se viram forçados a resgatar os recursos da poupança, diminuindo assim a disponibilidade de crédito dos bancos.

Mesmo assim, o SBPE conseguiu se manter estável e neste ano apresentou resultados favoráveis. De acordo com a Câmara Brasileira de Indústria da Construção, só a linha SFH destinou até setembro cerca de R$ 32 bilhões para a aquisição de imóveis novos e usados.

No ano passado, o total financiado nessa modalidade foi de R$ 33 bilhões. Levando em consideração que ainda faltam três meses para serem analisados, percebe-se que 2018 teve um resultado positivo.

Parte do reaquecimento do mercado financeiro se deve à diminuição das taxas. O primeiro a fazer isso foi a Caixa. Em abril, o banco anunciou que a taxa mínima cobrada no SFH passaria a ser de 9% e não mais 10,25%. Depois disso, outras instituições seguiram na mesma direção, diminuindo os juros cobrados nos financiamentos do SFH e SFI.

Agora que mais pessoas poderão solicitar financiamento pelo SFH, as chances de as aquisições aumentarem, movimentando mais o setor, são grandes. Segundo anúncio do Banco Central, a mudança do limite a ser financiado poderá injetar mais R$ 80 bilhões no mercado imobiliário.


Autor

Sergio Dias

Economista com pós-graduação em gerência de projetos e especialização em administração de empresas; consultor de empresas, roteirista, palestrante e instrutor; sócio da Sdias Consultoria Ltda (fundada em 1999); prestador de serviços de consultoria no SEBRAE/RJ, nas áreas de gestão da inovação e planejamento estratégico. Sérgio Dias também é consultor e facilitador de cursos de inovação na FIRJAN e na ANPEI. É vice-presidente da ASSESPRO-RJ, membro do Conselho Empresarial de Inovação da Associação Comercial do Rio de Janeiro e integrou o grupo de trabalho da prefeitura para elaboração do Planejamento Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro e as missões de negócios ao Panamá, Costa Rica, Portugal e Espanha pelo Centro Internacional de Negócios da FIRJAN.
Veja mais: