Moedas

O que é LIG e como ela funciona?

PUBLIEDITORIAL / 17 DEZ, 2018 / POR: SERGIO DIAS

Para quem acompanha o dia a dia do mercado financeiro, existe uma possibilidade maior de já ter ouvido falar sobre a LIG, Letra Imobiliária Garantida. Trata-se de um título criado por meio de uma Medida Provisória, em 2014, mas que teve sua primeira emissão apenas em novembro de 2018, pelo Banco Santander na B3, bolsa de valores brasileira.

Como o próprio nome sugere, a LIG nasceu com o intuito de diversificar os investimentos no setor imobiliário, dividindo a fonte de recursos com outros títulos de renda fixa, como a LCI, Letra de Crédito Imobiliário, e o CRI, Certificado de Recebíveis Imobiliários. Claro, possui características específicas em relação aos títulos já existentes e, como sempre, precisam ser avaliados antes de serem adquiridos.

Para isso, então, é fundamental entender melhor como essa aplicação funciona e quais são as vantagens e desvantagens dela no mercado. Ela, que tem tudo para reaquecer o mercado imobiliário, merece ainda bastante atenção por ser um investimento novo.

Antes de tudo, o que é Letra Imobiliária Garantida?

Assim como a maior parte dos investimentos em renda fixa, as LIGs são títulos emitidos por instituições financeiras a fim de captar recursos. Essa modalidade, em específico, busca atender apenas o setor imobiliário, ou seja, o dinheiro da aquisição dessas aplicações não é destinado a nenhum outro mercado.

Assim, quando o investidor compra um título, ele empresta dinheiro a essa instituição com a garantia de que ele será devolvido com juros — o que caracteriza a rentabilidade do investimento. Dependendo do tipo de LIG adquirido, é possível que outros indicadores, como IPCA, também influenciem nos rendimentos.

Existem diversas instituições financeiras e que podem emitir esses títulos: bancos de investimentos, sociedades de crédito, bancos comerciais, bancos múltiplos, entre outros. Isso ocorre porque existe uma expectativa de que as LIGs se popularizem no Brasil da mesma forma que ocorreu na Europa, com os covered bonds (que equivalem a cerca de 25% do PIB).

Assim como no continente, a ideia é que as LIGs brasileiras estejam destinadas ao longo prazo, com mínimo dois anos para resgate e 12 meses de carência, ou seja, resgates antecipados não podem ser realizados antes do primeiro ano. Outro ponto que merece destaque é a segurança do título, assim como em outras aplicações, e a isenção do Imposto de Renda.

Em que a LIG é diferente dos LCI e CRI?

Por serem todas destinadas ao setor imobiliário, é normal ter dúvida sobre a diferença entre as Letras Imobiliárias Garantidas e os títulos LCI e CRI. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de mais do mesmo, elas são, na verdade, uma alternativa às já existentes. As LIG, por terem proteção dupla, faz com que possam se equiparar às LCI tranquilamente.

A dupla proteção oferece a garantia do banco emissor, mas também conta com o respaldo de um pool de créditos imobiliários independentes. Assim, mesmo que a instituição financeira venha a falir, esses créditos podem ressarcir os investidores.

Por outro lado, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) são emitidos por empresas que atuam no ramo imobiliário, não por instituições financeiras. Além disso, não possuem a garantia do FGC ou a dupla proteção das LIGs, sendo assim a opção mais arriscada entre as disponíveis para o mercado imobiliário.

Vale a pena investir na Letra Imobiliária Garantida?

O fator que mais chama quando esses investimentos são comparados é a segurança. Não apenas pela garantia dupla, mas também por ser uma aplicação naturalmente menos volátil — por ser da renda fixa —, as Letras Imobiliárias Garantidas despertam bastante interesse, ainda mais para perfis mais conservadores.

A isenção do Imposto de Renda, cobrado de forma decrescente, conforme o tempo de aplicação, na maior parte dos títulos, é outro ponto que também merece destaque. Isso ocorre para incentivar os investimentos no setor imobiliário a que as LIGs estão atreladas. Ainda que não pareça grande coisa, na prática, traz mais rentabilidade.

O ponto negativo das Letras Imobiliárias Garantidas Garantidas é a falta de liquidez. Não traz desvantagem à aplicação, mas é reduz a abrangência do título, não sendo adequado, por exemplo, para reservas de emergência. De todo modo, as LIGs surgiram como uma alternativa válida é bastante interessante para quem é adepto à renda fixa e deseja bons retornos de investimento.

Autor

Sergio Dias

Economista com pós-graduação em gerência de projetos e especialização em administração de empresas; consultor de empresas, roteirista, palestrante e instrutor; sócio da Sdias Consultoria Ltda (fundada em 1999); prestador de serviços de consultoria no SEBRAE/RJ, nas áreas de gestão da inovação e planejamento estratégico. Sérgio Dias também é consultor e facilitador de cursos de inovação na FIRJAN e na ANPEI. É vice-presidente da ASSESPRO-RJ, membro do Conselho Empresarial de Inovação da Associação Comercial do Rio de Janeiro e integrou o grupo de trabalho da prefeitura para elaboração do Planejamento Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro e as missões de negócios ao Panamá, Costa Rica, Portugal e Espanha pelo Centro Internacional de Negócios da FIRJAN.
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