Veículo carregado de frutas

Alta de 0,75% - Subida da inflação é puxada por alimentos e transportes

10 ABR, 2019 / POR: GUERATTO PRESS

"Embora o IPCA esteja dentro da meta, temos uma alta de 0,75% em março, 0,32% a mais do que comparado com fevereiro. É o maior resultado para o mês desde 2015".

Foi divulgado hoje pelo IBGE o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. O valor é responsável por ser a medida oficial da inflação na economia brasileira e apresentou uma alta de 0,75%.

"A inflação subiu puxada pela alta dos alimentos (1,37%) e dos transportes (1,44%) no mês de março, que apresentou o pior resultado desde 2015", como comentou Daniela Casabona, sócia-diretora da FB Wealth.

Juntos esses dois itens representam 80% do aumento geral do índice de preços. Este é o quarto mês seguido de alta, juntos, o grupo de alimentação e transportes representam 43% das despesas das famílias. A gasolina (2,88%) foi o item que mais afetou diretamente essa alta, sendo responsável por 0,12 p.p. do índice geral, o etanol também teve um aumento considerável (7%) afetando 0,6 p.p. do todo. O feijão carioca teve a alta mais impressionante nos últimos 12 meses, 135%, sendo 105% dessa porcentagem resultado só dos três primeiros meses deste ano.

O economista da PCA Capital, Pedro Coelho Afonso, deu um panorama geral sobre o resultado do IPCA e as suas expectativas.

"Embora o IPCA esteja dentro da meta ainda, temos uma alta de 0,75% em março, 0,32% a mais do que comparado com fevereiro. É o maior resultado para o mês desde 2015, onde alcançou 1,32%. Temos o acumulado no ano de 1,51. Os últimos 12 meses estão dentro da meta, que é de 4,58%. O que mais puxou o IPCA foram os setores de alimentos, bebidas e transportes. Sendo que, dentro do grupo de alimentos e bebidas o aumento do tomate (31,84%), da batata inglesa (21,11%), do feijão (12,93%) e das frutas (4%), foram os maiores. No caso dos transportes é possível observar os combustíveis que puxaram bastante, 3,5%, e as passagens aéreas 7,3%. Mas acredito que nada muito preocupante, tudo dentro da meta estipulada pelo Banco Central. Estamos aguardando os dados do próximo mês, mas por enquanto aparentemente a inflação permanece sobre controle. Temos que esperar um pouco para ver o quais serão os próximos passos deste governo, já que tem sido bastante conturbado", comentou Pedro Afonso.

O financista Fabrizio Gueratto, do Canal 1Bilhão Educação Financeira assiste a este aumento nos preços para os consumidores com cautela, porém acredita que a subida dos valores dos alimentos é sazonal, pois tem relação com a redução desses produtos no mercado devido a condições climáticas.

"Essa alta merece atenção, mas ela não é tão preocupante. Afinal dos mais de 400 itens usados para calcular o IPCA, ela está concentrada mais no preço de transporte e alimentação, principalmente a consumida em casa. Isso porque vários dos itens que são presentes na mesa de todo brasileiro como batata, tomate e feijão tiveram uma alta expressiva em função de problemas climáticos. Então é um problema da redução da oferta desses produtos o que leva os preços a subirem", observou Fabrizio.

Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, ainda analisou como o câmbio pode afetar na inflação e se existe alguma influência entre as recentes altas do dólar e o resultado do IPCA deste mês.

"O impacto do câmbio na inflação tende a ser superestimado por grande parte dos analistas. A gente entende que há um repasse pequeno, da ordem de um décimo, do que sobe o câmbio afetando inflação, e não é só isso, também temos um prazo longo. Então teríamos que ter uma alta consistente e por bastante tempo, de seis a oito meses para que exista um reflexo sensível do efeito do câmbio na inflação. Dessa forma, ter um câmbio fechando alto no dia ou no mês não causa um efeito muito alto", finalizou o Economista e Diretor de Câmbio da FB Capital.

Gueratto Press



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