Indústria

PMI industrial do Brasil registra 51,5 pontos em abril

06 MAI, 2019 / POR: ENFOQUE

Embora as condições de negócios no setor industrial do Brasil tenham melhorado pelo décimo mês consecutivo em abril, o crescimento perdeu mais impulso ainda. Os pedidos de fábrica aumentaram ao ritmo mais fraco desde meados de 2018, levando a expansões mais brandas na produção, nas compras de insumos e nos níveis de empregos. Os indícios de uma desaceleração foram seguidos de sinais de aumentos na inflação de custos de insumos e de exportações fracas. Mesmo assim, o sentimento em relação aos negócios se fortaleceu, atingindo o segundo nível mais alto desde que a pergunta sobre as expectativas para o futuro foi introduzida em abril de 2012.

Ao permanecer acima da marca crítica de 50,0 em abril, o Índice Gerente de Compras™ (PMI®) IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, indicou uma melhoria mensal persistente na saúde do setor. No entanto, o número básico caiu de 52,8 em março para 51,5, um recorde de baixa de seis meses. Tendências mais suaves se tornaram evidentes nas categorias de bens de consumo e de bens intermediários, enquanto o crescimento entre os fabricantes de bens de capital se manteve.

Apesar de ter aumentado pelo décimo mês consecutivo, o volume de vendas mostrou a recuperação mais fraca desde julho de 2018. Uma contração adicional na demanda externa exerceu pressão sobre o total de novos trabalhos. A quantidade de pedidos para exportação diminuiu pelo quinto mês consecutivo.

O volume de produção continuou a aumentar solidamente. O crescimento se moderou e atingiu um recorde de baixa de cinco meses, mas superou a média de 2018 como um todo. Como foi o caso para a quantidade de novos trabalhos, os fabricantes de bens de capital lideraram a recuperação na produção.

A criação de empregos foi mantida em abril, embora aqui, também, tenha sido evidente uma desaceleração. O aumento foi o mais fraco no atual período de quatro meses de crescimento. As empresas que aumentaram o número de funcionários indicaram necessidades mais elevadas de produção, enquanto que as que se abstiveram de contratar mencionaram, como causa, uma abordagem cautelosa no gerenciamento de custos.

O crescimento de compras de insumos se desacelerou atingindo o seu ponto mais fraco até agora em 2019. Porém, os estoques de matérias-primas e de itens semiacabados continuaram a aumentar. Da mesma forma, os estoques de bens finais cresceram pelo terceiro mês consecutivo.

Face aos volumes contidos de vendas, os produtores brasileiros de mercadorias desviaram recursos para finalizar negócios pendentes. Em abril, os pedidos em atraso diminuíram ao ritmo mais rápido em mais de um ano. Ao mesmo tempo, o desempenho dos fornecedores piorou de maneira mais significativa, o que, segundo relatos, deveu-se à escassez de matérias-primas e aos atrasos na entrega de materiais de origem internacional.

O enfraquecimento da moeda, por sua vez, exerceu pressão de alta sobre a inflação dos preços de insumos. O aumento das cargas de custos foi acentuado, o mais rápido em seis meses e mais forte do que o observado em média na história da pesquisa. A inflação dos preços de venda atenuou-se em comparação com março, contida pelas pressões competitivas.

Analisando as expectativas para o futuro, os fabricantes esperam que inovações de produtos, melhores oportunidades para exportação e condições econômicas favoráveis venham a sustentar o crescimento da produção. Além disso, o grau de otimismo foi o segundo mais alto na história das séries, ficando atrás apenas do registrado no início do ano.

(MR - Agência Enfoque)