juros

Maximize ganhos e minimize riscos

02 JUL, 2019 / POR: ACIONISTA.COM.BR

A consolidação do atual movimento de queda das taxas de juros vão exigir que os investidores construam adequadamente seu perfil de investimentos de forma que maximize ganhos e minimize riscos, com critérios que estabeleçam o quanto o investidor deseja obter de rentabilidade, definam a sua real necessidade de liquidez e fixem o quanto ele aceita suportar de risco, através de um rígido controle de orçamento. Neste contexto, a rentabilidade obtida será consequência de quanto o investidor é capaz de gerenciar adequadamente o orçamento de risco de suas carteiras.

No entanto, embora as modernas técnicas de gerenciamento e mitigação de risco estejam consagradas na literatura e no mercado financeiro internacional, a aplicação de tais conceitos no mercado financeiro ainda não foi totalmente incorporada ao dia-a-dia da maioria dos investidores. Mesmo que conceitos de incerteza e risco estejam absolutamente incorporados ao cotidiano do ser humano, na medida em que contratamos seguro, previdência, plano de saúde, etc.

Dentre esses conceitos, cabe destacar a definição de risco sistemático, ou seja, aquela parcela de risco inerente a todos os ativos em que o investidor está exposto independentemente do seu nível de diversificação, como por exemplo, uma redução na taxa de juros americana. Tal fato afetará todo o investidor brasileiro, independentemente do seu nível de diversificação.

O segundo conceito a destacar é o de risco não sistemático, aquele risco inerente ao próprio ativo, ou seja, as características intrínsecas do ativo, como por exemplo, o fato da queda no preço do aço afetar somente as siderúrgicas, o impacto da troca do CEO de uma empresa de capital aberto, etc. O risco não sistemático consegue ser minimizado com o princípio da diversificação não correlacionada.

Um dos conselhos de gestão de investimento mais antigos é aquele que diz "nunca ponha todos os ovos na mesma cesta". Harry Markowitz é o pai das finanças modernas, foi um dos primeiros economistas da reconhecida Universidade de Chicago, nos altos de 1950, a estudar e aplicar conceitos de estatística e economia no mundo dos investimentos, dando origem à famosa teoria dos portfólios. Markowitz introduziu, dentre outras coisas, o conceito da correlação, enfatizando que não basta diversificar, é preciso buscar ativos com correlações negativas.

Na prática, o investidor eficiente é aquele que investe em taxas de juros, ativos cambiais e ações, pois esses ativos são descorrelacionados. Ao investir em bolsa de valores e ativos atrelados ao dólar, o investidor estará sendo mais eficiente, pois a correlação histórica entre a bolsa brasileira e a cotação do dólar é negativa, ou seja, quando um sobe, o outro cai.

Em síntese, o investidor brasileiro precisa diversificar sua carteira buscando uma composição em ativos com baixa correlação, se possível com correlação negativa, pois aí ele conseguirá maximizar o retorno e minimizar a exposição de risco.

Fonte: MARCO A. S. MARTINS