Dinheiro dos idosos

Crédito consignado está acabando com a saúde financeira dos idosos

01 ABR, 2019 / POR: GUERATTO PRESS

"A instituição sabe que irá receber o pagamento do empréstimo e ganhar uma taxa de juros fácil em cima do cliente. Isso é péssimo para os aposentados, que muitas vezes se endividam para ajudar seus familiares, mas são eles que acabam passando necessidade no fim da vida".

A partir de hoje começa a valer a medida que visa restringir o oferecimento de crédito consignado a idosos que acabaram de começar a receber o benefício da aposentadoria. A instrução normativa n° 100 do INSS proíbe qualquer tentativa de oferecer esse tipo de crédito nos primeiros 6 meses de benefício. A decisão é importante já que se tem tornado comum o aliciamento desde o primeiro dia que se começa a receber o benefício, prejudicando muito a saúde financeira dessa parcela da população. Com a economia estagnada e a alto desemprego, essa opção de crédito se torna cada vez mais sedutora, já que tem taxas menores, pois são descontadas diretamente do recebimento da aposentadoria. O financista Fabrizio Gueratto do canal 1Bilhão Educação Financeira comentou sobre como essa prática pode ser prejudicial.

"Quanto mais fácil o empréstimo, mais o brasileiro se endivida e o consignado é exatamente isso. A instituição financeira sabe que irá receber o pagamento do empréstimo e ganhar uma taxa de juros fácil em cima do cliente. Isso é péssimo para os aposentados, que muitas vezes se endividam para ajudar seus familiares, mas são eles que acabam passando necessidade no fim da vida", disse Fabrizio.

O limite para esse tipo de crédito é de 30% do valor total da aposentadoria, o que pode limitar muito o poder de compra e complicar bastante as contas da família. O serviço de proteção ao crédito estima que 5,5 milhões de aposentados tem dívidas e que desses, 32% seriam incapazes de quitá-las. O Financista ainda falou sobre uma possível solução para este panorama.

"Em primeiro lugar, deveriam reduzir o limite do consignado para até 15% do ganho mensal. A segunda medida que deveria ser adotada é a obrigatoriedade dos aposentados, pensionistas e servidores públicos só poderem pegar um empréstimo após um curso de educação financeira que mostre como guardar dinheiro para o cofre de emergência e aonde investir e os efeitos nocivos do endividamento. As próprias instituições financeiras poderiam e deveriam oferecer estes cursos de modo online e presencial, supervisionando o conteúdo por uma instituição de ensino superior. Mas claro que dificilmente isso irá acontecer. A informação vai na contramão do lucro", complementou o financista do Canal 1Bilhão.

Essa prática pode complicar muito as contas da família. Temos em média um valor de R$ 1076,42 na aposentadoria por idade e R$ 2174,96 por tempo de contribuição, sendo o limite de prazo para esse empréstimo de 72 parcelas. Com o desemprego da população jovem alto muitos daqueles que recebem a aposentadoria são também responsáveis pelas contas da família. Além disso, muitos familiares com o nome sujo aproveitam desta vantagem dos idosos muitas vezes para comprarem itens que não são de necessidade básica, como um telefone celular, por exemplo.

"Pegar crédito já é um erro. Pegar crédito para o consumo é um erro duas vezes pior", finaliza o financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira.
Sobre 1Bilhão
O canal 1Bilhão leva educação financeira em uma linguagem simples, resumida e disruptiva, para que o investidor aprenda a acumular riquezas, preservar o poder de compra e aumentar a sua rentabilidade com investimentos com alta expectativa de retorno. Fundado pelo jornalista, escritor e palestrante Fabrizio Gueratto, eleito em 2018 com um dos mil paulistanos mais influentes e que atua a mais de 12 anos no mercado informações financeiras. Tem como mascote o Golden Retriever Troy Bilhão, o primeiro Cãoducador Financeiro, um dos cachorros mais ativistas da internet. O canal tem como o slogan “investimento não é cassino” e foca em desconstruir na cabeça do brasileiro a ideia de que é preciso acertar sempre o investimento da moda. O planejamento patrimonial de qualquer pessoa, independente da sua classe social deve começar ainda na infância e continuar até o final da vida. Além disso, o conteúdo também revela as pegadinhas que existem dentro do mercado financeiro e como desviar delas.


Gueratto Press



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