Opções de renda fixa

Pré ou pós-fixada: qual a melhor opção da renda fixa para 2019

28 NOV, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

A trajetória de estabilidade da Taxa Básica de Juros (Selic) pode estar com os dias contados: com a pressão inflacionária que se anuncia para 2019, em particular com os preços das tarifas públicas e de produtos importados e commodities, tudo indica que o Banco Central terá de voltar a elevar a régua do Juro Básico. Para o mundo dos investimentos, o sinal é claro: novas aplicações poderão ter nos títulos pós-fixados maior rentabilidade.

Isso porque o título pós-fixado é remunerado conforme o indexador futuro, que valerá durante os meses em que o dinheiro estiver investido. E em um horizonte de inflação e ampliação do juro, este modelo beneficia as aplicações em fundos, títulos do tesouro e letras pós-fixadas. Em caso de títulos pré-fixados, a rentabilidade é travada no momento da contratação. E, caso o juro ou a inflação suba, o investidor ganhará menos do que poderia – é o chamado custo de oportunidade. Portanto, as operações pré-fixadas são mais indicadas em ambientes de estabilidade na economia, e com tendência de baixa na inflação e no juro básico.

"Acredito que a inflação vai começar a subir em 2019, tem uma tendência diante do que vem acontecendo, e neste cenário acaba sendo mais interessante as aplicações pós-fixadas", reforça o consultor financeiro Adriano Severo, especialista em investimentos pessoais.

Há também um cenário de incertezas no mercado internacional que sugerem cautela para o investidor. A relação turbulenta entre Estados Unidos e China, o avanço do Brexit e o ambiente de instabilidade no Oriente Médio indicam para uma possibilidade de câmbio mais alto, novamente pressionando a inflação. O risco maior neste caso é que a inflação dê um salto que ultrapasse um juro pré-fixado, trazendo perda real ao investidor.

"Em um ambiente de muitas incertezas é melhor ficar em pós-fixado, pois evita riscos. Não é o momento de travar a operação no juro de agora", afirma Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira dos Executivos de Finanças (Anefac).

No leque de aplicações pós-fixadas, os consultores recomendam que se olhe com atenção para títulos do Tesouro Selic, quando a aplicação for superior a dois anos, e CDBs, LCA e LCI que remunerem conforme a Selic futura, quando a opção é ficar com o dinheiro imobilizado por até dois anos. Fundos DI ou Fundos IPCA também surgem como opções atraentes em razão da perspectiva de alta destes indexadores.

“Claro que as opções dependem muito do perfil do investidor. Mas as aplicações pós-fixadas não devem, por exemplo, afastar o investidor de analisar um fundo de ações, que deve ser uma opção interessante se o cenário de crise se dispersar, a economia melhorar, e o governo resolver privatizar”, pondera Miguel.

Apesar do cenário relativamente claro, os consultores orientam o cliente a acompanhar de perto o noticiário econômico e a indicação das equipes do governo de Jair Bolsonaro para projetar como será a tolerância com a inflação e a política de juro. Desta forma, será mais fácil mudar o rumo das aplicações quando soar necessário.

"O investidor tem que ficar atento para ver as projeções da nova equipe econômica e como isso vai impactar nas aplicações. Se houver reversão no cenário que têm sido traçado, de inflação e juro alto, o investidor pode fazer uma mudança significativa dos seus papéis", afirma Adriano Severo.


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