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Setor  Energia

Desempenho

31 de agosto de 2005

Apostar em empresas de energia pode ser um bom investimento, mas a dúvida só será tirada após 10 de outubro. A data sinaliza o dia em que acontece o leilão de parte da energia nova das indústrias. Os preços abaixo do que o mercado esperava e a sobra de energia velha desanimaram acionistas, os donos das companhias e, principalmente, os investidores privados.

No primeiro semestre deste ano, o aspecto positivo em relação ao desempenho do setor no Brasil foi constituído por mudanças nos marcos regulatórios. Dinamismo, maior concorrência, certeza de não haver falta de energia e preços competitivos são promessas sustentadas após a aprovação da nova legislação. O reajuste de tarifas de energia elétrica pela Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, valoriza o caixa das companhias. Da mesma forma, a maneira de calcular o reajuste da tarifas, outro ponto alterado da legislação do setor, trouxe maior transparência e segurança ao consumidor final residencial, comercial, industrial ou rural.

Um indicativo de crescimento e desenvolvimento do setor elétrico é o aumento da produção industrial doméstica. Segundo pesquisa do IBGE, o crescimento acumulado da indústria no primeiro semestre ficou superior em 5% do que no ano anterior. Numa relação de doze meses, esse reajuste passa para 6,7%. A pesquisa do instituto aponta maior produção em 2005 em 14 de 15 regiões brasileiras estudadas.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), gestor dos recursos eletroenergéticos nacionais, 2004 foi um ano de avanços e crescimento econômico. Os insumos já conhecidos para alavancar esse resultado foram o incremento da economia e do Produto Interno Bruto, PIB, além do aumento da produção industrial. De acordo com dados do Operador, o consumo total de energia cresceu 5,3% em relação a 2003, alcançando 43.732 MWmed.


O marco regulatório do setor elétrico teve definições fundamentais estabelecidas em 2004 com a Lei 10.848 e o Decreto 5081, que confirmam, legitimam e regulamentam o funcionamento do ONS como gestor. O Operador Nacional do Sistema Elétrico é formado pelas empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do País encontra-se fora desse sistema, principalmente, na região da Amazônia.


Tarifas
Reajustes ou não da tarifa a ser cobrada ao consumidor final é outro ponto alterado após a nova regulamentação. A maior transparência no cálculo e possibilidades de fiscalização por parte do consumidor final aumentou. A esperada queda da inadimplência a partir da ampliação do trabalho da Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, também beneficia o consumidor final. Da mesma forma, o equilíbrio nos negócios entre empresas contribui para o balanço das próprias contas. A possível mudança de índice de cálculo provocará também alterações nos ganhos das companhias. A melhora na fiscalização de preços de tarifas pode ajudar na eficiência das empresas. O cálculo do reajuste pelo IPCA ao invés do IGP-M, envolve questões contratuais. Nos contratos de concessão atualmente firmados, os cálculos de projeções de investimentos baseiam-se no IGP-M.

 
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  Patrimônio Líquido (R$ Milhares) Valorização das ações (%)
Dados Consolidados 2TR/05 2TR/04 % ago/05 365 dias
Celesc ON 991 853 16,092167 - -
Cemig ON 8.009,97 6.915,38 15,828383 -1,78 56,06
Cesp PN 7.265,40 6.626,93 9,6345137 -0,79 -9,05
Copel ON 5.332,98 5.030,98 6,0027048 1,76 42,32
Eletrobrás ON 88.103.670 68.127.001 29,32269 -2,71 -17,48
Fontes: Sites  Infomoney e das empresas

Opinião de Mercado

Marcelo Hideki Ouchi
analista Corretora Coinvalores
Desempenho:

Os preços vieram dentro do esperado para os leilões, porque o leilão que já passou considerou a energia velha, gerada de usinas construídas. Por isso, o custo de energia foi mais barato. Já no próximo leilão, como os investimentos são novos e algumas usinas estão sendo construídas, os preços dessas energias tendem a ser maiores.

A nova regulamentação do setor de energia foi bem favorável para as empresa que tiveram o posicionamento adequado, como a Cemig e a Celesc. Ainda continua uma incerteza devido ao atraso com que licenças ambientais vêm sendo concedidas. Isso contribui para que o próximo leilão já esteja atrasado. A modificação que existiu foi o fator, ou seja, as empresas de distribuição que foram ruins no leilão, teriam uma reavaliação tarifária.

Desde a implantação da nova regulamentação até os leilões de energia velha, o movimento das ações do setor de energia no mercado financeiro variou muito. Dependeu muito do posicionamento da empresa. Companhias como Cemig e Celesc tiveram bons desempenhos.

Previsão:
O próximo leilão vai sinalizar qual vai ser o preço justo para pagar pela energia. Existem empresas que vão fazer parcerias privadas. O preço é definido pela rentabilidade do investimento. As previsões para o futuro são de preços maiores. Depois do leilão vai ficar definido se o setor é um bom investimento ou não. No entanto, já é possível perceber qual segmento do setor de energia é melhor investir. Transmissão é o mais seguro por enquanto. As companhias de transmissão têm regras mais definidas, independemente do resultado do leilão. O setor tem marcos regulatórios que já estão definidos. O que vai definir o leilão é a estratégia da Eletrobrás que tem uma parte de transmissão e é quem vai decidir o nível de preço da energia nova.

Recomendação:
A Cemig, CPFL , a Transmissão Paulista e Titel porque são transmissoras e têm parcerias com empresas privadas.

 


RicardoTadeu Martin
analista Corretora Souza Barros
Desempenho:
O leilão de energia velha, ou descontratada, que negociou o excedente ou a parte descontratada do sistema, foi um marco. A descontratação de energia começou em 2003. Para aumentar a competitividade, o governo determinou que as empresas tinham que liberar 25% dos seus consumidores para que comprassem de outras empresas.

Uma das grandes prejudicadas com isso foi a Cesp, que não ofereceu condições para que os clientes liberados continuassem com a empresa. A Tractebel foi uma dentre as beneficiadas que soube trabalhar. A companhia ofereceu condições de manter esses clientes, mesmo sendo livres, manteve contato e renovou contratos. Dependendo da concessionária, as empresas continuaram consumindo com a mesma companhia, porém, com melhores condições de preços. A Cesp não conseguiu manter os clientes.

A vantagem dos liberados é que trouxe maior competitividade, clareza e transparência nas regras. Um exemplo de melhoria foi em relação a uma briga que existia em relação a como calcular o transporte de energia. As ações da Eletrobrás subiram, mas os preços da energia foram caindo, ao contrário da expectativa que havia de elevação dos preços. Para a Furnas, a mudança na regulamentação foi vantagiosa, porque conseguir colocar sua energia em preço bom, mas não alcançou o que o mercado esperava. Para o consumidor, indústrias e consumidores finais, as alterações baratearam a energia devido aos negócios entre oferta e procura.

Isso não influenciou no desempenho do setor como um todo. O setor é eficiente e não mais constituído por empresas que vendem com prejuízo. As tarifas vêm sendo reajustadas e revisadas, como determina a Aneel. O consumidor tem acesso a delações pública da Aneel, assim como uma companhia não pode requerer determinados aumentos com base nos custos dela própria. O sistema não está obsoleto, é muito eficiente e composto para atingir o bem estar do consumidor final. Já foi o tempo em que se conseguia reajuste de custo puro e simples.

Previsão:
No segundo semestre, se tudo correr bem com a crise política, vamos ter continuidade do crescimento econômico, embora abaixo do esperado. Além disso, o segundo semestre engloba produção maior de energia devido ao final do ano. As condições econômicas favoráveis, o consumo maior.

O próximo leilão, que vai ser dia 10 de outubro vai ser composto de duas partes: a negociação da energia referente a 2006 e a 2009. As vendas para o ano de 2006 e as concessões vão ser de três anos. Os contratos a partir de 2009 até 2016. Para o ano que vem, vai ser comercializado o saldo de energia não contratada no mercado, que ficou dos leilões anteriores.

Essa energia provém de um ambiente não regulado, no qual as empresas que tiverem sobra de energia no sistema podem estar vendendo. No novo ambiente, há a forma regulada em que as geradoras vendem para as distribuidoras. O próximo leilão tem o objetivo de testar a demanda, o que os players (auto-produtores, siderurgia nacional, Cemig e Copel) e o governo estão preparando. No leilão de 2009, participarão usinas prontas desde 2000 e que não participaram dos leilões anteriores.

Em relação ao próximo leilão, não vejo mudanças na comparação ao último. Deve sair grande parte da energia para 2006. O cenário é incerto, pois no ano que vem as empresas têm que disponibilizar 25% do restante da clientela. A partir do momento em que deixa de ter esse consumidor, a empresa vai ter energia sobrando. Se não tiver, ela vai para o leilão. Se até lá as condições hídricas (chuva, clima) proporcionarem que os reservatórios estejam em níveis adequados, vai haver uma perda na venda da energia e o preço vai diminuir.

Observando a infra-estrutura de uma indústria de usina hidrelétrica nacional, pode-se perceber que o setor é eficiente. Foi-se o tempo em que a inadimplência existia. Havia muito crédito de empresa com empresa. Uma devia para outra e para aquela outra. Ninguém pagava. O saldo de contas a resultados a compensar veio a ser utilizado pra minimizar o problema de inadimplência setorial. Com os novos investimentos vêm os custos adicionais que não existiam. Por exemplo, sem a licença ambiental não há recursos disponíveis como tinha antes, os empreendimentos são mais caros também devido à utilização de recursos hídricos economicamente viáveis.

A nova indústria de energia, o próprio modelo em si, foi criada para tentar melhorar as condições de produção no Brasil. Entretanto, acontece que, às vezes, a taxa de retorno que o investidor está para receber, não condiz com o que ele quer.

Recomendação:
Recomendo a Cemig. A estimativa é de que 65% dos seus negócios estão relacionados a um segmento industrial muito forte com a atividade indo bem, que é a mineração e a siderurgia. A empresa é eficiente, com custo de energia muito baixo, consumo bom e uma bela administração. Apesar de se uma estatal, há pouca interferência na gestão. Aliás, o que todo o setor tem apresentado, exceto a Eletrobrás.

A CPFL energia é outra recomendação. É uma empresa privada, cuja estrutura societária foi reformulada, e é a maior do segmento de distribuição. A Transmissão Paulista também é uma aposta, porque tem uma tarifa que é remunerada oficialmente. Deve passar por um processo de privatização.

A Copel e a Celesc são boas. Esta última, em menor grau, mas em termos de projetos recentes, conseguiu um contrato de fornecimento para gerar energia mais barata, o que é positivo.

 


Equipe Técnica Acionista.com.br
 
acionista@acionista.com.br
Editado por Ana Borges
31/08/05

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