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Setor Açúcar e Álcool - Perspectivas de curto prazo
30 de novembro de 2010
Desempenho
 

O desempenho das produtoras de açúcar e álcool tem sido crescente ao longo de 2010. Os patamares recordes do açúcar e do etanol têm contribuído para isso. O mix de produção ainda continua mais voltado para o açúcar. Entre abril e setembro deste ano, o produto representou 45% da cana colhida no Brasil. Foram produzidas 27,1 milhões de toneladas de açúcar e 20,3 bilhões de litros de etanol. Em percentuais, essas produções aumentaram 30,1% e 22,6% em relação ao mesmo período de 2009, de acordo com dados divulgados no relatório da Cosan e contabilizados pela UNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar). O aumento da produção de açúcar na região Centro-Sul foi acompanhado pelo aumento da exportação do Brasil. Esse volume foi de 15,5 milhões de toneladas e representou um incremento de 22% em relação à safra 2009/10.

Da parte do etanol, boa parte tem ficado no país, especialmente, para abastecer a frota de veículos. Na sua totalidade, mais de 40% dos carros em circulação são flex-flue. Entre os novos, 80% aceita tanto o combustível à base de cana e a gasolina. Daqui para frente, novos mercado se abrem a sua utilização. Em maio de 2011, a Prefeitura de São Paulo colocará em circulação os primeiros 50 ônibus movidas a etanol no país. A expectativa é que até 2018, todos os ônibus públicos da cidade deverão ser movidos por energia renováveis, conforme informações disponibilizadas pela UNICA.   

 

                Mercado de Ações
 

Não existem mais empresas na BM&FBOVESPA representativas unicamente do setor de açúcar e álcool. Por isso, os analistas do Bradesco alertam que comparações devem ser feitas com cuidado. A Cosan, que acumula alta de 2,1% no consolidado de 2010 até 26.11, expandiu sua atuação através da parceria com a Shell, no setor de combustíveis, e no segmento de logística, através da Rumo. A Açúcar Guarani, agora chamada de Tereos, agregou negócios na área de alimentos vindos da multinacional com que se uniu. Os papéis da companhia no mês de novembro apresentam perda de 11,1%, resultado ainda da consolidação das empresas. Por outro lado, a São Martinho pode ser apontada como mais voltada à venda de açúcar e álcool. Seus papéis valorizam 31,2% no ano, diante de um Ibovespa com perda de 0,5%.  
 

Opinião do Mercado

Simone Escudero
Diretora de Projetos da ALL Consulting

O setor de açúcar e álcool no Brasil não é tão dinâmico como outros. Não tem um órgão regulador que aprova medidas com frequência e exige que as empresas realizem mudanças. No entanto, é uma referência mundial, especialmente, em termos de tecnologia. Além disso, continua se expandindo nesse sentido e em termos geográficos também.

Outro driver do setor é possibilidade de avaliar, conforme o preço, se será melhor produzir açúcar ou combustível. E, ao contrário de anos atrás, isso não representa mais um risco para o setor, e sim uma oportunidade, especialmente, porque 80% dos novos veículos vendidos no Brasil são flex-flue, ou seja, aceitam gasolina ou álcool. Apesar do percentual de crescimento dessa frota ser limitado, isso não significa que a demanda pelo combustível renovável está chegando perto do seu limite. Os investimentos nacionais em pesquisa em novas tecnologias e a atenção dos estrangeiros a esse mercado dão uma idéia de quão grande é o potencial deste setor no médio e longo prazo.     


Auro Rozembaum
Bruno Varella
Analistas Bradesco Corretora

O preço alto e a coogeração de energia elétrica via biomassa são os drivers de mais curto prazo para o setor. A cotação do açúcar bateu novos recordes e chegou ao patamar mais alto dos últimos 30 anos, a U$ 30,00 libra/peso. O preço do etanol também está no limite, e chegou a  compor 70% do preço da gasolina na bomba. O setor ainda apresenta déficit de produção, e isso deve continuar pressionando os preços. No entanto, essas cotações não parecem sustentáveis no médio prazo.

As empresas continuam ganhando com este cenário, conforme ficou perceptível através dos resultados dos três trimestres de 2010. A São Martinho é de longe a mais eficiente, com as melhores margens. O setor está cada vez mais forte e profissionalizado, e ainda tem potencial de crescimento. As vendas do carro flex-flue devem continuar aumentando, já que representam 40% da frota brasileira.

Recomendação: Tereos está em revisão. Para São Martinho o preço-alvo é de R$ 36,7, ou seja, um up side de 70% até março de 2012. Para a Cosan temos um preço de R$ 41,00 com um potencial de valorização de 52% no mesmo período.


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Indicadores
Empresa ► Cosan Limited Cosan São Martinho Usina Costa Pinto Tereos
  Dados▼ CZLT11 CSAN3 SMTO3 UCOP4 TERI3
Nível Gov. Corporativa DR3 NM NM - NM
PL 3T09 R$ MM 3.257,48 4.220,47 1.624,36 248,24 -
PL 3T10 R$ MM 3.621,37 5.347,57 1.706,43 428,48 2.449,00
LL 3T09 R$ MM 127,87 173,37 20,25 16,47 -
LL 3T10 R$ MM 269,06 439,73 46,58 29,77 19,00
Variacao LL  3T10 (%) 110,41 153,64 130,05 80,82 -
ROE  3T10(%) 7,45 8,22 2,72 6,98 0,77
Índices Bovespa          
Ibovespa .. .
IBRX-50 .. .
IBRX .
IGC . .
Itag . .
ISE
IVBX2 .
MLCX .
SMLL .
ICON .
INDX .. .
IEE .
IMOB .
ITEL . .
IFNC . .

Informações Relevantes:
ROE - Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE - Não Existe
Fonte: Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas Periodicidade Dividendos/ano

%Dividendo LL

Tag Along (On) e (PN) Conselheiros Independentes
Cosan Indústria e Comércio 25% Ano 100% (ON) (Nada) PN Sim
São Martinho 25% Ano 100% Sim
Usina Costa Pinto* - - Não -
Tereos Internacional 25% Ano Não Sim


Informações Relevantes:
A Cosan Limited é uma empresa estrangeira, listada através de ADR, e portanto, não segue as mesmas regras das empresas brasileiras listadas na Bovespa. A Cosan Alimentos e a Usina Costa Pinto pertencem ao Grupo Cosan.
*A Usina Costa Pinto foi adquirida pela Cosan. Uma decisão digicial havia impedido a companhia de pagar dividendo. Uma decisão contrária foi divulgada recentemente, e os acionistas minoritários receberão o pagmento.
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática.
Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Fonte: site das companhias e Bovespa (Tag Along)
 

Acesse a Agenda de Resultados 3T10

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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