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Setor Financeiro

Desempenho

29 de outubro de 2008

As medidas tomadas pelo Banco Central Brasileiro (BCB) para manter a liquidez no mercado financeiro estão relacionadas à principal preocupação quanto ao desempenho do setor no Brasil. A redução das carteiras de crédito é o primeiro grande efeito esperado da crise mundial no desempenho dos bancos nacionais. Por enquanto, a liquidez no mercado ainda é considerável, conforme demonstram o crescimento das carteiras de crédito dos maiores bancos na divulgação dos resultados do terceiro trimestre. O destaque ficou com o Itaú, que elevou sua carteira de crédito em mais de 42% em relação ao mesmo período do ano passado, e 11% ao 2T08.

A medida do BC de liberar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para constituírem subsidiárias e a adquirirem participação em outras instituições é preocupante na opinião da Corretora Ativa. Anteriormente, a compra de outras instituições pelo BB e CEF somente poderia ser realizada através da troca de ações. De acordo com a Corretora, agora, isso pode ser feito de diversas formas. Isso sugere um aumento do risco de que as instituições possam ser utilizadas como veículos de saneamento do sistema financeiro, por meio da compra de bancos pequenos e médios que estejam com dificuldade de liquidez e até de solvência. Além disso, a corretora observa que a decisão do BC tem caráter emergencial e sugere que existe a possibilidade de instituições financeiras apresentarem problemas maiores do que o esperado. Para a economia, no entanto, essa ação é positiva, na medida em que cria mais uma alternativa para que os bancos que enfrentam problemas de liquidez busquem recursos no mercado, garantindo maior estabilidade para o sistema financeiro.

 

Financeiro/ R$ Milhões

Nível / Data*

Valor de Mercado 2008¹

Valor de Mercado até 28/10²

Variação %

ABC Brasil

N1  7/07

758,251

-

-

Bicbanco

N1  7/07

2.030,81

-

-

Banco do Brasil

NM 6/06

57.834,63 

27.305,00 

(52,8)

Banrisul

N1  7/07

2.792,01

-

-

Bradesco

N1  6/01

88.780,63 

52.204,00 

(41,2)

Cruzeiro do Sul

N1  6/07

638,96 

-

-

Daycoval

N1  6/07

1.311,31 

912,00 

(30,5)

Indusval

N1  7/07

395,17 

-

-

Itaú

N1  6/01

95.670,09

50.960,00

(46,7)

Nossa Caixa

NM 10/05

4.270,73 

2.902,00 

(32,0)

Paraná

N1  6/07

666,799

-

-

Pine

N1  6/01

586,18 

397,00 

(32,3)

Sofisa

N1  5/07

696,88 

465,00 

(33,3)

Unibanco

N1  6/01

31.746,62 

16.482,00 

(48,1)
 
  ¹ Acumulado em 2008 até setembro. Fonte: Bovespa
² Acumulado em 2008 até a data, números levantados pela Corretora Ativa.
*Data de entrada no Nível de Governança da Bovespa.
Bancos não-listados em algum dos níveis não foram incluídos na tabela. 
 
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Mercado de Ações

No acumulado do ano (até 28 de outubro), o setor financeiro caiu menos que o Ibovespa, de acordo com levantamento da Ativa Corretora. A desvalorização dos bancos foi de 42,3% frente aos 53,9% do índice. Por outro lado, a Bovespa caiu mais do que índices internacionais, como o S&P, que desvalorizou 42,3% no mesmo período e o Dow Jones, com queda de 38,4%. As maiores quedas do setor financeiro foram nas blue chips, mais líquidas, e também, mais voláteis que as middle capitals. No entanto, na prática, a crise mundial atingiu, até agora, as instituições de médio porte, a maioria que abriu capital a partir de 2007. A possibilidade de que bancos maiores comprem as suas carteiras de créditos foi bem vista pelo mercado, porque dá liquidez a elas, e sustenta o mercado de crédito no curto prazo, que já dá sinais de aceleração em alguns segmentos do consumo.

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Opinião do Mercado

Luis Miguel Santacreu - Analista Austin Consultoria

Estamos vivenciando um momento que falar de longo prazo é diferente se estivéssemos no ano passado. O cenário brasileiro estava vivendo à margem do cenário mundial. O mercado internacional já dava sinal dessa crise, enquanto aqui bancos médios abriram capital e grandes instituições cresciam, através das carteiras e do volume de crédito e dos lucros. Podemos dizer que isso aconteceu até o final do primeiro semestre deste ano. Agora o sistema financeiro brasileiro já espelha o que acontece lá fora. Já se fala até em redução das carteiras de crédito no Brasil.

Esse cenário é tão “curto prazista” que não se consegue visualizar o que pode acontecer no ano que vem. O que se acredita é que a atividade da economia brasileira vai diminuir. Diante disso, não tem sentido que os bancos consigam manter os resultados equiparados aos trimestres passados. No entanto, ainda na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, não será possível ver os efeitos da crise no setor financeiro brasileiro. O mais provável é que uma das conseqüências seja a redução das carteiras de crédito e no volume de recursos captado pelos bancos.

As medidas do governo para reagir à crise são necessárias, mas estão sendo de curto prazo, e não têm efeito direto nos resultados, mas talvez na liquidez do sistema. O foco do sistema deve, a partir de agora, se deslocar dos lucros conquistados para o gerenciamento de risco. Para garantir que os bancos tenham recursos de curto prazo para honrar compromissos, é possível que os bancos menores vendam suas carteiras de crédito. A questão é como os bancos vão continuar mantendo o crédito futuro do sistema. Por enquanto, o problema está localizado nos pequenos e médios bancos. Eles vão ter que encontrar alternativas de recursos e captação. Os grandes bancos ainda estão com bastante recursos (e a liberação dos compulsórios ajuda nesse sentido).

Recomendação: Não fazem.


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Matias Dietrich - Analista Solidus Corretora

Operacionalmente o setor está bem. Nos últimos anos, houve aumento da base de clientes, do volume de crédito, a taxa de inadimplência baixou, assim como os spreads. Hoje o cenário é de dúvida sobre o que vai acontecer daqui para frente. O Banco Central está tomando medidas para elevar a liquidez, para que os bancos continuem destinando recursos para o crédito. Um dessas iniciativas do BC foi a liberação para que grandes bancos comprem as carteiras de crédito de instituições menores. Essa é uma medida que pode resolver os problemas de liquidez de bancos pequenos. Ao mesmo tempo, possibilita que os grandes bancos tenham recursos para emprestar.

O setor brasileiro não deve ser atingido pela crise como os bancos estrangeiros. Essas instituições estão tendo perdas patrimoniais decorrente de operações com créditos sub-primes. Os bancos brasileiros se posicionaram e não operaram com créditos pobres. O problema que os bancos daqui podem enfrentar é a falta de liquidez.

Recomendação: Há quatro ou cinco anos, mantemos a Itaúsa na carteira de longo prazo. Optamos pelo papel da holding devido ao desconto comparado à ação do banco. O que faz com que a ação de Itaúsa seja mais barata que a do Itaú é a participação que ela tem em outras empresas, mesmo sendo um percentual pequeno, cerca de 10%, em relação ao seu total. O restante do capital da Itaúsa está no Itaú.


Assuntos relacionados:

Agenda de Resultados 3T08

 

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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