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Setor Papel e Celulose

Desempenho

29 de maio de 2008

As produtoras de papel e celulose no Brasil se destacarão neste ano pelo aumento da capacidade de produção. As unidades, algumas delas ainda na forma de projeto, outras já operando em 2008, respondem a um cenário mundial não tão positivo, quanto aqui no Brasil. A forte demanda, o baixo nível dos estoques, o crescimento mundial, e principalmente chinês, e a escassez de matéria-prima em algumas regiões produtoras representam uma grande oportunidade para as companhias nacionais - no caso, para a venda de celulose de fibra curta, produzida pelas brasileiras - principalmente, porque elas já têm representatividade no mercado externo. A Aracruz exporta 98% da produção de celulose branqueada, e a VCP, cerca de 50%.

A demanda por celulose de eucalipto cresceu 22% até março deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. E ao contrário de uma expansão de oferta, houve fechamento de fábricas na Europa e na América do Norte. A demanda por papel e papelão na Ásia aumentou em 37% em dois anos. Na China, esse incremento foi de 47%. Esse país é o segundo maior mercado de papel do mundo, no entanto, ainda tem o menor consumo anual per capita, cerca de 50 kg. A capacidade da demanda mundial por celulose está em 223 milhões de toneladas ao ano. Quase metade do consumo, 40%, ainda está na América do Norte, 25% na Europa, 8% na América Latina, e outros 27% nos outros continentes¹.

¹ Os Dados tiveram como fonte palestra e material referentes aos resultados do 1Tr08 da Aracruz Celulose.

Empresas/N1/ R$ Milhões PL 06 PL 07 LL 06 LL 07 ROE (%)
Aracruz Celulose

5.361,020

5.454,527

273,243

166,507

3,05

Klabin

2.741,299

2.818,326

165,494

77,151

2,73

Suzano Papel e Celulose

4.391,656

4.520,293

106,142

128,634

2,84

Votorantim

5.632,179

5.745,592

160,135

111,100

1,93

Fonte: Bovespa
ROE – Rentabilidade do Lucro Líquido (LL) sobre o Patrimônio Líquido (PL).
Fonte: ROE calculado pelo Acionista.com.br
 

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Mercado de Ações

Nos primeiros meses de 2008, o papel da Aracruz Celulose se destacou no mercado, e o setor na Bovespa teve aumento do volume médio dos negócios em 53% no período¹. Havia uma expectativa em razão do fim do acordo entre os controladores da empresa: Votorantim Papel e Celulose, a Família Safra e o Grupo Lorentzen. Apesar da certeza de não haver um novo acordo, o mercado agora espera a incorporação da Aracruz por um dos seus sócios, a Votorantim, que tem 12,35% de participação do capital da companhia, ou pelo concorrente Suzano. De acordo com o analista da Geração Futuro, Felipe V. Ruppenthal, a resposta a essas especulações dificilmente virá no curto prazo. A Aracruz é a maior e mais rentável empresa do setor brasileiro, fazendo com que os atuais controladores peçam um prêmio significativo pelas suas participações, isto, se tiverem interesse em vendê-las. Portanto, para acontecer a aquisição da Aracruz tanto pela VCP, quanto pela Suzano, seria necessário uma avançada engenharia financeira para não comprometer o nível de endividamento destas empresas

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Opinião do Mercado

Felipe Volcato Ruppenthal - Analista Geração Futuro

Para os próximos trimestres o sentimento quanto ao setor é positivo. O aumento dos preços da celulose que houve em fevereiro beneficiou as empresas no primeiro trimestre, assim como uma outra elevação que ocorreu em abril, que deve aumentar as margens e os lucros das companhias no segundo trimestre. Novos aumentos de preços podem acontecer. Uma razão para isso pode ser o aumento da cotação do papel em Euro. À medida que há esse reajuste, abre espaço para um novo preço da celulose. Além desses novos reajustes, é importante monitorar os fechamentos de capacidades que vem ocorrendo em diversas regiões do mundo, que estão sendo contrabalanceados pelo incremento da oferta de celulose em países com maiores vantagens competitivas em sua produção.
 

Outro aspecto é o acesso das produtoras de celulose à matéria-prima. A Indonésia proibiu, em alguma proporção, o corte de madeira nativa, que é praticado lá. Isso provocou elevação nos custos e nos preços, devido à falta de madeira. No entanto, o país já voltou a liberar novamente. A Rússia tem sobretaxado as exportações de madeira, matéria-prima que financiava as empresas de regiões próximas. Com isso, essas companhias já apresentaram queda nas margens, e muitas fecharam unidades. Em resposta a isso, elas estão se mudando para regiões onde podem ter acesso à matéria-prima, como a própria Rússia. A vinda de européias pode ser observada também na América Latina

A corretora tem preço-justo para a Votorantim Papel e Celulose (VCP) de R$ 68,04. Ela passou por uma reestruturação em 2007. Trocou uma fábrica integrada de papel por uma futura planta de celulose de mercado, o Projeto Horizonte, além de vender unidades fabricantes de papel menos nobre. Em 2008, veremos seus resultados inferiores a 2007 em função destes desinvestimentos. No entanto, a margem operacional Ebitda deverá ser melhor, em função do aumento da participação da celulose nos volumes e o foco em papéis de maior valor agregado. Além disso, ela está expandindo sua capacidade produtiva. Em 2009, o Projeto Horizonte (Mato Grosso) começará a operar. E em 2011, deverá entrar o Projeto Losango (Rio Grande do Sul). Cada um vai ser capaz de produzir 1,3 milhões de toneladas ao ano, mas poderá duplicar essa capacidade. Portanto, ela será a empresa com maior crescimento do setor no Brasil.
 


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Antonio Carlos V. Góes - Chefe de Análise Senso Corretora

A Aracruz e a Suzano estão com fundamentos melhores. O processo de troca de ativos de papel pelos de celulose na VCP ainda não trouxe bons resultados para a empresa, que ainda consolida as operações. A Aracruz está elevando sua capacidade de produção de pasta de celulose e tem o menor custo/caixa. O cenário do setor continua favorável. Os preços devem ter novos aumentos. Os números da Companhia foram inferiores neste primeiro trimestre, mas a expectativa é que melhorem ao longo do ano. Os preços para exportação de celulose (a Aracruz exporta 98% da produção) são atrativos, e têm compensado a desvalorização do dólar.

Os resultados das empresas nos próximos trimestres devem ser melhores do que no início deste ano. Os estoques mundiais baixaram, e vão proporcionar que as brasileiras pratiquem melhores preços. No primeiro trimestre, as empresas aqui no Brasil fizeram paradas programadas - o que não deve ocorrer até o final do ano. A Suzano também vai elevar capacidade, com o início das operações na planta de Mucuri. A Klabin também inaugura uma fábrica neste ano, só que ela está relacionada ao setor de consumo. Por isso acompanha o desempenho da economia, que está bem, já que vende embalagens, e tem as vendas voltadas para o mercado interno.

Recomendação: Todas estão com ponto de COMPRA. No entanto, selecionamos para o nosso Portifólio Exportador (empresas com no mínimo 50% dos negócios no exterior) A Suzano Papel e Celulose e a Aracruz, porque consideramos que elas têm uma perspectiva melhor que o mercado entende assim. O preço-alvo para dezembro deste ano é de R$ 17,00 para a Aracruz, e de R$ 30,11 para a Suzano. Para a VCP é de 68,58, e para Klabin, de R$ 8,59.


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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