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Setor Petroquímico

Desempenho

O desempenho do setor está fundamentado em perspectivas de maiores investimentos, produção e demanda. A Petrobrás aplicará US$ 55 bilhões em novas opções de refino, exploração e produção (E&P), atividade que cresceu 7%. Entre as metas está a produção de seis milhões de litros de gás e quase dois milhões de barris por dia (bpd) de óleo, ou seja, 7,9% acima da média de 2006. A entrada em funcionamento de plataformas resultará em mais 20 mil bpd na SSP¹ no campo de Piranema/SE, 400 mil bpd no campo de Golfinho em Vitória/ES, e 180 mil bpd no campo do Roncador/RJ, onde também a produção de gás na P-54 será elevada. O Plangás² aumentará a oferta de gás em 1,5%, colocando 15,8 milhões na região sudeste.

A partir destas perspectivas beneficia-se a indústria química - terceira geração de petroquímicos. Relatório da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) aponta para incremento do índice de produção desse segmento. O início do ano é época de recomposição dos estoques. Por isso, além do crescimento de 2,8% na produção, as vendas internas devem estar maiores 3,66% em comparação a 2006.O consumo de resinas plásticas (resultado da produção da segunda geração da indústria petroquímica - Polietileno, Polipropileno e PVC) superará 10 milhões de toneladas em 2015. O número é mais que o dobro dos 4,3 milhões/ton demandados em 2005. A necessidade por nafta crescerá 9,3 milhões/ton. O déficit interno do insumo está estimado em 3,4 milhões/ ton em 2015. A procura deverá ser suprida com importações e diversificações de fontes de matérias-primas, como gás-natural, e de mais refinarias.

A estabilidade nos preços da nafta e petróleo pode contribuir para o ganho de produtoras de insumos e resinas como a Braskem, que retomou rentabilidade no 4tr06, e a Suzano que já recuperou o caixa em 80% com a elevação dos preços das resinas e queda nos custos da nafta - cerca de 13% do tipo ARA. A cotação do petróleo está no patamar entre US$ 60,00 e US$ 61,00 (bolsas de NY e Londres). A queda na volatilidade do preço não é esperada em consenso pelo mercado. Relatório da Ativa Corretora observa a falta de sensibilidade a eventos geopolíticos, que tem contribuído para a forte oscilação. Existe também a preocupação com o nível de capacidade ociosa da produção mundial da commodity. Apesar dessa instabilidade, espera-se queda maior do barril na comparação a 2006.
 

PL/ R$ milhões

2005

2006

Variação%

Braskem

4.535.766,00

4.311.877,00

(4,9)

Copesul

1.247.327,00

1.300.160,00

4,2

Petrobras

78.785.236,00

97.530.648,00

23,8

Petroflex

326,34

405,14

24,1

Petropar

269,23

263,95

(2,0)

Petroquímica União

740,981

791,61

6,8

Suzano Petroquímica

966,55

966,57

0,0

Unipar

139,10

47,37

(65,9)

Fonte: Bovespa

 

 

 

 

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Opinião do Mercado
Carteira Recomendada da SLW

A Ultrapar PN (UGPA4) está recomendada para a semana que iniciou dia 20, em função da compra do grupo Ipiranga, em parceria com Braskem e Petrobrás. A Ultrapar emitirá ações para trocar pelas da Ipiranga - não desembolsará quantia em dinheiro -, elevando a base atual de papéis em Bolsa para cerca de 60%. A Cia ganha estrategicamente e também pode ingressar no Ibovespa. Após a compra, ela torna-se a segunda maior distribuidora da indústria petroquímica, com 15% do mercado, atrás da Petrobrás. Antes, ela não atuava nesse segmento. O Preço Justo é de R$ 54,00.

A Unipar PNB (UNIP6) tem peso de 10% no portfólio de março. A companhia deve seguir a linha de suas acionistas Petroflex (maior produtora de borracha sintética da América Latina) e Petroquímica União, e apresentar um bom resultado no 4tr06, em função do melhor desempenho do setor. As petroquímicas serão beneficiadas com os menores preços da nafta e pela absorção da oferta da Riopol (Rio Polímeros - controlada pela Unipar, Suzano e Petrobrás) no mercado. O preço alvo é de R$ 2,30, com potencial de valorização de 19%. O papel também tem recomendação semanal (20/03/07), devido à venda da Ipiranga. Este setor acordou para a realização de acordos societários, depois dessa transação. A consolidação entre as empresas torna mais fácil às negociações quanto a prazo e preço. Ou seja, pode contribuir para a melhora na rentabilidade das Companhias.

A Petrobrás PN (PETR4) compõem em 10% da carteira mensal. Apesar do resultado abaixo do esperado, acreditamos que a empresa possa melhorar seu desempenho com a oscilação de preços internacionais de petróleo, principalmente, devido à demanda dos EUA e à entrada em operações das plataformas P-53, P-54 e FPSO³ Vitória (ES). O preço alvo é de R$ 55,00, com potencial de valorização de 28%.

Felipe Cunha - Analista Banco Brascan

A retomada da rentabilidade do setor deve ser vista através de dois indicadores. Para 2007, devemos esperar receitas menores. Essa queda acontecerá em razão da manutenção da média de preços mais baixos do petróleo. Trabalhamos com o barril a US$ 58,00 neste ano. Esse patamar refletirá em queda de receitas para a Petrobrás.

Pelo viés do Ebitda, existe a possibilidade de acréscimo nas margens. No 4tr06, efeitos não recorrentes relativos à contabilização de estoques e a paradas de plataformas contabilizaram custos sem retornos de receita. Neste ano, se não tivermos problemas com a normalização do funcionamento das plataformas, o Ebitda pode ser maior que em 2006. Isso será beneficiado com queda nos insumos da indústria e também nos preços de serviços (equipamentos, perfuração), em razão da manutenção de uma cotação mais baixa da commodity.

A compra de 1/3 do grupo Ipiranga é positiva estrategicamente para a Petrobrás, mas pouco de forma financeira. A empresa comprada produz 17 mil bpd de petróleo, quase insignificante para a Petrobrás. Por outro lado, a companhia agregará 880 postos de combustível a sua rede de distribuição nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. Além disso, terá 40% dos ativos da Copesul (que terá capital fechado) e pode aumentar sua participação na Braskem.
Recomendação: COMPRA para Petrobrás. Trabalhamos com preço de R$ 61,00 por ação.
¹ Plataformas Semi-Submersíveis (SSP)- são compostas de uma estrutura de um ou mais conveses, apoiada por colunas
em flutuadores submersos.
² Plangás – Plano de Antecipação da Produção de Gás Natural
³ Plataformas FPSO (floating, Production, Storage and Offloading) - são navios com capacidade para processar e armazenar o
petróleo e prover a transferência do petróleo e gás natural.

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Equipe Técnica Acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br
26/03/2007

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