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 Setor Construção Civil

Desempenho


A performance de empresas de construção civil reflete o desempenho do País. O segmento ainda não tem representatividade na economia nacional. As altas taxas de juros e a falta de investimento impedem um desenvolvimento suficientemente favorável das Companhias. Apesar disso, a expectativa de analistas de mercado, governantes e empresários é boa para o setor que emprega a maior parcela da mão-de-obra brasileira.

O cenário ideal para o crescimento da construção civil é o mesmo esperado para o Brasil em três anos. A taxa de juro básica (Selic) deverá atingir patamares anuais de 12% a 10%. A carga tributária terá que diminuir – já que hoje os impostos consomem 37% do Produto Interno Bruto. Além disso, é ideal que o Risco-País mantenha-se em 200 pontos e o PIB, em 4,5% ao ano.

Além dessas previsões, existem indicativos de que o segmento terá melhor desempenho. O crescimento da renda média dos brasileiros na maioria das capitais, conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e o incremento do percentual do crédito (inclusive habitacional) para mais de 30% do PIB nacional, que em 2005 ultrapassou os •R$ 85 trilhões, são fatos que comprovam o rumo positivo do setor. Outra garantia do desempenho positivo é a desoneração de produtos considerados da cesta básica da construção civil, que foi promovida pelo Governo Federal nos meses de fevereiro e junho deste ano.

Entre os aspectos que comprovam que o segmento precisa se desenvolver é a quantidade reduzida de companhias do setor que tem papéis ofertados no mercado financeiro. Na Bovespa são oito empresas. A emissão de ações é um mecanismo de prospectar recursos, inclusive, com a intenção de vencer a falta de incentivo dos governos nesta área. Outro fator preponderante para o baixo crescimento do setor – que em 2005 foi de 1% - é a falta de investimentos. Na comparação com os outros países, o governo não investe em obras públicas suficientemente. A projeção de unidades habitacionais em 2005 ficou em 250 mil para o Brasil, 650 mil para o México e 750 mil para a Espanha. O déficit nacional está em cerca de oito milhões de moradias.

O que convence o mercado de que mudanças benéficas estão próximas é o interesse crescente de representantes públicos e investidores, inclusive, estrangeiros, no setor de construção civil. De acordo com dados Company S. A, em 2005 o volume de recursos aplicados pelas empresas do segmento foi de R$ 4,8 bilhões, aproximadamente 60% a mais que no ano anterior. De Janeiro a Junho de 2006, houve um aumento de 104% no valor contratado e 102% no número de unidades financiadas. Para 2006 estima-se um montante de R$ 10 bilhões. Se cumprido, representará um aumento de 108%.

Investimentos para a prosperidade

Dados levantados pelo Banco Central (BC) mostram que a atividade imobiliária recebeu US$ 163 milhões de recursos estrangeiros em julho. O volume do primeiro semestre foi de US$ 1.098 bilhões. O montante representa aumento de 10% no investimento internacional no País.

Nos primeiros seis meses do ano, A Company destinou R$ 63 milhões para a compra de novos terrenos e imóveis. O estoque de locais para obras cresceu 167% na comparação do segundo trimestre com o primeiro de 2006. Isso significa o montante de R$ 130 milhões de valor. A Rossi trabalha com 42 canteiros de obras, totalizando 52 empreendimentos para os próximos anos. A Gafisa enfatiza o aumento do percentual de lançamentos realizados no mercado financeiro.

O Governo Federal tem destinado maior atenção às empresas do setor de construção civil neste ano (o que é comum em período eleitoral). O incentivo, através do pacote de redução de tarifas, foi para 41 produtos, que abrangem a cesta básica do setor. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) acredita que o incentivo deva contribuir para que o setor participe com 1,7 ponto percentual no crescimento do PIB deste ano. O estímulo é considerado importante porque reduz até 50% de algumas alíquotas. Impostos que incidiam principalmente sobre os Produtos Industrializados (IPI), passaram de 12% para 10% e até 5%. Alguns tiveram taxas zeradas.

Fundos de Investimento Imobiliário

Instrumento moderno em todo mundo, de acordo com Sérgio Belleza Filho, consultor de investimento da Coinvalores Corretora de Valores, os fundos de investimento imobiliário (FII) existem há 12 anos no Brasil. Apesar do tempo, ainda não são fontes utilizadas para capitalizar o setor de construção civil.

Atualmente, apenas duas instituições de varejo trabalham com o FII – o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal. Este banco é o pioneiro no trabalho com fundos imobiliários brasileiros. A Caixa tem dois fundos. As mais de cem cotas da construção Torre Almirante estão vendidas desde maio do ano passado. As 104.800 ações do edifício Almirante Barroso foram compradas depois de 75 dias da oferta, em 2003. O BB disponibilizou 125,3 mil cotas em processo de oferta público concluído em 23 de junho do ano passado.

O patrimônio líquido dos FIIs listados na Bovespa é de R$ 2.6 bilhões. Existem mais de 60 fundos imobiliários no Brasil. O mercado e a procura pequena por esse tipo de investimento é devido à baixa rentabilidade, se comparada com outros dispositivos de renda no mercado de ações. O rendimento é abaixo da taxa Selic e lastreado ao IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que está em queda.

Para Belleza Filho é necessário popularizar o FII, a fim de que sua importância – fomentar um setor essencial como o de construção civil – seja conhecida. Ele cita como benefício destes fundos a tributação reduzida e a possibilidade de investimento tanto de pessoa física como jurídica. O consultor menciona o sucesso da Caixa Econômica Federal ao lançar o primeiro fundo imobiliário: “Além de vender para 5 mil pessoas, mas 20 a 30 mil pessoas ficaram sabendo da negociação”.

O gerente regional de negócios da Caixa no Rio Grande do Sul, Carlos Barbosa, elenca outras vantagens do produto.”O investimento destina-se a quem busca complementar a renda através do aluguel de imóveis. A vantagem é que os custos são rateados pelos investidores, o valor é diferente de um aluguel, as despesas são menores, pois não há o pagamento de condomínio, IPTU”. A rentabilidade dos fundos da Caixa está em média de 0,9% ao mês e, muitas vezes, os rendimentos são isentos de alíquotas fiscais.

 

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Mercado de Ações

 

Patrimônio Líquido em R$ milhões

 

2T05

2T06

Variação %

Cyrela 485.350,00 1.170.175,00 141,1
Company 45.829,00 264.510,00 477,2
Gafisa 320.839,00 807.633,00 151,7
Rossi Resid. 286.520,00 1.030.195,00 259,6
Fontes: Bovespa e site das empresas
*Obs.: Outras empresas que integram o setor de Construção Civil da Bovespa são Cimob Participações, Construtora Adolpho Lindenberg Part., João Fortes Engenharia e Sergen Serviços Gerais e Engenharia. Elas não estão incluídas na tabela porque não divulgaram ainda os resultados do 2T06.

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Opinião do Mercado

Fernando Ferreira - Sócio da Global Invest

O mercado de construção civil é concentrado nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Mesmo com a entrada de capital estrangeiro no País, comemorada, principalmente, em abril deste ano, o segmento é conservador e ainda cresce de forma reduzida. Diferentemente de países como China, Chile e Argentina, não vemos aqui grandes obras nos grandes municípios. Em Porto Alegre e Curitiba, por exemplo, percebemos bolsões de construções. Em São Paulo, houve um boom de escritórios de 1º linha. Hoje, eles estão ociosos.

Na China, o setor está muito quente, as metrópoles estão em processo de construção. No Chile podemos dizer, literalmente, que a cidade está em obras. Este país abriga os prédios e as construções mais altas da América Latina. Em ambos os casos, existe muito investimento público. Em Santiago, capital chilena, o governo construiu uma via expressa subterrânea, que acabou valorizando áreas ao redor.

Analisando os contextos desses cases, concluímos que falta, obviamente, investimento nesta área no Brasil. Isso se deve há uma taxa de juro elevada e a um crescimento pequeno do País. O investimento imobiliário requer tempo. Mas não existe remuneração adequada com os altos juros. A criação dos fundos de investimentos imobiliário é um exemplo disso. Além de existirem poucos, eram precificados, assim que foram constituídos, com valor superior ao que valiam.

Para os próximos três anos, podemos esperar uma melhora neste setor da economia. A queda da taxa de juro básica brasileira deve chegar aos 12%. Quando isso acontecer, é possível sensibilizar o investidor para que a atividade consiga funding. Esse desenvolvimento da Construção Civil brasileira não se faz com investimento público, que é positivo, mas de uma única maneira, segundo minha opinião: através de medidas de incentivos às empresas de construção civil, como redução de impostos. Não confio em investimento em obra público. Penso que está marcado por corrupção.

Recomendação: Algumas empresas vieram a mercado em momento favorável, por exemplo, como a partir de abril deste ano. Porém, isso refletiu demais nos preços nas ações, que estão valorizados demais. Eu recomendo esperar para compra-las.


Simone Escudêro - Gerente Setorial da Austin Asis Corretora de Valores

O setor de construção civil teve um crescimento considerado inexpressivo, em torno de 1% em 2005, ficando bem abaixo do que projetava no inicio do ano passado. Para o fraco desempenho do setor em 2005 contribuíram, entre outros fatores, a manutenção dos juros altos, o contingenciamento de recursos para investimentos do governo federal e a retração dos investimentos privados em função da crise política. Adicionalmente, o setor continuou sofrendo com seus principais problemas estruturais e conjunturais, como a elevada carga tributária e a informalidade. O emprego no setor cresceu 8,5% em 2005 sobre o ano anterior, e com isso, registrou avanço pelo segundo ano seguido.

Espera-se que o crescimento do setor em 2006 seja maior do que no ano passado. Em razão de se tratar de ano eleitoral, já é esperado que os investimentos por parte do governo na construção civil se intensificassem. De fato, o pacote de incentivo divulgado pelo governo do inicio do ano, que prevê a diminuição de impostos para materiais e ampliação da oferta de financiamento com recursos de R$ 18,7 bilhões, trouxe novas expectativas de crescimento para o setor.

Cabe ressaltar que, além dos investimentos públicos e privados que deverão ocorrer no setor este ano, a queda nas taxas de juros e o aumento da renda da população são fatores fundamentais para que o setor possa ter um bom desempenho em 2006. O crescimento da renda, as eleições e o aumento de recursos para o setor podem permitir um resultado melhor do que o de 2005.
 

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Equipe Técnica Acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br
25/08/06

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