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Setor Financeiro

Desempenho

25 de maio de 2009

Os resultados do primeiro trimestre das instituições financeiras demonstram unanimidade: a restrição de crédito elevou o nível de inadimplência do setor, o que pressionou os gastos com provisão, impactando a rentabilidade medida pelo ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido). Por outro lado, os dados mais recentes do Banco Central trazem sinais de retomada. Ela deve ser lenta, principalmente, diante de um crescimento praticamente nulo do PIB este ano e da expansão do crédito de até menos da metade em relação ao que foi o crescimento do que ano passado em relação a 2007. A continuidade da inadimplência deve dificultar a retomada de rentabilidade das instituições. Por isso, a atuação dos bancos deve estar focada em operações de crédito de menor risco, como o consignado, e de forte demanda, como para os investimentos imobiliários.

Estatísticas do Banco Central

As operações de crédito voltaram a registrar expansão em março. O estoque total do sistema atingiu R$1.241 bilhões em março, com elevações de 1% no mês e de 25% em doze meses, elevando a sua relação com o PIB a 42,5%, comparativamente a 41,8% em fevereiro último e a 35,5% em março de 2008.

Os bancos públicos seguiram apresentando desempenho mais favorável que os bancos privados. Sua participação relativa no total da carteira do sistema financeiro aumentou de 37,1% em fevereiro, para 37,6% em março, ante 34,2% em março de 2008. A representatividade das instituições privadas nacionais diminuiu para 41,9%, comparativamente a 44% no mesmo período do ano anterior, enquanto que a participação dos bancos estrangeiros recuou para 20,5%, ante 21,8% em março de 2008.

A inadimplência do crédito referencial, considerados os atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 5% em março, registrando elevações de 0,2 pontos percentuais (p.p). no mês e de 0,9 p.p. comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Nos empréstimos realizados com pessoas físicas, a inadimplência alcançou 8,3%, registrando redução de 0,1 p.p. em relação a fevereiro. Na carteira de pessoas jurídicas, esse percentual situou-se em 2,6%, com elevação mensal de 0,3 p.p.

Fonte: Relatório publicado pelo BC.

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Mercado de Ações

O setor tem recuperado e não foi muito afetado durante a divulgação dos resultados. O mercado já vinha antecipando alguns efeitos negativos da crise mundial, que agora são sentidos pelas instituições financeiras. O papel do Itaú está relativamente atrasado em relação aos principais bancos, devido ao boato de que o Bank of America anunciará a venda da sua participação da empresa.

 

Empresas/ R$ Milhões

PL 1TR08

PL 1TR09

LL 1TR08

LL 1TR09

ROE (%)

ABC Brasil

1.107,010

1.175,331

38,006

26,331

2,23

Bicbanco

1.1630,433

1.658,547

91,911

74,308

4,48

Banco do Brasil

25.406,842

30.859,853

2.347,466

1.665,477

5,39

Banrisul

2.821,666

3.319,160

120,938

106,535

3,39

Bradesco

32.909,117

35.306,357

2.102,485

1.723,012

4,88

Cruzeiro do Sul

950,372

649,809

203,390

(116,442)

(17,9)

Daycoval

1.562,725

1.634,067

70,482

48,034

2,93

Indusval

417,368

451,892

16,658

8,016

1,77

Itaú Unibanco

43.664,636

4.995,646

2.043,483

2.014,837

40,33

Nossa Caixa

3.180,682

2.860,849

114,851

(349,017)

(12,19)

Panamericano

1.248,010

1.187,610

130,042

95,575

73,49

Paraná

815,867

807,365

35,857

20,293

2,51

Pine

815,156

818,568

35,857

20,070

2,45

Santander

9.411,851

49.294,757

397,770

418,519

0,84

Sofisa

842,694

847,779

30,210

10,597

1,24

 

  Fonte: Bovespa
  ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) – Acionista.com.br

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Opinião do Mercado

Laura Lyra Schuch - Analista Ativa Corretora

O aumento da inadimplência que a crise desencadeou deixou marcas nos balanços dos bancos no primeiro trimestre deste ano. As instituições financeiras elevaram as provisões, o que também impactou a rentabilidade dos bancos. Isso resultou na redução do retorno sobre o patrimônio (ROE), mesmo com o aumento das margens e com o corte de despesas ao longo do período. Além disso, o fato dos bancos estarem capitalizados não quer dizer que não seriam afetados pelo cenário.

Para o segundo trimestre deste ano não se espera um desempenho muito melhor do que no primeiro. Apesar disso, todas as grandes instituições dizem que já vem ligeiramente melhor, principalmente porque as condições de crédito em abril e maio também demonstram recuperação, confirmados pelos dados divulgados recentemente pelo Banco Central. Esses dados podem inverter a situação decrescente do crédito no Brasil. Por consequência, isso também vai refletir nos balanços nos próximos trimestres.

A inadimplência vai continuar pesada, mas virá um pouco melhor no 2tr09. OS bancos devem retomar negócios e os spreads permanecerão altos, mesmo com a queda nos juros. E continuarão sendo afetados pelos gastos com provisões. Todos eles, durante suas conferências de divulgação de resultados, afirmaram que o pico da inadimplência será no terceiro trimestre de 2009. Esse teto estaria em 6.9%.

Recomendação: Itaúsa. É um papel com desconto histórico de 22% em relação à Holding. Comprar a ação é o mesmo que o papel do banco, mas beneficiado com o desconto.


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João Augusto Frota Sales - Economista Sênior Consultoria Lopes Filho & Associados

O ano está sendo desafiador para o setor devido a três fatores principais. Um deles é o crescimento da inadimplência. O outro é a redução das receitas provenientes da extinção da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) para pessoas físicas. E por último, o aumento da tributação da alíquota da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), que foi de 9% para 15% em substituição à CPMF.

A janela externa de crédito continua fechada. O funding permancerá escasso o que, portanto, ainda eleva os custos de capital das instituições financeiras. A oferta, principalmente nos bancos de médio e pequeno porte permanece apertada, mantendo o conservadorismo. Nos grandes, já se vê uma recuperação. Neste ano, o incremento para a oferta de crédito no País deve ser entre 13% e 15%. Para as pequenas e médias empresas, a expansão deve ser apenas entre 3% e 4%.

Recomendação: COMPRA para Bradesco e ItaúUnibanco, nesta ordem. O Bradesco está à frente de todas as instituições, e foi o que menos sofreu diante do cenário. E entre os pequenos e médios bancos, o Daycoval e o Paraná. O ItaúUnibanco tem ainda ganhos de sinergias, mas que só devem aparecer em 2010. O Daycoval atua junto a pequenas e médias empresas, portanto, com um ticket pequeno, ou seja, com um faturamento de até R$ 20 milhões. Isso significa um risco menor. O Paraná tem a participação de cerca de 30% no seu lucro líquido de uma seguradora e,portanto, pode ter um ganho futuro em recebíveis.


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*Errata: Financeiro
A analista Laura Lyra Schuch, da Ativa Corretora, observa o terceiro parágrafo relativo a sua análise, da maneira como foi escrito “Por consequência, isso também vai refletir nos balanços nos próximos trimestres. A inadimplência vai continuar pesada, mas virá um pouco melhor no 2tr09”, parece que ela disse que a inadimplência vai melhorar no segundo trimestre de 2009. No entanto, ela reitera que está trabalhando com um pico de inadimplência no terceiro trimestre, e que o segundo trimestre continuará afetado pelas despesas com provisão.


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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