Índice para outros Setores

Setor Energia

Desempenho

24 de Setembro de 2009


A redução do consumo de energia elétrica foi o principal efeito da crise no setor. Isso refletiu as condições econômicas brasileiras, já que o segmento responsável pela retração foi o industrial. O dado mais recente divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta para a queda de 10% nesse segmento no mês de julho em relação ao mesmo período de 2008. A perspectiva é que esse ritmo diminua ao longo do ano, mas que a retração no acumulado seja significativa na comparação com outros anos. No entanto, a queda no consumo total do setor foi de apenas 2,7% nos primeiros sete meses de 2009 na comparação com o ano passado.

Os dados pesquisados pela EPE também revelam uma das razões da manutenção do incremento nas receitas das elétricas, mesmo diante da crise. De acordo com o relatório divulgado no final do mês de agosto, o consumo nas residências entre julho de 2008 e 2009 aumentou 5,8%. Ao longo deste ano, taxa de expansão é considerada expressiva, de 5,6%, sugerindo uma dinâmica de crescimento vigorosa, na visão da EPE. O crescimento, que tem sido significativo em todas as regiões do país, reflete a expansão da base de consumidores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em doze meses, as elétricas incorporaram dois milhões de novos clientes, e o consumo por residência aumentou 2,3% só em 2009.

voltar ao topo

Mercado de Ações

 Em 2008, os papéis do setor tiveram uma boa performance no período mais crítico da crise, no final do ano. Conforme levantamento do analista do Banif Securities, Vicente Koki, enquanto algumas empresas do setor caíram entre 3% e 8%, e outras subiram até 20% em 2008, como foi o caso da Transmissão Paulista, o Ibovespa fechou com queda de 41%. Neste ano, os investidores migraram de opções mais defensivas, como os papéis do setor elétrico, para empresas que sofreram mais com a crise no ano passado, como as de commodities. Portanto, os papéis das empresas de energia elétrica não tiveram a mesma valorização que o Ibovespa.

De acordo com dados da Corretora Ativa, contabilizados até 21.09, o Ibovespa valorizou no acumulado do ano 62,3%, e o Índice de Energia Elétrica (IEE) subiu 46%. A analista da SLW Corretora, Rosangela Ribeiro, acredita que, no segundo semestre, os papéis do setor terão correção, pois são boas empresas e pagadoras de dividendos, com dividend yields na faixa de 8% e 10%. Retornos superiores a aplicações em renda fixa, conforme destaca a analista.

Empresas / R$ MM

Governança Corporativa

PL 2T08

PL 2T09

LL 2T08

LL 2T09

ROE 2T09 (%)

AES Tiete

-

635,115

700,235

134,078

199,198

28,44

Celesc

N2

1.674,344

1.714,518

76,125

84,336

4,91

Cemig

N1

9.515,329

10.210,838

599,277

523,794

5,12

Cesp*

N1

10.413,711

8.682,973

97,645

714,445

8,22

Copel

N1

7.849,196

8.615,151

357,507

289,993

3,66

CPFL Energia

NM

4.954,834

5.020,641

327

269

0,005

Eletrobras

N1

81.605,171

84.360,071

142,848

(2.090,788)

(2,47)

Eletropaulo *

N2

3.667,935

3.600,894

197,045

154,941

4,30

Energias do Brasil

NM

3.934,094

3.852,511

507

212,523

5,51

Equatorial

NM

1.148,679

1.158,902

82,294

71,234

6,14

Light S.A.

NM

3.172,442

289,725

388,604

121,437

41,9

MPX Energia

NM

1.992,132

2.002,092

29,281

(81,189)

(4,05)

Terna Part.

N2

1.494,041

1.625,089

74,102

84,034

5,17

Tractebel

NM

3.427,694

3,667,939

219,329

263,263

7,17

Transmissão Paulista

N1

*4.088,806

4.363,539

186,638

219,678

5,03

. *Resultados não-consolidados.
Fontes: BMF&Bovespa / ROE (Retorno sobre Patrimônio - PL/LL consolidado - www.acionista.com.br

voltar ao topo

Opinião do Mercado

Rosangela Ribeiro - Analista SLW Corretora

No primeiro semestre, as distribuidoras de energia elétrica foram, entre as companhias do setor, as mais afetadas com a redução de consumo, acompanhando a queda no ritmo do segmento industrial. Em algumas empresas, essa queda foi um pouco neutralizada pelo aumento do consumo das classes residencial e comercial. E outras empresas foram beneficiadas por reajustes tarifários. De maneira geral, o setor demonstrou elevação das receitas. O incremento das vendas nos segmentos residencial e comercial aconteceu pelo crescimento do poder aquisitivo e pela maior venda de eletrodomésticos, além de períodos de calor.

Sazonalmente, os últimos trimestres do ano sofrem impacto do aumento do calor. Por isso, devemos esperar esse efeito nos resultados do segundo semestre deste ano. Além disso, expansão da base de consumidores durante os primeiros trimestres de 2009, e os dados da Empresa de Pesquisa de Energética (EPE) demonstram, mês a mês, uma redução na queda do consumo de energia elétrica na indústria. Por conta da diminuição do consumo neste ano, também podemos esperar a realização de leilões incluídas nas obras do PAC, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e as nucleares.

Recomendação: Entre as companhias privadas, COMPRA para Tractebel, CPFL Energia e Transmissão Paulista. Entre as distribuidoras, a Light, pois a Eletropaulo recuperou mais. E as estatais, que mesmo com algum risco, têm drivers de curto prazo. A Eletrobras deve se beneficiar do Programa de Fortalecimento do Grupo e deve anunciar em breve o plano de pagamento de dividendos. E A Cesp, pela renovação das concessões.
 


.

Vicente Koki - Analista Banif Securities

A crise não afetou o setor, nem as ações das elétricas, nem os fundamentos. As empresas somente passaram a distribuir menos energia. Daqui para frente é importante olhar para o setor já em 2010, quando veremos uma recuperação da economia. A partir daí, também esperamos a continuidade dos bons pagamentos dos dividendos. Para o ano que vem, teremos a decisão sobre a renovação ou não de algumas concessões no setor, e outra referente à possibilidade de redução do preço da energia elétrica. Essas resoluções podem ser negativas para o setor, mas ainda não estão determinadas.

Recomendação: COMPRA para Eletropaulo, devido a um dividend yield de 13% para 2009. E para a Copel, pois ela está com múltiplos mais baixos, e vemos potencial de elevação.

Links relacionados
Sobrecompra setorial -InvestBolsa
Para especialistas, visão de curto prazo trava projetos de energia no Brasil-Portal Exame

voltar ao topo

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.


Advertência: As informações econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas de fontes de domínio público, consideradas confiáveis. Entretanto, estas informações estão sujeitas a imprecisões e erros pelos quais não nos responsabilizamos.
As opiniões de analistas, assim como os dados e informações de empresas aqui publicadas são de responsabilidade única de seus autores e suas fontes.
O objetivo deste portal é suprir o mercado e seus clientes de dados e informações bem como conteúdos sobre mercado financeiro, acionário e de empresas. As decisões sobre investimentos são pessoais, não podendo ser imputado ao acionista.com.br nenhuma responsabilização por prejuízos que eventualmente investidores ou internautas, venham a sofrer.
O acionista.com.br procura identificar e divulgar endereços na Internet voltados ao mercado de informação, visando manter informado seus usuários mais exigentes com uma seleção criteriosa de endereços eletrônicos. Essa divulgação é de forma única, e os domínios divulgados são direcionados a todos os internautas por serem de domínio público. Contudo, enfatizamos que não oferecemos nenhuma garantia a sua integralidade e exatidão, não gerando portanto qualquer feito legal.