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Setor Energia

Desempenho

23 de julho de 2008

A visão que o mercado tem do setor é positiva. Para o segundo semestre são esperadas boas notícias. A divulgação dos balanços referentes ao segundo trimestre deve ser uma delas. O pagamento de dividendos por empresas que não necessitam fazer investimentos tem sido lembrado pelos estrategistas de carteiras. Eles têm recomendado incluir ao menos uma opção de boa pagadora de dividendo ao portifólio de investimentos. Grandes geradoras têm garantido os investimentos em energia. Além deles, há perspectivas de que os leilões necessários para redução do risco da falta de energia elétrica aconteçam a partir deste ano. Apesar do cancelamento da licitação e privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo), um dos esperados, outros são esperados até 2011. São eles: Rio Teles Pires, Belo Monte, Snop, Marabá, São Manoel, Serra Quebrada, São Luiz. Neste ano já estão confirmados um leilão de Energia Nova e um de Energia de Reserva para o mês de agosto. Além desses, aconteceram leilões de venda de energias alternativas e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no primeiro semestre. E os mais esperados, os leilões dos rios da Bacia Amazônia, Santo Antonio e Jirau, já aconteceram, e garantem mais de 6mil MW de potência instalada ao sistema elétrico brasileiro.

 

Empresas / R$ mm

PL 1T07

PL 1T08

LL 1T07

LL 1T08

ROE 1T08 (%)

AES Tiete

635,898

637,857

160,469

172,820

25,63

Celesc N2

1.337,805

1.529,441

131,825

76,078

4,97

Cemig N1

7.929,085

8.880,457

406,632

490,280

5,52

Cesp N1

-

10.361,066

28,218

56,513

0,54

Copel N1

6.659,232

7.491,689

282,962

288,512

3,41

CPFL Energia NM

5.339,205

5.227,901

472,928

273,067

5,22

Eletrobras N1

78.397,077

81.118,721

233,161

841,525

1,03

Eletropaulo NM

2.360,8

3.470,9

165,7

150,5

4,33

Energias do Brasil NM

3.833,545

3.957,726

127,950

164,201

4,14

Equatorial NM

755,381

1.072,408

30,844

71,780

6,69

Light S.A. NM

1.602,983

2.772,328

94,399

104,034

3,75

MPX Energia NM

5,980

1.962,851

(655)

24,945

1,27

Terna N2

1.374,206

1.429,027

57,780

50,655

3,54

Tractebel NM

3.006,674

3.208,365

242,102

391,512

12,20

Transmissão Paulista N1

-

4.172,330

277,465

223,049

5,34

Fonte: Bovespa
ROE – Retorno sobre Patrimônio, calculado pelo Acionista.com.br

 
 
 

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Mercado de Ações

Os papéis do setor responderam bem em termos de rentabilidade à volatilidade do mercado. A exceção foi a Light, a Celesc e a Cesp. Na primeira quinzena de julho, por exemplo, o Índice do setor elétrico (IEE) voltou a ficar positivo. No ano a variação anual do IEE está em 10,75% frente a 1,77% do Ibovespa. Analistas consideram que as elétricas ainda estão com cotações atrasadas na bolsa. Por isso, elas ainda têm um considerável potencial de rentabilidade neste ano.

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Opinião do Mercado

Antonio Carlos Góes - Chefe de Análise da Senso Corretora

Já dá para começar a pensar na revisão do cenário que até então se tinha do setor elétrico, mas que continua representando o risco do setor. Em 2007 ocorreu um aumento brutal do preço da energia, entre outros fatores, por conta das baixas nos reservatórios. A partir deste ano, o cenário está mais tranqüilo. Os deságios nos leilões, principalmente, no de Jirau, levaram os preços a níveis mais baixos.  Não há uma explosão na demanda por energia. No entanto, a remuneração das empresas não está tão boa, pois o preço da energia caiu e a revisão tarifária mais recente foi negativa. Isso afetou os resultados do 1tr08 de algumas delas. As companhias devem recuperar esses resultados nos próximos trimestres, porque seus contratos foram reajustados recentemente levando em conta a variação do IGPM e do INPC. Essa recuperação só não acontecerá se o volume de energia consumida não aumentar, o que traduz no aumento do faturamento. No entanto, o consumo tende a aumenta, e essa perda com algumas revisões tarifárias deve ser absorvida pelas companhias.

Por outro lado, o risco para o setor permanece: o de que o crescimento do país, que consequentemente, eleva o consumo de energia, exija mais energia. No início deste ano, trabalhávamos com um PIB crescendo entre 4,7% e 5% nos próximos três anos. Se isso acontecesse, o setor, que cresce 1,5% do aumento do PIB, se expandiria 7% ao ano. E para isso, seria preciso gerar 3,5 mil GW ao ano de energia para dar conta da demanda. Isso significaria uma nova usina de Jirau por ano, ou seja, um investimento de R$ 7 bilhões no período, o que ainda não é possível. No entanto, o país está com os reservatórios hidrelétricos a um bom nível. Além disso, há ainda a possibilidade de ligar as termelétricas, e ainda utilizar fontes alternativas, como a eólica, a cana-de-açúcar. Mas ainda não devemos esquecer que as geradoras dependem das chuvas para produzir, e que não controlamos a variável pluviométrica.

Recomendação: As empresas AES Tiete e AES Eletropaulo estão incluídas na carteira de dividendos da corretora. Elas têm múltiplos consideráveis para o foco da carteira. Ambas têm payout (percentual de dividendos pagos do lucro líquido) de quase 100%, yields (percentual de dividendos pagos em relação ao preço da ação) são, respectivamente, de 10,62% e 8,90%, e estão com o endividamento baixo. Nosso preço-alvo para a AES Tietê é de R$ 24,11 e para a AES Eletropaulo é de R$ 42,50.

Outras recomendações são Cemig e CPFL, sempre estou com algumas delas em carteira. A Cemig por ser integrada e porque considero como o benchmark do setor. Temos o preço-alvo de R$ 50,00. O da CPFL é de R$ 46,25. Apesar da atuar nas regiões do país com os maiores PIB, o Sul e o Sudeste, a CPFL têm algumas fraquezas: não tem transmissoras próprias, apesar de ser integrada, cerca de 68% da energia que distribui é comprada de terceiros e por isso é dependente das tarifas determinadas pelo setor para compras futuras.


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Rosângela Ribeiro - Analista SLW

O movimento que aconteceu no setor com os leilões que vem acontecendo desde o ano passado reduziu o risco do setor. Eles são empreendimentos importantes para fazer frente ao aumento do consumo. No mês de agosto deve ter outros leilões (de Energia de Reserva e de Energia Nova), agora de energia nova. E os outros esperados até o final do ano também devem acontecer. Os consórcios participantes dos leilões mais recentes consideraram as tarifas fixadas rentáveis. Esses preços vieram altos, principalmente, em função da passagem de superávit para déficit de energia no país. Talvez para os próximos leilões, os preços não venham tão grandes como vieram.

Há muitas coisas acontecendo no setor que também tendem a reduzir o risco da falta de energia. Isso talvez contenha a alta nas tarifas. Uma das iniciativas é o Pacto feito pelo ministro do meio-ambiente Celso Minc, com o objetivo de reduzir o prazo para aprovação de projetos da área. Outra questão positiva é a reestruturação por qual passa algumas empresas estão passando. A Eletropaulo já está reestruturada. A Light ainda já começou um processo, mas ainda não mostrou resultado. Para as geradoras é importante acompanhar a correção tarifária anual (as empresas que já sofreram o reajuste são a Cemig, de -12,24%, a CPFL, de -17,21%). Por isso e por outras questões macroeconômicas o setor está sendo beneficiando, inclusive na bolsa de valores. Os papéis, que estavam atrasados, já recuperaram.

Recomendação: Em revisão. Na carteira sugerida da corretora para o mês de julho três empresas do setor estão no portifólio principal. Os preços alvos são para dezembro deste ano e os potenciais de rentabilidade foram calculados com base na cotação de encerramento do mês de junho. São Cemig PN, com R$ 48,00 e 23%; CPFL Energia ON com preço-alvo de 48,00 e up side de 18%; e Eletrobrás ON, com R$ 47,52 e 61%. Na carteira de dividendos, de quatro papéis, três são do setor. São AES Tietê PN, com preço de R$ 21,23 e 26% de up side, Eletrpaulo  PNB, com R$ 45,00 e 20%, e a Tractebel ON, com R$ 30,00 e 26%.


Acompanhe outras matérias referentes ao setor publicadas em 2008:

Tractebel Energia – Empresa em Foco publicada em abril.
CPFL Energia – O que esperar em 2008 – Especial publicada em abril.
Cemig – Empresa em Foco publicada em janeiro.

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
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