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Setor Educação

Desempenho

23 de abril de 2008

O setor formado por companhias que administram ou participam de instituições de ensino no Brasil tem cerca de um ano na bolsa de valores de São Paulo. Essas empresas tiveram um início satisfatório, através dos ganhos com as ofertas de ações primárias (IPOs), e terminaram o ano com um desempenho também positivo. De acordo com analistas, de maneira geral, as quatro companhias com ações listadas na Bovespa entregaram resultados crescentes e de acordo com o esperado pelo mercado. A Estácio apresentou números ligeiramente abaixo das expectativas, devido a despesas com pessoal, com indenizações de processos de demissão, aumento de impostos sobre a folha de pagamentos e pagamento de R$ 4,5 milhões para consultorias, informou relatório da Prosper Corretora. No entanto, a empresa foi a que maior rentabilidade apresentou. O Retorno sobre Patrimônio (ROE) das quatro companhias na Bovespa foram positivos, como demonstrado nos percentuais abaixo.

No entanto, estudo publicado no jornal Valor Econômico (edição de 14 de abril de 2008, página B1), em parceria com a Economática, informa uma rentabilidade de -0,8% para o setor de educação em 2007 do Brasil, causada principalmente pelo aumento de patrimônio mediante oferta de ações. Além disso, apesar de resultados em expansão dos grupos que representam o segmento no mercado financeiro, o setor no Brasil é caracterizado ainda pela pulverização, conforme dados da consultoria Hoper Educacional publicados no balanço da Kroton. Por isso, essas companhias estão apostando grande parte dos recursos conquistados na bolsa em aquisições, processo que está na fase inicial, ou seja, as empresas ainda não reverteram os investimentos em lucro.

De acordo com estudo da Hoper, a maior parte das instituições de ensino superior que prestam serviços no país tem menos de 1000 alunos, e perspectivas restritas de expansão. A falta de recursos (financeiros, de gestão acadêmica, técnicos e humanos) tornam essas empresas potencialmente dispostas a fusões, aquisições e parcerias. É exatamente isso que tem caracterizado os negócios do setor. O grande potencial de penetração, principalmente no ensino superior, e a informação da consultoria Hoper de que 935 instituições de ensino superior com menos de 500 alunos são (e continuarão) responsáveis pela criação de 600 mil novas vagas ao ano até 2010, sustenta a expectativa de analistas do setor quanto à continuidade das aquisições no setor educacional, liderada principalmente pelas empresas capitalizadas na Bovespa.

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Mercado de Ações

O desempenho operacional das companhias é bom. Esse mercado no Brasil tem perspectivas de crescimento. No entanto, devido às IPOs dessas companhias terem tido a participação de estrangeiros, elas ficaram com as cotações defasadas após o início dos problemas com crédito nos Estados Unidos, e a saída desses investidores da Bovespa. Por isso, os papéis do setor já vieram de 2007 com perdas. Portanto, neste momento é importante que o investidor posicionado nestas companhias em bolsa ou com intenção de fazê-lo preste atenção ao comportamento dos estrangeiros, porque eles influenciam grande parte do movimento dessas ações. Enquanto eles não voltarem a ter as posições que tinham antes do segundo semestre de 2007 (quando começaram as dificuldades com os subprimes norte-americanos), principalmente em papéis considerados small caps (grupo em que se incluem as empresas de educação), este setor pode ficar à margem dos negócios na Bovespa. Para essas companhias, o mais provável é que as cotações se mantenham nos patamares atuais, ou seja, sem valorização. A expectativa é que elas recuperem os investimentos e o valor em que estavam suas ações antes da crise nos mercados financeiros. No entanto, as cotações não devem voltar aos patamares que chegaram logo após às IPOs, porque estavam a múltiplos considerados muito alto pelos analistas.

 

Empresas  (Unit/N2)

PL 06

PL 07

LL 06

LL 07

ROE 07² (%)

Anhanguera (12/03/07)¹

123,850

484,415

14,06

63,5

13,10

Estácio (30/07/07)

93,9

405,376

59,6

80,9

19,95

Kroton (23/07/07)

32,132

429,245

8,009

31,546

7,349

SEB (18/10/07)

9,584

284,647

22,6

27,5

9,66

 

Fonte: Relatórios de Resultados de 2007 das empresas. Resultados ajustados em R$ milhões.
Empresas ainda não divulgaram resultados referentes ao 1TR08.
¹ Datas da abertura de capital
² Retorno sobre Patrimônio no ano de 2007, calculado pelo Acionista.com.br, através da divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido ajustados e consolidados de 2007.

 
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Opinião do Mercado

SLW - Equipe de Análise

O que o mercado deve olhar e o que está acontecendo são os movimentos relativos às aquisições entre as empresas do setor. É importante observar o valor que as companhias estão pagando pelas unidades compradas, o potencial das regiões em que essas compras são feitas e a estratégia das empresas ao fazer determinadas aquisições. De maneira geral, em todas as localidades do país ainda tem espaço para o setor crescer. O que varia é o valor médio pago por mensalidade. O que se observa é que as companhias estão focando em alunos das classes B e C. Isso significa mensalidades entre R$ 400,00 e R$ 500,00.

Esse processo de consolidação deve continuar até meados de 2009. Ele é uma tendência, apesar de ser fragmentado. É liderado por poucos grupos. O crescimento orgânico, mediante expansão de campus de ensino não é descartada pelas empresas, apesar de que esse movimento não vem sendo sinalizado por elas. O que elas têm feito, além da incorporação de unidades de ensino superior, é a compra da autorização para oferecer cursos ainda não ofertados em certo campus. Portanto, muitas vezes, as unidades adquiridas ainda não estão prontas para a prestação dos serviços educacionais.


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Marcelo Pereira - Gestor TAG Investimentos

Desde que abriram capital, essas empresas têm investido muito. As aquisições, o aumento da base de alunos, o crescimento orgânico e o número de organizações que os grupos estão incorporando reduzem seus caixas, o que também acaba tirando a rentabilidade dessas companhias. Por isso, em um primeiro momento, o mercado não gostou desses papéis na Bovespa, apesar dessa queda de rentabilidade ser conseqüência de um planejamento, com o objetivo de elevar a base de alunos das unidades de ensino, através das aquisições. No entanto, são empresas bem geridas.

Por tudo isso, investir no setor se caracteriza por um investimento de longo prazo. É preciso esperar pela maturação desses investimentos. Acredito que, logo após passar a turbulência dos mercados financeiros, principalmente nos Estados Unidos, o cenário deve ficar mais claro, inclusive para os papéis do setor de educação. A liquidez para essas ações deve voltar, porque as empresas são bem geridas e têm capacidade de gerar resultados e caixa para continuar fazendo aquisições, e crescendo.


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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