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Setor
Energia |
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21 de dezembro de 2007
O mercado
financeiro encerra 2007 com uma visão positiva do desempenho das
companhias de energia elétrica. O leilão da Usina de Santo Antonio é
um indicativo de eventos que serão importantes em 2008. Outros
leilões estão confirmados, como o da Usina de Jirau, de Rio Teles
Pires e de Belo Monte. O processo de licitação da Usina de Santo
Antonio foi um primeiro passo para a definição dos próximos leilões, e
dá indicativos de como será o setor em 2008. O Complexo Rio Madeira ¹
prevê ainda, além dessas licitações confirmadas, uma hidrovia ligando
Brasil, Peru e Bolívia, fazendo parte dos projetos de Iniciativa de
Integração de Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), um plano
firmado em 2000 por presidentes de doze países da América do Sul. O
projeto deverá receber recursos do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social
(BNDES).
A Brascan Corretora faz algumas
considerações sobre o leilão da Usina de Santo Antonio. O analista
Diego Núñez, que assina o relatório, afirma que, mesmo considerando
negativo o resultado do leilão, o consórcio vencedor formado por
Furnas (controlada pela Eletrobrás) - Odebrecht, com participação da
companhia integrada Cemig, deve ter vantagens com sinergias através da
conquista que deve ter nos próximos projetos em licitação. Segundo o
analista, essa vantagem pode ser uma justificativa para o preço da
tarifa que será cobrada pela energia concedida às distribuidoras ter
sido muito abaixo do teto considerado como uma Taxa Interna de Retorno
(TIR) razoável ao investimento.
A Corretora recomenda atenção aos
eventuais esclarecimentos do vencedor sobre o preço final e aos
próximos leilões das usinas localizadas nesta mesma área do Rio
Madeira. Só dessa forma será possível avaliar se o patamar do preço
considerado no leilão de Santo Antonio é um indicativo para a cotação
futura da energia, ou se foi apenas um estágio estratégico. O preço
deste leilão não é considerado referência de longo prazo para as
cotações da energia. Alguns desses prováveis esclarecimentos estão
relacionados ao financiamento subsidiado pelo Bndes via PAC e ao mix
de vendas de 70% para cativos e 30% para livres, que poderá será
necessariamente aplicado a todos os demais projetos de geração.
A opinião da Ativa Corretora é
diferente dos analistas da Brascan. De acordo com a analista Mônica
Araújo, o resultado do leilão é ruim para Eletrobrás e CEMIG, mas
especialmente negativo para o setor elétrico e para a economia. Na
visão da analista, o evento prova que o modelo do setor elétrico ainda
não se traduz em estímulo a um setor dinâmico, e de competição
saudável. A conclusão é que o setor de energia elétrica, em tese,
regulado de forma a manter um ambiente de mercado competitivo, dá mais
uma sinalização de que sua maturidade está ainda em um futuro
distante.
De acordo com a Ativa, algumas das
conseqüências do leilão será a indicação de que o governo está
disposto a direcionar o preço da energia no futuro, ainda que isso
custe a sustentabilidade do setor (em horizontes mais distantes) e a
competitividade dos futuros projetos. A Corretora considera natural
que para o projeto de Jirau, os possíveis interessados na disputa
levem em consideração os patamares de preço praticados no leilão da
Usina de Santo Antonio. Por isso, não acredita que haverá número
considerável de agentes privados nos próximos leilões de grandes
projetos caso o modelo aplicado nesta disputa seja repetido.
¹ O Rio Madeira é um dos afluentes do
Rio Amazonas, e banha os estados de Rondônia e Amazonas. |
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R$ Milhões Patrimônio
Líquido |
3T06 |
3T07 |
Variação % |
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AES Tietê |
618,89
|
642,17
|
3,8
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Celesc* (N2) |
- |
1.441,93 |
- |
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Cemig (NM) |
8.129,06 |
8.991,21 |
10,61
|
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Coelce |
970,42
|
995,18
|
2,6
|
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Copel |
6.310,55 |
7.035,64 |
11,49
|
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CPFL Energia (NM) |
5.242,83 |
5.294,72 |
1,0
|
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Eletrobras (N1) |
77.630,60 |
78.716,84 |
1,4
|
|
Energias do Brasil (NM) |
3.720,74 |
4.077,05 |
9,6
|
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Energisa |
845,89
|
612,61
|
(27,6) |
|
Equatorial (N2) |
793,90
|
827,95
|
4,3
|
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Tractebel (NM) |
3.067,94 |
4.077,05 |
32,9
|
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*resulado não divulgado. |
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Fonte: Bovespa e Empresas |
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Para Diego Núñez, em virtude do preço
final muito baixo, as empresas que possuem foco com crescimento em
geração, principalmente, Tractebel, Cemig, Cesp e Eletrobrás, deverão
apresentar queda de suas ações no curto prazo. O analista da Fator
Corretora, Renato Pinto, acredita que o mercado deverá reverter a
percepção negativa que teve do setor após leilão de Santo Antonio na
medida em que houver explicações sobre a rentabilidade do projeto.
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Diego Núñez - Analista
Brascan Corretora
As
empresas apresentaram resultados do 3T07 em linha com
nossas expectativas. Os efeitos não-recorrentes que
afetaram o lucro líquido são pontuais e não devem
ocorrer nos exercícios futuros. Acredito que as
companhias do setor continuarão evoluindo seus
resultados nos próximos trimestres. Os
drivers
são a continua expansão do consumo de energia
elétrica. Verifica-se que a expectativa de aumento do
PIB é ascendente, e que o crescimento do país será a
uma média superior a dos anos anteriores. O consumo de
energia está totalmente ligado à expansão da economia.
O
segmento de distribuição será um dos destaques em
2008. Como a regra de regulação é por incentivos, e as
distribuidoras têm aumentado sua eficiência, através
desse modelo, se a distribuidora oferece a energia com
maior qualidade e apresenta um controle de custos
gerenciais melhor, a rentabilidade da companhia pode
ser superior ao padrão definido pelo governo. E outro
fator importante para o seguimento é a expectativa de
contínua consolidação entre as empresas. Cemig e CPFL
são exemplos de participantes que farão parte do grupo
das quatro a oito empresas que consolidarão esse
segmento, formado por 64 concessionárias. Equatorial e
Energisa são outros fortes players desse
processo.
No
mercado de geração, a rentabilidade das companhias
também deve se apresentar superior já no final deste
ano. Há a expectativa de ascensão dos preços de
energia a partir do ano de 2010. Neste período a
demanda deve chegar próxima da oferta do setor,
caracterizando um risco maior de apagão, e os
contratos estarão terminando. E neste momento, as
companhias que tiverem recontratando, ou seja,
renovando ou fazendo novos contratos, terão maior
rentabilidade, com o aumento dos preços.
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Renato Pinto - Fator Corretora
Book 2008
O
setor elétrico encontra-se em um estágio de
maturidade. A maioria das empresas está ajustada em
termos de rentabilidade, salvo raras exceções. Algumas
delas possuem ativos e negócios consolidados e,
portanto, com características tipicamente defensivas,
como por exemplo, Eletropaulo e AES Tietê. Dessa
forma, não esperamos expansão adicional de múltiplos
no setor, pois as histórias de reestruturação
financeira, alto crescimento e redução do custo da
dívida estão praticamente precificadas nas ações do
setor. O crescimento mais forte poderá ocorrer por
meio de ganhos potenciais no futuro com a perspectiva
de recontratação de energia a preços maiores, como no
caso das empresas de geração, para Eletrobrás, Cemig,
Copel.
Empresas de transmissão:
apesar da expectativa de forte distribuição de
dividendos nos próximos anos, esse
dividend yield
não é sustentável na perpetuidade, uma vez que existe
a perspectiva de revisão tarifária para os ativos de
transmissão e a rentabilidade de novos projetos pode
ser decrescente.
Empresas de distribuição:
o
ciclo de revisão tarifária -- instrumento importante
para acelerar a consolidação, pois precifica os ativos
de distribuição – que começou em 2007, continuará em
2008 com Cemig, CPFL, Enersul (abril), Copel (junho),
Celesc (julho) e Light (novembro). O baixo
endividamento das empresas também é um catalisador
desse processo, que deve se iniciar com a venda da
participação do BNDES na Brasiliana.
Empresas de geração:
o
equilíbrio entre a oferta e a demanda de energia
coloca o setor em destaque, tanto em termos de aumento
da rentabilidade das empresas de geração, quanto na
perspectiva de novos projetos com taxas de retorno
atraentes. O leilão do Rio Madeira deve ser o
catalisador que ajudará a desengavetar novos projetos.
A venda de alguns ativos de geração também poderá
influir na precificação de muitas empresas, pois o
mercado avaliará o valor da energia vendida nos
leilões a partir de 2005 que começará a ser
descontratada em 2012. Entretanto, nem todas as
empresas de geração serão ganhadoras em 2008. Muitos
contratos no mercado livre começam a expirar a partir
do próximo ano. Esses contratos foram firmados numa
conjuntura de excesso de oferta e preço baixo, e para
algumas geradoras foram bastante prejudiciais, porém
foram favoráveis, tanto para as comercializadoras de
energia quanto para as empresas industriais
eletrointensivas que migraram para o mercado livre.
Portanto, empresas como Eletrobrás, Cemig, Copel
deverão ser beneficiadas com o início do vencimento
desses contratos, ao passo que empresas que
comercializam energia, como a CPFL, poderão ter sua
rentabilidade reduzida com o vencimento deles.
Recomendação:
Recomendamos exposição neutra ao setor
comparativamente ao seu peso no Ibovespa. Preferimos
papéis que ainda tenham potencial de apropriar ganhos
com o aumento do preço de energia no longo prazo.
Eletrobrás, ou aqueles cujos preços estejam
subavaliados, como Energias do Brasil. Ademais,
acreditamos que a AES Tietê seja uma opção
interessante de garantia de altos dividendos e
potencial de crescimento após a definição de seu novo
controlador. |
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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher
Binkowski
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Atendendo a
instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e
publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente
suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente
e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja
vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa
natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários
foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os
fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários
por ela administrados não possui participação acionária direta ou
indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de
quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de
análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição,
alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente,
de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua
análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu
patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e
intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à
qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados
ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos
valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou
pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de
direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia;
e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de
compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de
quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas
no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações
financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se
for o caso.
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