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Setor Petroquímico

Desempenho

20 de agosto de 2008

O processo de consolidação dos ativos da primeira e segunda gerações da indústria petroquímica, o mais recente movimento do setor, ligou as produtoras de resinas à fornecedora Petrobrás. Isso representa um benefício para a segunda-geração, segmento consolidado e dominado por dois grandes grupos – Braskem e Unipar (controladora da Quattor), que totalizam onze empresas do segmento. Isso aumenta a facilidade de negociação no setor, à medida que o fornecedor de matérias-primas faz parte desses grupos. A Petrobras tem a 40% da Quattor, e 30% do capital votante da Braskem, o que deve flexibilizar as negociações de preços e prazos. Essa é uma das conclusões de um estudo da All Consulting, e das expectativas do mercado.

De acordo com o analista da consultoria, Tiago Figueiredo, outra marca do setor neste ano são os efeitos da valorização do real frente ao dólar. O enfraquecimento do câmbio favoreceu as importações de resinas termoplásticas.A terceira-geração, que é ainda o segmento pulverizado da indústria petroquímica, nos seis primeiros meses do ano elevou as compras externas em 60,7% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Mas não só o câmbio, como também o aquecimento da demanda interna por resinas termoplásticas ajudou a elevar o consumo em 13,5%. O primeiro semestre ainda foi marcado por paradas programadas de grande parte da indústria, o que prejudicou a produção brasileira no período

De janeiro a junho deste ano, a produção total da indústria caiu 6,6% em relação ao mesmo período de 2007, e totalizou 2,2 milhões de toneladas. O consumo aparente de resinas (produção mais importações menos exportações) cresceu 13,5%, e totalizou 2,4 milhões de toneladas. No período, as indústrias demandantes de resinas importaram 521,7 mil toneladas. As projeções da All Consulting e os dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) indicam que a produção da indústria já foi retomada, e cresceu de junho para julho 15,9%, e 7,4% em relação a julho de 2007. Por isso, as importações devem enfraquecer um pouco, o que é bom, em termos de concorrência, para as empresas do setor.

No entanto, a All Consulting projeta crescimento de 12% para a demanda de resinas frente 3% a 4% de elevação na produção das petroquímicas. Os principais setores demandantes têm crescido muito, como a construção civil, a produção de automóveis cresceu 22,8%, e o setor de eletroeletrônicos, que elevou seu faturamento em 11% no semestre. Isso representa, em médio prazo, um desafio para a indústria petroquímica. A construção civil ainda passa por um boom, e para crescer, ela utiliza muito a resina termoplástica PVC, em que ainda o país tem uma fraca produção.

Os grandes grupos, como Braskem e Unipar, estão com projetos de elevação de capacidade e também, principalmente no caso da Braskem, está ampliando sua procura por matérias-primas mais baratas e de melhor qualidade no exterior. De acordo com o analista da All Consulting, dados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) demonstram que o setor petroquímico é o que mais fará investimentos até 2011. Até lá, estão previstos R$ 27,4 bilhões, montante seis vezes superior ao investido entre 2003 e 2006. Conforme enfatiza Figueiredo, esses investimentos são fundamentais para assegurar a oferta de resinas termoplásticas no mercado interno para que as companhias brasileiras possam elevar a competitividade da indústria no mercado internacional.

     
 

Empresas / R$ MM

 

PL 2T07

PL 2T08

LL 2T07

LL 2T08

ROE 2T08 (%)

Braskem  

N1

5.844,28

6.889,00

281,00

383,00

5,50

Petrobras

-

107.278,909

129.707,917

10.931,071

15.708,388

12,11

Quattor

N2

1.093,306

1.097,802

126,736

54,292

4,94

Unipar

N1

1.211,688

1.269,411

82,275

38,085

3,00

 
      Fonte: Bovespa / ROE (Retorno sobre Patrimônio) calculado pelo Acionista.com.br.  
 

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Mercado de Ações

A queda dos papéis do setor acompanhou as altas do Petróleo e principalmente do nafta. Em um ano, a tonelada passou de US$ 665 para US$ 990¹. No primeiro semestre, o papel Unipar foi o que mais perdeu, 9%, no entanto, está com valorização de 19% em 12 meses. A Braskem caiu 7,5% no ano, e 21% em 12 meses. No entanto, no primeiro semestre, o Ibovespa teve queda maior que o setor, fechou com baixa de 8,4%.

O mercado deixou de penalizar a Ultrapar, à medida que ela foi reduzindo os ativos petroquímicos, e elevando a participação em distribuição de combustível. Atualmente, a companhia não pode ser relacionada ao setor de produção de produtos petroquímicos, porque tem a maior parte da receita atrelada à distribuição de GLP e combustível, principalmente, agora, após a compra da Texaco. Semelhante é  a situação da empresa OGX que é uma  empresa classificada como de exploração e/ou refino de petróleo, gás e biocombustíveis e que por ter aberto capital recentemente (13/06/08) só tem dados do 2T08.

Para o segundo semestre, os analistas acham que pode haver uma melhora nos papéis, em função da expectativa de queda do petróleo, que já foi de 20% frente ao pico do ano, da ordem de US$ 140. No entanto, a tendência não é que o dólar ganhe força em relação ao real, o que permanece como um fator negativo para a indústria, cuja concorrência com os importados permanece.  

¹ Dado do analista do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues de Matos.

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Opinião do Mercado

Nelson Rodrigues de Matos - Analista Banco do Brasil

O setor passou por um momento de consolidação nos últimos anos. A Braskem está à frente como empresa consolidadora. A Unipar está um passo atrás. A Unipar recentemente criou a Quattor como resultado da integração do pólo petroquímico da região sudeste. Com isso, não há mais ativos para consolidar na segunda-geração. Por outro lado, a terceira-geração, compradora das resinas termoplásticas produzidas pelas maiores empresas da segunda, Braskem e Unipar, ainda tem um mercado muito pulverizado. Pode se dizer que esse segmento da indústria petroquímica está começando um momento de consolidação, mas ainda não está.

A próxima etapa do setor petroquímico brasileiro é a ampliação das operações para o exterior. A América Latina tem sido o primeiro passo. A Braskem já está Venezuela. A Bolívia mudou o marco regulatório quanto à presença de empresas estrangeiras, e interrompeu um movimento que estava começando para lá. No Peru, a Braskem está estudando uma participação. As altas dos preços das matérias-primas são uma das justificativas para o acirramento da concorrência internacional. No Oriente Médio é uma região onde se vê expansão de produção e novas plantas, assim como o preço da matéria-prima na Venezuela também é competitivo.  

Recomendação: Em revisão.


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Banif Invest - Equipe de Análise

O setor petroquímico brasileiro tem uma particularidade que vence a importação de produtos. O foco dos produtores nacionais está em resinas consideradas commodities. Com isso, o setor acaba criando uma barreira natural à importação de matérias-primas para a produção de resinas termoplásticas. No entanto, a compra no exterior dessas matérias foi aumentando nos últimos anos puxada pelo crescimento da demanda interna, devido ao aumento da renda nacional (que estimulou o consumo de produtos dependentes de plásticos).

É justamente essa defesa natural e o crescimento do mercado interno de resinas os principais impulsionadores do mercado petroquímico. A preocupação em elevar a produção é muito importante entre as empresas da indústria da segunda-geração. No caso da Braskem, por exemplo, além de aumentar sua capacidade instalada, a fim de prover a demanda interna, está também preocupada em se expandir internacionalmente. E uma das justificativas para essa estratégia é a procura por matérias-primas e o acesso a novos mercados. Por isso, tanto o projeto que já iniciado na Venezuela, embora em ritmo menor, e os estudos encomendados no Peru, visam matérias-primas de qualidade, assim como a exportação das produções. Nesses dois casos, respectivamente, aos Estados Unidos e à Ásia.

Recomendação: COMPRA para Petrobrás, com preço-justo de R$ 45,00 para o final de 2008. e COMPRA para Braskem, com preço-justo de R$ 18,70 para o mesmo período. E NEUTRO para Unipar, porque o up side é muito pequeno, ou seja, o preço do papel está muito próximo do estimado como justo.  


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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