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 Setor Petroquímico

Desempenho

Há um ano, a expectativa era de um setor petroquímico melhor em 2006. O alinhamento dos preços das empresas brasileiras com o mercado externo, o barril de petróleo cotado abaixo de US$ 60,00 - fechou o ano em cerca de US$ 58 em Londres - e as margens comprimidas no cenário internacional indicavam um desempenho superior do que nos anos anteriores. Mas, o que aconteceu foi o oposto. Após um primeiro semestre negativo para as companhias, de acordo com analistas, 2006 é um ano perdido para o setor petroquímico.

As conseqüências do aumento na cotação do petróleo, da valorização do real frente ao dólar norte-americano e da oferta maior em comparação à demanda dos produtos petroquímicos pressionaram as margens das companhias. Os números do patrimônio líquido das empresas - que apresentaram redução ou insignificante crescimento – são decorrência dessa conjuntura.

Mesmo diante da baixa expectativa de recuperação, o setor mostra sinais de evolução. Além do terceiro trimestre do ano ser o melhor período para o setor, o preço do petróleo está no menor patamar em cinco meses. Nos últimos 30 dias, a cotação reduziu cerca de US$ 10,00. No final da primeira quinzena de setembro, os contratos com vencimento em outubro do barril do tipo Brent fecharam em
US$ 64,55 na bolsa de valores de Londres, e em US$ 64, na Nymec (bolsa mercantil de Nova York). No dia 15 de setembro, a Opec (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) apontava cotação de US$ 58,44.

Entre as razões, estão a estabilidade do patamar do câmbio no Brasil e as resoluções da última reunião da Opep. Na 142ª Conferência Ministerial da Instituição, os Países Produtores de Petróleo (responsáveis por 40% a produção mundial) decidiram continuar com o nível de produção de 28 milhões de barril por dia. Além da manutenção dos índices de produção, os estoques das petroquímicas dos Estados Unidos estão menores e o preços das resinas nos mercados internacionais e nacionais foram elevados.

O relatório da Abiquim (Associação Brasileira de Indústrias Químicas) aponta crescimento de 11,35% no consumo interno de resinas termoplásticas em relação ao mesmo período do ano passado. A produção consumida internamente foi de 2,8 milhões de toneladas até agosto. Devido ao incremento nas vendas internas de 15,72% - chegando a 2,2 milhões de ton- e ao percentual superior exportado de 6,2% - alcançando 682 mil ton – a produção nacional superou o volume de 3 milhões de ton.

A divulgação dos últimos dados referentes à evolução da economia dos EUA é outro aspecto, de certa forma, positivo para o setor. Analistas esperam que o FED -Federal Reserve Bank - banco central americano - deva manter a política de não elevação das taxas de juros, contrário ao que ocorreu no primeiro semestre do ano. Segundo o economista da Geral Asset, Denílson Alencastro, o Fed deve continuar com a manutenção do nível atual da taxa básica dos juros, que está em 5,2% ao ano. Em 2004, o percentual era de 1%. A percepção de Alencastro é que a Instituição terá cuidado para não elevar esse patamar, com o objetivo de priorizar o crescimento da nação.
 

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Mercado de Ações

A inversão dos valores do dólar e do petróleo já influiu na ação das petroquímicas. A queda nas margens, pressão nos lucros e estoques altos característicos no primeiro semestre induziram as baixas dos papéis da Bovespa. Mas, mesmo com a queda do preço das commodities nas semanas do mês de setembro, os papéis das petroquímicas estão operando com cotações 20% superiores ao Ibovespa. Nos primeiros trimestres de 2006, as ações do setor caíram 30% em relação ao índice das ações mais negociadas na bolsa de valores de São Paulo.

 

 

Patrimônio Líquido em R$ milhões

 

1S05

1S06

Variação %

Braskem 4.561.090,00 4.504.172,00 (1,2)
Copesul 1.457.899,00 1.423.949,00 (2,3)
Petrobrás Petr 86.187.431,00 93.163.517,00 8,1
Petroflex 321.429,00 332.395,00 3,4
Petropar 274.200,00 272.144,00 (0,7)
Suzano Petrq. 963.809,00 937.494,00 (2,7)
Unipar 1.104.911,00 1.104.845,00 (0,0)
Fonte: Bovespa
 

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Opinião do Mercado
Júlio Green Machado - Analista Corretora Geral

Previsão:
A expectativa sobre o desempenho do setor petroquímico está relacionada à divulgação dos resultados da economia norte-americana - qual foi o imapcto do aumento dos juros, reajustado para conter a inflação, em que nível vai ficar a atividade da economia e em que ritmo ela vai crescer ou desacelerar. Nossa idéia é que o crescimento dos Estados Unidos não deve diminuir bruscamente. Portanto, a demanda por commodities e, portanto, por produtos petroquímicos não vai recuar. Se o crescimento da economia norte-americana estagnasse bruscamente, a demanda pela commodity diminuiria.

A queda do dólar americano é significativa, pois reduz custo das petroquímicas, e vem com a expectativa do mercado. Não espero reversão de tendência, ou seja, que o real passe a se desvalorizar em relação à moeda norte-americana. Da mesma forma, o preço das commodities não devem ceder mais. A cotação atual do petróleo deve cair muito pouco a partir de agora. Os preços altos devem manter-se. Conseqüentemente, se isso acontecer, os papéis, que têm apresentado quedas, devem recuperar.

Não estou otimista para o setor petroquímico, mas o dólar baixo ajudou um pouco. Por outro lado, as plantas das petroquímicas que vão entrar em operação, não devem ajudar. A apreciação do real é uma variável marcante para as petroquímicas.O cenário ideal seria o dólar alto e o petróleo baixo. Apesar do ajuste que houve no dólar, eu não acredito que isso seja uma tendência.

Creio que o ritmo da economia dos EUA deve se manter. O ajuste não vai ser muito brusco. O dólar não se recupera até o final de 2006 e, inclusive, 2007. O petróleo pode manter o nível atual, sem quedas substanciais. As petroquímicas terão custo menor do que no primeiro semestre deste ano, porque já conseguiram repassar um pouco os preços, devido à melhora na demanda. Porém, ainda existem novas plantas em operação, o que, em médio prazo, pressiona os preços dos produtos no mercado interno.

Recomendação: neutra. Para compra, indico a Petrobras.
 

Carlos Nunes - Analista Corretora SLW

Desempenho
O desempenho das empresas no primeiro semestre representou uma continuidade de queda nas margens da conjuntura características a partir do segundo trimestre do ano passado. No início de 2006, o cenário se agravou, devido à entrada em operação da Rio Polímeros, principalmente, para o segmento de Polietileno.

Com o dólar apreciado frente ao real, as petroquímicas sofreram perdas. As empresas brasileiras passaram a importar neste setor, deixando de comprar das companhias nacionais. A Argentina tornou-se um dos exportadores. Esse país tem produção significativa de resinas. Esse mercado foi subsidiado com o nível do preço do nafta mais baixo, no sentido de conter um determinado patamar. Foi um acordo político.

As brasileiras passaram a trabalhar com uma capacidade de ocupação maior, a fim de diluir custos. Com um cenário com oferta elevada, as companhias nacionais exportaram para mercados com os quais elas não comercializavam, e deixaram de vender para outros, como a Argentina, que era uma nação com a qual o comércio era mais rentável, devido, inclusive, às menores despesas com frete.

Com acréscimo das importações, não só de produtos finais, como de semi-acabados e de segunda-geração, e a manutenção de volumes de produção, as margens das empresas diminuíram. No segundo trimestre deste ano, quase todas apresentaram prejuízo.

Previsão:
O segundo semestre é, por sazonalidade, melhor. Representa 60% da demanda do ano.No terceiro trimestre, o mercado prepara-se para as festas de final de ano. O segmento de polipropileno beneficia-se com o setor de fertilizantes com o início da safra agrícola.

O mercado está mais equilibrado. O primeiro ponto é que o mercado já absorveu o excedente de oferta da Rio Polímero – que entrou em operação no início deste ano. A apreciação do dólar parou, está num patamar médio, e o petróleo caiu 20%.

O segundo aspecto é o aumento no preço dos polietileno e dos polipropileno no mercado externo. As empresas promoveram reajustes em julho, em agosto e devem fazer o terceiro em setembro. A previsão é de queda no nafta – matéria prima da indústria petroquímica, o que contribui para o aumento de preços em vendas para o mercado externo. A demanda deve aumentar. Se vai haver recuperação é uma dúvida.

A conjuntura está mais estável. Só que o andamento do setor depende do crescimento da economia do País, que é fundamental par impulsionar as petroquímicas. Cerca de 80% das vendas dessas empresas tende a ser no mercado interno. Existe uma estimativa que o crescimento do setor seja duas vezes maior que o percentual de incremento do PIB em um ano. Por exemplo, se o PIB crescesse de 4% a 5%, o desempenho do setor petroquímico apresentaria percentuais maiores que 8% e 9%. Só que esse ano, o Brasil deve crescer no máximo 3%.

Recomendação: Para compra, a Braskem, cuja escala e o mix de produtos é melhor. Além disso, as ações já estão recuperando as quedas que tiveram. No ano, a desvalorização dos papéis dessa companhia atinge 17%. Nos últimos 30 dias, já houve uma recuperação de 30%. A cotação da Braskem está em R$ 14,00.Também vejo potencial de recuperação para a Unipar, à qual recomendo compra no curto prazo. Mas ainda, é importante ressaltar, que todas essas companhias têm estratégias semelhantes. E todas elas se beneficiam, se a conjuntura vai bem.
 

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Equipe Técnica Acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br
19/09/06

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