Índice

 Setor Financeiro

Desempenho

Operações de crédito continuam como destaques na composição dos bilionários lucros das instituições financeiras, verificados nos últimos anos. Relatório do Departamento de Pesquisa e Estatística Econômica do Bradesco indica que o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional estava 20,9% superior no último mês de agosto em relação ao mesmo período de 2005. Com isso, a relação crédito/PIB passou de 29,8% para 32,8% no referido mês. Porém, diante do estoque nominal de crédito, o banco considera a tendência de desaceleração de empréstimos à pessoa física – movimento contrário à expansão ocorrida em 2005.

Neste ano, as instituições apontam para o leasing (aluguel de um bem com opção de compra) principalmente de veículos, o crédito consignado e a aquisição de bens, como as modalidades que tiveram maior incremento. Segundo relatório setorial da Consultoria Lopes Filho & Associados, nos últimos doze meses, o crescimento dos empréstimos para aquisição de veículos mostrou elevação de 33,9%. O percentual de aumento na concessão de crédito para pessoa física é de 28,7%.
A expansão de empréstimos deve continuar em 2007. No Banco do Brasil, o cartão de crédito e o empréstimo à pessoa física passaram a ser focados desde o início do segundo semestre. No Bradesco, o segmento cresceu 20% entre agosto de 2005 e 2006. No Santander Banespa, o crescimento de 41% no lucro teve participação essencial dos ganhos com concessão de crédito.

Para o próximo ano, há uma expectativa de queda na inadimplência. A redução gradual das taxas, assim como o arrefecimento dos juros em algumas operações como empréstimos imobiliários e financiamento de veículos sinalizam a diminuição de calotes e atrasos nos pagamentos. O relatório do Bradesco destaca o impacto do cadastro positivo – criação de um banco de dados cadastrais de clientes bons pagadores em operações de créditos com instituições financeiras. Essa redução é esperada, principalmente, no segmento de pessoa física.

A modalidade de crédito que deve ter maior estímulo – inclusive pelos bancos – é a imobiliária. O trecho do relatório da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) constata esse quadro já em 2006: Os números dos primeiros seis meses deste ano mostram uma grande evolução no volume do crédito imobiliário. Nesse período, as operações deste tipo atingiram R$ 4,2 bilhões, superando em 103,6% o volume de operações do primeiro semestre de 2005. Em junho, o número de contratações atingiu R$ 898,6 milhões, com variação de 148,5% acima de igual período do ano passado.

voltar ao topo

Mercado de Ações
 
R$ Patrimônio Líquido 1S05 1S06 Variação %
Bradesco 20.375.426,00 21.460.690,00 5,3
Banco do Brasil 19.209.052,00 19.178.474,00 (0,2)
Itaú Holding 16.618.641,00 17.555.022,00 5,6
Nossa Caixa 2.493.485,00 2.507.276,00 0,6
Unibanco Holding 5.560.794,00 5.743.880,00 3,3
Fonte: Bovespa

voltar ao topo

Opinião do Mercado

Simone Escudêro- Gerente do setor de análise da Austin Asis
Análise sobre Cartão de Crédito


O cartão de crédito é um produto bancário que tem ampliado o serviço e a geração de faturamento para o setor financeiro de maneira satisfatória nos últimos anos. O número de usuários de cartão de crédito no Brasil no primeiro semestre de 2006 aumentou. Em igual período de 2005, o país tinha 61 milhões de clientes que utilizavam cartão de crédito. Neste ano, até julho, o número cresceu para 73 milhões. Isso deve-se ao aumento da utilização desta forma de pagamento pela população de baixa renda e ao incremento na rede de lojas credenciadas, o que estimula o uso do tipo de cartão (números que não devem ser associados ao uso do cartão de débito).

Outro dado que indica o aumento da utilização destes serviços é a elevação no valor da fatura. O gasto médio mensal nos primeiros meses do ano passado foi de R$ 815,40. Neste primeiro semestre, as compras pagas com cartão de crédito atingiram a média mensal de R$ 950,70. Esse incremento sinaliza que os consumidores estão utilizando os cartões para compras com valores menores, como em farmácias, lanchonetes, ou seja, com despesas corriqueiras.

Há vários benefícios com o uso do cartão de crédito. O custo para os bancos é menor do que os de outros serviços, principalmente, na comparação com a utilização de cheque. Existem lugares que não aceitam mais pagamento através de cheques. Além disso, o meio plástico é mais barato e os problemas com fraudes com cheques são maiores. Tudo isso também é positivo para os clientes.
 
 
João Augusto Frota Sales - Analista da Lopes Filho & Associados
Desempenho:

De uma maneira geral o crescimento do crédito e de receitas com serviços tem remetido ao aumento no resultado dos bancos como verificado nos últimos anos. Os três maiores bancos privados (Bradesco, Itaú e Unibanco) têm registrado maiores ganhos.A receita com serviços é resultante do ganho de escala, decorrentes das aquisições promovidas pelo setor. A compra de um banco, nada mais é que a obtenção de depósitos, ou seja, de correntistas. O fato de uma empresa financeira adquirir outra não remete, necessariamente, ao crescimento do patrimônio, mas sim, a expansão de clientes.

A redução no ritmo de crescimento da demanda por crédito começou a ser sentida pelo sistema após o segundo trimestre deste ano, devido ao aumento da inadimplência no pagamento desses empréstimos. Como conseqüência, os provisionamentos totais (sistema de crédito do público e privado) elevaram-se 31,6% entre agosto de 2005 e 2006. Esse crescimento tem em vista o considerável aumento do crédito à pessoa física, cujo risco é mais elevado ante a pessoa jurídica.

Expectativa:

Ao analisar a qualidade da carteira de crédito do Sistema, considerando-se operações de longo prazo – a partir da Resolução nº 2.682/99 -(Estabeleceu novos critérios de classificação das operações de crédito e regras para a constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa) – percebe-se melhoria na inadimplência. Isso é reflexo do aprimoramento das técnicas de seleção de crédito.

Devido à possibilidade de prosseguimento da flexibilização gradual dos juros, dado ao maior controle inflacionário, nos leva a prever uma taxa básica de juros de 13,5% para dezembro de 2006. Assim, o estoque de crédito do Sistema pode mostrar crescimento próximo de 22% em 2006, em conformidade com expectativas de crescimento das carteiras dos grandes bancos, puxadas, novamente, pelo segmento de pessoa física.

Para 2007, antevemos um impulso no crédito imobiliário. Esse setor tem demanda reprimida. Além disso, esse estímulo ao segmento é sinalizado pela aposta dos bancos que não focavam no setor, como Banco do Brasil. A participação das receitas de prestação de serviços e venda de produtos em relação às receitas de juros (intermediação financeira) aumenta cada vez mais, e deve continuar. Com a possibilidade de relativa queda do spread bancário para longo prazo, em face de uma melhora na renda – minimizando o risco de inadimplência – os bancos buscam novos negócios que gerem receitas não financeiras.

Recomendação:

Compra para Bradesco, Itaú e Unibanco. Respectativamente, suas ações têm potencial de valorização de 42%, 17% e 45,66%. Para Banco do Brasil a recomendação é de Manter, e para Nossa Caixa, de Manter +. As ações do BB estão defasadas em 2006, principalmente, devido ao fraco desempenho da atividade agrícola. A estiagem e valorização do câmbio participaram do fraco resultado operacional deste banco.

voltar ao topo


 
Equipe Técnica Acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br
18/10/06

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.

Advertência: As informações econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas de fontes de domínio público, consideradas confiáveis. Entretanto, estas informações estão sujeitas a imprecisões e erros pelos quais não nos responsabilizamos.
As opiniões de analistas, assim como os dados e informações de empresas aqui publicadas são de responsabilidade única de seus autores e suas fontes.
O objetivo deste portal é suprir o mercado e seus clientes de dados e informações bem como conteúdos sobre mercado financeiro, acionário e de empresas. As decisões sobre investimentos são pessoais, não podendo ser imputado ao acionista.com.br nenhuma responsabilização por prejuízos que eventualmente investidores ou internautas, venham a sofrer.
O acionista.com.br procura identificar e divulgar endereços na Internet voltados ao mercado de informação, visando manter informado seus usuários mais exigentes com uma seleção criteriosa de endereços eletrônicos. Essa divulgação é de forma única, e os domínios divulgados são direcionados a todos os internautas por serem de domínio público. Contudo, enfatizamos que não oferecemos nenhuma garantia a sua integralidade e exatidão, não gerando portanto qualquer feito legal.