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Setor Agronegócio

Desempenho

18 de setembro de 2008

O crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro no primeiro semestre demonstra o ritmo de expansão que vem tendo também esse segmento da economia. O efeito da demanda maior por commodities, responsável pela elevação dos preços, chega agora ao setor primário, com a aprovação do reajuste de até 65% dos preços mínimos para a safra 2008/09. Esse aumento, por outro lado, não vai representar incremento nos custos de outros segmentos, consumidores de matérias-primas agrícolas. Desde agosto, as commodities vem apresentando um arrefecimento. Apesar da queda de 32% na cotação do milho, desde o ponto mais alto em 27 de junho, e 31% no da soja, desde o pico em 7 de julho, esse movimento não indica uma reversão da tendência de alta dos preços e da demanda do setor.

Empresas produtoras de industrializados e carnes in natura (consumidoras de grãos) que tiveram a rentabilidade impactada pelo aumento dos insumos, podem se beneficiar com essa queda. Os analistas atribuem a mesma perspectiva para outras companhias, como a M. Dias Branco, produtora de pães, massas e biscoitos, conforme indicado em relatório da Ativa Corretora. Por outro lado, a demanda por fertilizantes está também mostrando sinais de arrefecimento, que deve seguir em 2009. No entanto, por enquanto, esse cenário não deve ser motivo de preocupação, segundo o relatório da Brascan Corretora. A expectativa é que as margens continuem positivas para as companhias de fertilizantes, pois o crescimento observado no 1S08 foi de 22,2%. Há expectativas de que o consumo total de fertilizantes em 2008 deve totalizar 26 milhões de toneladas neste ano, e representar um aumento de 5% em relação ao ano passado.

     
 

Empresas / R$ MM

PL 1S07

PL 2S08

LL 2S07

LL 2S08

ROE 2S08(%)

All América Logística (N2)

2.434,013

2.566,053

35,651

127,901

4,98

Fertilizantes Heringer (NM)

429,781

588,897

32,428

96,962

16,46

Iochpe-Maxion (NM)

290,236

395,842

25,301

78,223

19,76

JBS Friboi (NM)

1.432,416

5.106,063

49,371

(371,065)

0,96

Marfrig (NM)

1.211,170

1.3432,999

26,892

91,548

6,81

M. Dias Branco (NM)

925,233

1.016,286

34,980

61,061

6,00

Minerva (NM)

165,934

549,388

31,451

19,350

3,52

Perdigão (NM)

2.200,921

3.263,804

133,549

(830,803)

(25,45)

Randon (N1)

573,289

725,633

83,405

121,592

16,75

Renar Maças (NM)

59.740,180

55.264,006

(2.692,113)

46,690

0,08

Sadia (N1)

2.614,618

3.147,645

205,544

334,763

10,6

SLC Agrícola (NM)

496,343

553,941

(2,659)

30,846

5,56

Vigor (N1)

199,629

159,565

6,286

361

0,22

 
     
  Na tabela constam algumas empresas relacionadas ao setor no Brasil e listadas em algum nível de Governança.  
 

Fonte: Bovespa/ Portal Acionista - ROE - Retorno sobre o Patrimônio Líquido (LL/PL).

 
 

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Mercado de Ações

Se os negócios continuarão lucrando com a demanda do setor, as ações de algumas companhias acompanharão a volatilidade dos preços das commodities e do mercado como um todo, que segue de perto qual será o desfecho da economia norte-americana. No curto prazo o arrefecimento das cotações das matérias-primas não é bom, porque pressiona a receita de algumas companhias, como as produtoras de grãos e fertilizantes. No entanto, a queda na Bovespa não tem relação com os fundamentos das empresas, e sim com a saída de investidores especulativos, grupo responsável, em grande parte, pelo patamar a que chegou os preços das matérias-primas em 2008.

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Opinião do Mercado

Filipe Ribeiro Gonçalves - Analista Fundamenta Administração de Recursos

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é um indicador do cenário do agronegócio brasileiro. A produção agrícola estimada para a safra de 2008 é de 857 milhões de toneladas, 12,6% superior a de 2007. Considerando apenas as culturas de milho e soja, as quais são as mais representativas depois da cana-de-açúcar, são esperados incrementos da ordem de 13% e 3,5% para este ano. A produção de milho, particularmente, que sustentou respectivas altas de 21,4% e 21,6% em 2006 e 2007, responde à falta de oferta nos Estados Unidos e à intensa procura por fontes de energia alternativas. A soja, por sua vez, cresce desde 2005, porém, a taxas mais modestas, tais quais 4,9% ao ano.

Isso influencia as empresas relacionadas ao setor de diversas formas. Entre aquelas que se beneficiam, citamos a América Latina Logística (ALL), que faz transporte ferroviário de commodities agrícolas aos principais portos do país. Só este ano estima-se que o volume, medido em tonelada-quilômetro, aumente 19%. Além dela, a Iochpe-Maxion, líder na fabricação de vagões ferroviários, e a Randon, produtora de carrocerias graneleiras para caminhões, verão suas receitas aumentando significativamente. Por outro lado, companhias como Perdigão e Sadia tem sofrido com efeitos do incremento na produção e na demanda agrícola. O aumento dos custos de suas matérias-primas, representados por grãos, vêm sendo impactados negativamente. De acordo com a cotação internacional de milho e soja, os preços médios em dólares de 2008 estão mais de 50% superiores aos de 2007.


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Denise Messer - Analista Brascan Corretora

A volatilidade das cotações dos grãos nos mercados internacionais é o fator que mais influencia o setor. Como exemplo, a receita da SLC Agrícola, produtora de grãos, é afetada diretamente pelos preços das commodities. As companhias de fertilizantes, que vende para as produtoras, também são, portanto, influenciadas. Por outro lado, essa queda que já ocorreu nos preços das matérias-primas pode ser positiva para produtoras de alimentos como Sadia e Perdigão. Entre 20% e 30% dos seus custos são com os grãos, utilizados como insumos. Apesar dessa volatilidade no curto prazo, que de forma geral não é benéfica para o setor, no longo prazo não acredito que esse cenário permaneça. Acredito que devemos continuar vendo um aumento da demanda, puxado principalmente pelos países emergentes.

Recomendação: O setor de alimentos é o que menos sofre no curto prazo com a volatilidade do mercado. Tenho COMPRA para Perdigão, com preço-alvo de R$ 58,80, e MANTER para a Sadia, com preço de R$ 14,60. Para a Fertilizantes Heringer estou com preço-alvo de R$ 36,20 e recomendação de COMPRA. Essas projeções não foram revisadas após a queda dos preços verificadas principalmente desde agosto, no entanto, as recomendações devem se manter. O preço da SLC Agrícola já foi revisado, e é de R$25,80, com COMPRA.


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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