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Setor Biocombustíveis

Desempenho

18 janeiro 2008

As empresas com ações listadas na Bovespa não podem ser consideradas uma amostra representativa do setor brasileiro de biocombustíveis, pois o segmento é muito pulverizado e dominado por grupos familiares. A produção de etanol de empresas como Açúcar Guarani e São Martinho ainda é pequena. Respectivamente, apenas 35% e 10% a 15% dos volumes produzidos são de etanol. Na Cosan essa parcela sobe para 45%. Mas mesmo produzindo mais, a companhia coloca no mercado apenas 5% da produção total da indústria nacional. A exceção fica com a Brasil Ecodiesel, que possui 49% do mercado de biodiesel, produzido à base de óleo de soja.
 
Em 2007, todas essas empresas elevaram a fabricação dos dois tipos de etanol a base de cana-de-açúcar – o álcool anidro (compõem em 25% a mistura da gasolina) e hidratado (é o álcool usado como combustível), e diminuíram a produção do açúcar, assim como a Brasil Ecodiesel aumentou a produção do biodiesel, passando a utilizar a capacidade de todas as suas usinas. Nesse período, tanto a cotação do etanol, como do açúcar, aumentou, mas o etanol teve seu preço elevado em proporções menores. O mercado foi estimulado com o aumento do consumo pelo crescimento da venda de veículos flex fuel, pela queda no preço da commodity quando vendida ao consumidor final e pela redução nos estoques no final da safra. Por outro lado, o incremento na oferta do produto foi impulsionado pela entrada em operação de 17 usinas, e marcada por gargalos de capacidade de armazenamento. Esses fatores e o excesso de oferta do produto durante a safra não impediram que o preço do etanol caísse mais, o que elevou os custos das companhias, contribuindo para um 2007 com fracos ganhos operacionais.
 
A expectativa para 2008 é que a produção brasileira de etanol suba mais ainda. O crescimento da oferta no mercado doméstico e os baixos preços devem elevar em 20% o volume do combustível, resultando em 21,3 milhões de m³ a mais no mercado até o final de 2008. Além do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, que é considerada a forma menos poluente até então e a tecnologia que caracteriza o negócio brasileiro, outros processos vêm sendo avaliados, e já implantados na indústria mundial. O etanol a partir da celulose é um deles, mas é mais caro. E o etanol a partir do milho é característico dos EUA, onde se avalia a utilização desse insumo.
 
Outro biocombustível é o biodiesel. A expectativa é que o segmento tenha um ano melhor, após o início da obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel no óleo diesel. A única companhia representativa na Bovespa é a Brasil Ecodiesel, que teve seu primeiro exercício de lucro líquido no 2T07 desde o início de suas atividades em 2003 (sendo que a primeira venda aconteceu no 2S05). Entretanto, o saldo conquistado não foi operacional (foi resultado de fatores não-recorrentes financeiros). Da mesma forma como Brasi Ecodiesel, as outras empresas, que também atuam através da produção de açúcar não tem apresentado resultados operacionais satisfatórios. A justificativa para o fraco desempenho da fabricante de biodiesel são os altos custos, impulsionados pelo preço da soja, insumo que, por enquanto, representa 90% da mistura desse biocombustível.

Patrimônio LíquidoR$/MM

3T06

3T07

Variação %

Açucar Guarani (NM/23/07007)

-

1.235,59

-

Brasil Ecodiesel (NM/ 22/11/06)

347,40

334,11

(3,8)

Cosan (NM/18/11/05)

1.355,40

1.631,89

20,4

São Martinho (NM/12/02/07)

936,00

1.671,50

78,6

Fontes:Bovespa e site das empresas

 

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Mercado de Ações

Analistas de mercado não esperam um ano favorável para as companhias de capital aberto. Valorizações mais expressivas nas ações devem ocorrem no longo prazo, à medida que os fundamentos operacionais voltem a melhorar e ocorra um processo de consolidação neste mercado, que tem grande potencial para isso, mas que ainda não deve começar em 2008. Em 2007, a valorização das quatro empresas citadas na tabela está negativa, segundo pesquisa do Acionista.com.br, que não inclui no cálculo da valorização os dividendos distribuídos no período. Açúcar Guarani fechou o período com perda de 18,55% no valor da ação, BrasilEcodiesel (-) 41,61%, os papéis da Cosan perderam 53,47% e a São Martinho, 14,62%.

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Opinião do Mercado

Planner Corretora -Analista Peter Ping Ho
Analista Chefe Ricardo Tadeu Martins

Não recomendaria o setor para investimento. Além das empresas de etanol com ações na Bovespa participarem muito pouco da produção total do setor no Brasil, os fundamentos administrativos de todas essas empresas não compensam o investimento em um setor que é visto como promissor. Por enquanto o Brasil ainda está na frente, utilizando a tecnologia mais avançada. Mas os outros países também estão investindo no desenvolvimento do segmento.

A Cosan costuma ter decisões fortes, e isso tem provocado a queda dos seus papéis. Apesar de todas estarem no Novo Mercado, ainda não têm uma postura administrativa transparente. As decisões são tomadas de forma unilateral, como Cosan e São Martinho. No caso da Brasil Ecodiesel, os problemas são dois. Ela tem um alto custo na produção, devido ao preço da soja, e também terá dificuldades para diversificar o insumo utilizado na produção dos combustíveis porque usa matérias-primas com dificuldade na autorização ambiental, já que são consideradas plantas exóticas, como o pinhão-manso, que vem da Indonésia, ou a mamona, considerada uma praga para a terra e outras culturas. Outra problema da Brasil Ecodiesel é o erro na estratégia de localização das terras. Por optar por comprar terras baratas, a companhia escolheu locais distantes dos distribuídos, o que significa mais um empecilho para a venda do combustível.
 


Fator Corretora - Analista Marcos Paulo Pereira
Book 2008

Acreditamos que 2008 trará alguma diversificação na produção de biodiesel e será o ano do desenvolvimento do setor. A participação do óleo de mamona e óleo de girassol na matriz produtiva deve ser maior, mas o óleo de soja permanecerá como principal insumo. Por isso, o maior risco de curto prazo é a possibilidade de novos aumentos no custo de aquisição do óleo de soja e da impossibilidade em diversificar os insumos. Ou seja, o custo é um ponto chave à rentabilidade do segmento.


A maior oportunidade para o etanol são as exportações no longo prazo. Entendemos que possa acontecer um aumento de vendas de álcool brasileiro para os EUA e para o Japão. Esse país tem grande potencial de crescimento para o segmento sucroalcooleiro. Já a União Européia (EU) deverá ser o grande destino das exportações de biodiesel. A UE definiu meta de 2% dos combustíveis consumidos devem ser renováveis. A partir de 2010, o Parlamento Europeu definiu que esse percentual deve passar para 5,75%.
 


Corretora Ativa - Analista Chefe Mônica Araújo
Relatório Estratégias 2008

Com a elevação dos preços do petróleo, o retorno do investimento em fontes alternativas de energia se tornará cada vez mais atraente e, em se tratando de energias alternativas, nenhum outro combustível alternativo recebeu mais atenção do que o Etanol no mundo. Há quem o considere, quando produzido a partir de fontes vegetais (ex.: milho, cana-de-açúcar e trigo) como o provável salvador da política energética americana, mas, há quem perceba esta alternativa como um exagero propagado por seus produtores – altamente subsidiados nos EUA. A realidade é complexa. Ainda que a indústria de biocombustíveis seja ínfima ante a indústria do Petróleo, o Etanol pode se tornar como uma parte importante da matriz energética mundial nos próximos anos.

A matriz produtiva do setor sucroalcooleiro encontra-se em mudança, a indústria está alocando uma parte maior da cana para a produção de etanol, conforme já era esperado para este ano. Com a elevação da produção de etanol, o preço desta commodity foi pressionado, chegando a apresentar queda de 30% ao longo de 2007 (safra 08 vs. safra 06).

Bioenergia
Acreditamos que as possibilidades das empresas se especializarem na geração de energia através da queima do bagaço da cana consumida pela usina de açúcar, no curto prazo, não se constitui como uma possibilidade muito promissora para a indústria sucroalcooleira. Este cenário é estruturado pelas seguintes razões: (i) os leilões de energia gerada a partir de biomassa não têm oferecido retorno satisfatório para os possíveis interessados; (ii) a estrutura das usinas (especialmente no que se refere à pressão das caldeiras) não permite que o processo de geração de energia seja eficiente o bastante para geração de energia em níveis comerciais e a troca das caldeiras não é uma opção devido ao custo elevado de substituição; e (iii) a sazonalidade da safra de cana não dá a segurança necessária para o negócio de geração de energia alternativa.

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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