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Setor Energia: Perspectivas

16 de Janeiro de 2012

 

 

Decisões governamentais devem vigorar ainda no primeiro semestre e sem efeito nas ações

 

O ano de 2012 deve ser marcado pelo crescimento da economia interna, acompanhado de perto por um quadro inflacionário e por um cenário externo ainda influenciado pelas incertezas da crise européia. Considerando esses fatores, combinados a definições setoriais, o retrato esperado para as companhias brasileiras de energia elétrica é positivo e possivelmente melhor que o de 2011.  

 

Antes de qualquer evento setorial e independentemente do negócio principal de uma companhia do setor de energia  – geração, transmissão ou distribuição –, estas empresas fazem parte do grupo de bens de consumo de primeira necessidade que não são deixados de serem consumidos em um cenário de contração econômica.  Além disso, seu consumo costuma aumentar na proporção do incremento da renda das famílias.

 

Diante disso, a estabilidade das receitas e, portanto da geração de caixa das companhias, faz delas um porto seguro entre outras opções de investimentos na bolsa de valores em momentos de grande volatilidade, como foi o ano passado. Apesar da queda de quase 20% do Ibovespa, o ganho final ao acionista de elétricas, através do pagamento de dividendos não diminuiu, da mesma forma como o patrimônio investido nesses países, já que o Índice de Energia Elétrica (IEE) da BM&FBOVESPA valorizou cerca de 20%.

 

Para este ano, mais uma característica das elétricas ganha evidência: a participação dos gastos com energia elétrica no índice de preço referência à inflação, o IPCA. O indicador também é importante balizador dos contratos das geradoras do setor. Até o final do ano, segundo divulgação mais recente do Boletim Focus do Banco Central, a expectativa é que esse índice aumente 5,31%. Devido a essa relação do setor com o aumento dos preços, que na prática significa a redução do poder de compra ou do valor do dinheiro, investir em ações de elétricas acaba sendo uma proteção contra a inflação, como ressalta o gestor da Fundamenta Investimentos, Valter Bianchi Filho. 

 

Para ele, 2012 será bom para o setor devido ao cenário traçado acima. No entanto, enquanto não for anunciada a decisão do Governo Federal quanto à renovação ou não das concessões que vecem  nos próximos anos, um fator de incerteza permanece. "Entre 2015 e 2017, estarão vencendo concessões de  geração que representam 20% da  capacidade total do setor, portanto, um montante relevante da matriz energética nacional", observa Bianchi Filho.   

 

A perspectiva do analista de investimento da Corretora Planner, Rafael Andreata, é que o anúncio governamental de que as concessões serão renovadas aconteça até o meio do ano. "Acreditamos que a decisão do Governo virá acompanhada da definição de um preço teto e um percentual determinado de energia que deverá ser destinado ao mercado cativo", revela o analista, que caracteriza esses aspectos como incerteza para o segmento. Por outro lado, para  Andreata, as indefinições não terão mais impacto nas ações  das principais empresas envolvidas -  Eletrobras, Cemig e Transmissão Paulista. O entanto, poderão afetar de forma positiva o papel da Cesp.   

 

A companhia tem recomendação de compra da Corretora Planner, a um preço-justo de R$43,70, considerando os efeitos da renovação das concessões, já que essa decisão deve acelerar o processo de privatização dos ativos da empresa por parte do governo paulista. A definião será mais um atrativo para uma empresa que tem mostrado resultados sólidos, posição de caixa praticamente sem dívida, uma nova gestão e fez mudanças recentes na sua estrutura de capital, justificou o analista.

 

Além dessa questão, outra fator de mudança para as companhias, mas do segmento de distribuição, é o reajuste tarifário, que deve entrar em vigor até o final do primeiro semestre. Discutido durante os últimos anos e divulgado no final do ano passado, o novo WACC regulótorio (custo médio ponderado de capital) será de 7,5%, e veio um pouco abaixo do que as empresas gostariam. Até essa definição, a discussão do patamar de renovação da tarifa das distribuidoras cobradas ao consumidor final  teve efeito negativo nos papeis. A partir de agora, no entanto, deverá ter um impacto neutro em companhias atingidas, como Coelce e Eletropaulo, apesar dessa mudanças resultar em uma geração de caixa menor. Analistas calculam que a redução do Ebitda deve ser da ordem de 30% durante o primeiro ano da tarifa. Nos próximos cinco anos, no entanto, esse indicador deve voltar a patamares usuais.  

 

De outro modo, o que deve ficar mais evidente ao longo deste e dos próximos anos são movimentos que indicam que o setor passará por uma fase de consolidação. "Há uma tendência declarada do Governo Federal de formar grandes grupos", observa o analista da Corretora Planner. A presença de conglomerados estrangeiros no país também tem chamado a atenção do mercado. Os chineses já mostraram que estão interessando no setor de energia. Recentemente, o grupo Três Gargantas venceu a alemã E.ON na disputa por uma participação no capital do grupo português EDP. A companhia germânica, no entanto, não ficou para trás, e anunciou parceria com a MPX, sinalizando pretensões de tornar a empresa de Eike Batisa a maior elétrica brasileira.

 

 

Empresas

Pay Out (%)

Periodicidade

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

AES Elpa - - Não -
AES Tietê 100% Anual 80% Não
Afluente 25%+10% PN Anual Não Não
Afluente T 25%+10% PN Anual Não Não
Ampla 25% Anual Não Não
Celesc 25% Anual 100% ON PN Sim
Celpa Não especificado Anual Não Não
Celpe 25% Anual Não Não
CEMAT 25% Anual Não Sim
Cesp 10% Anual 100% PN Sim
Cemig 50% Semestre Não Sim
Coelba 25% + 10% PN A e B Anual Não Sim
Coelce 25% + 6%  PNA e 10% PNB Anual Não Sim
Cosern 25% +10% PNA e B Anual Não Não
Copel 25%+10% PNA e B Anual Não Sim
CPFL Energia 25% Anual 100% Sim
Cia Trans.Paulista 10% Três vezes ano Não Sim
Duke Energy 10% ON e PN Anual Não Não
Energias do Brasil 50% Anual 100% Sim
Elektro 25%* Semestre Não Não
Eletropaulo 25% Anual Não Sim
EMAE 25% + 10% PM Anual Não Sim
Energisa 25% Anual 80% ON PN Sim
Equatorial 25% Anual 100% Sim
MPX 25% Anual 100% Sim
Inepar 25% Anual 80% ON PN Sim
Light 50% Anual 100% Sim
Rede Energia 25% + 10% PM Anual Não Sim
Redentor 25% Anual 100% Sim
Renova 25% Anual 100% ON PN Sim
Tractebel 55% Anual 100% Sim
Taesa 50% Anual Não Sim

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

      redacao@acionista.com.br


 

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