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para outros Setores |
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Setor Petroquímico |
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16 de julho de 2009
A distribuição geográfica do setor vai mudar. Ainda concentrada nos Estados Unidos e na Europa, a realocação dos investimentos que vêem acontecendo fora desse eixo indica que o cenário mudará. Mais especificamente ela estará principalmente nas regiões com matérias- primas de baixo custo como no Oriente Médio e próximo dos mercados com alta taxa de crescimento, como a China. O que explica esse movimento é a competitividade desses locais. O Banif Securities fez um cálculo baseando nos preços do petróleo. Próximo a US$ 100 por barril, os custos de produção no Oriente Médio e outras partes da Ásia eram cerca de US$ 600 abaixo da média dos outros produtores mundiais. Com o preço do petróleo a US$ 65 por barril, os custos de produção devem ser US$ 450 abaixo da média. Embora no início de 2009 os preços tenham ficado perto de US$ 40, eles devem terminar 2009 próximos de US$ 65 e manter uma valorização continua ao longo dos próximos anos, conforme o Banif.
A perspectiva é que o crescimento da capacidade de produção mundial de Eteno e de Polietileno (PE) entre 2008 e 2011 seja de 13%, frente a uma demanda que vai crescer apenas 8%. Isto poderá impulsionar a média das taxas de utilização mundial de 86% (em 2008) para 81% em 2010 e 2011. Quase toda a capacidade, ou cerca de 80%, prevista para entrar em operação até 2013 virá do Oriente Médio e da Ásia. De acordo com o banco, a taxa de utilização é um bom índice da rentabilidade do setor petroquímico. Pois quando há uma redução nessas taxas, as margens das empresas são pressionadas.
No curto prazo, o que vem acontecendo no Brasil é que a exportações brasileiras de produtos químicos recuaram 18,7% em valor no primeiro semestre do ano, ante igual período de 2008, apesar de o volume ter crescido 15,9%, na mesma comparação. As vendas externas, de 5,6 milhões de toneladas, somaram US$ 4,6 bilhões. Esses dados refletem, segundo Renato Endres, diretor para Assuntos de Comércio Exterior da Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), os efeitos da crise financeira e da menor atividade econômica, que levaram a uma redução nos preços praticados no mercado internacional. As importações somaram US$ 10,9 bilhões, valor 30,1% inferior ao de igual período de 2008. Em volume, foram importadas perto de 8,1 milhões de toneladas, o que representa queda de 43,5%, na mesma comparação. Esses dados indicam que a crise também atrapalhou um movimento que vinha acontecendo no Brasil em 2008, quando as petroquímicas daqui foram beneficiadas pela valorização do real frente ao dólar, favorecendo as vendas no exterior.
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Empresas / R$ mm |
PL 1tr08 |
PL 1tr09 |
LL 1tr08 |
LL 1tr09 |
ROE 1tr09 (%)
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Braskem N1
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5.839,087 |
3.682,690 |
80,3089 |
9,735 |
0,26 |
Petrobras |
120.835.524 |
144.406.833 |
7.239.217 |
5.815.772 |
4,02 |
Quattor |
1.054,892 |
689,237 |
11,382 |
2,617 |
0,37 |
Unipar N1 |
1.287,956 |
955,930 |
56,473 |
(75,545) |
(7,9) |
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Fonte: Bovespa/ ROE (Retorno sobre Patrimônio= Lucro Líquido consolidado sobre o Patrimônio Líquido consolidado)/ calculado pelo Acionista.com.br. |
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A rentabilidade do setor em bolsa também não acompanha o mercado. De acordo com dados da Corretora Ativa, em 2009, ações de empresas como Braskem está com ganho de 27,9%. As preferenciais da Petrobras estão mais próximas da cotação do Ibovespa até dia 10/07, com 32,7%. No entanto, apesar de ser, principalmente desde o ano passado, sócia das petroquímicas brasileiras através de quase todos os pólos de produção do país, o papel é influenciado por outros movimentos. Em 12 meses, o cenário se repete, e o índice tem perda de 18,2%, frente a uma desvalorização de 44,5% da Braskem e 22,6% da PN da Petrobrás.
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Marcus Macedo - Analista Banif Securities
As companhias petroquímicas da Europa e da América do Norte vêm reduzindo produção e inclusive fechando plantas. Em compensação, no Oriente Médio e na Ásia, as empresas estão investindo em plantas petroquímicas que tem início de operação previsto para este e os próximos 4 anos, fato que poderá revolucionar o futuro do setor petroquímico. A Europa e os Estados Unidos devem perder competitividade (devido à grande diferença nos custos) e os Estados Unidos deverão deixar de ser exportadores líquidos para se tornarem importadores líquidos, em decorrência das novas plantas que estão sendo instaladas perto das grandes regiões ou países consumidores (como a China) ou próximos de matérias-primas de baixo custo (como o Oriente Médio).
As expansões de capacidade na Ásia devem alterar o perfil de importações da China, afetando as exportações de empresas brasileiras como a Braskem (no 1T09 a empresa exportou para o mercado externo 43% da produção de Polietileno (PE) e 34% da produção de Polipropileno (PP), sendo que 13% da receita líquida de exportações vieram da Ásia). No mercado interno também esperamos uma pressão sobre os preços, o que pode afetar as margens. Contamos ainda com o início do ciclo de baixa dos petroquímicos pelo final de 2009, o que deverá afetar os preços de uma forma geral.
Consideramos que a recente valorização do Real conjugada com a recente valorização do petróleo poderá implicar uma perda de competitividade em relação a empresas base gás e a empresas estrangeiras. Isto poderá levar a menores volumes vendidos por uma maior importação e conseqüente redução do prêmio no mercado local. A abolição pura e simples do protecionismo do Oriente Médio, em nossa opinião, constitui uma ameaça para o setor petroquímico. A discussão sobre o acordo da eliminação de medidas protecionistas entre o Mercosul e o CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), voltou a ser debatido, em conseqüência executivos da Braskem afirmaram que muitos empregos e empresas poderiam ser afetados.
Recomendação: Estamos assumindo a cobertura de Braskem com recomendação de NÃO ATRATIVA, com preço alvo de R$ 6,50, um potencial de desvalorização de 14% (frente à cotação de 12 de junho). A empresa está negociando a 7,1x EV/EBITDA e 5,8x P/L em 2009 (expectativa). Na nossa opinião, a Braskem é a melhor companhia petroquímica do mercado de ações do Brasil, com participação de 51% no mercado de resinas do Brasil, e exportações de 30% dos volumes produzidos, com possibilidade de elevar ou reduzir este percentual, segundo as demandas dos mercados.Em vista da atual perspectiva para a atividade petroquímica, prevemos no curto prazo, resultados razoavelmente bons, mas que cremos já estar refletidos no preço. Esse cenário deve prevalecer até que a expansão da produção no Oriente Médio e na Ásia atinja plena capacidade o que deve pressionar as margens.
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Matias Drietrich - Analista Solidus
Faz tempo que viemos considerando o risco da entrada em operação de plantas no Oriente Médio para o setor, especialmente para as brasileiras. Essas plantas podem jogar sobreoferta no mercado e pode fazer pressão sobre empresas exportadoras, assim como no mercado interno, onde a importação por produtos petroquímicos pode aumentar. Consideramos que o setor, representado em bolsa principalmente por Unipar e Braskem, não é representativo no mercado externo, diferentemente de outros setores segmentos como papel e celulose, frango e minério de ferro. De alguma forma a Braskem vem tentando elevar sua participação no mercado externo, e seguir o movimento do setor que é ir em busca de custos mais baixos, que é o caso do Oriente Médio. No entanto, o risco político de investimentos em países como Venezuela e Bolívia, que é o caso da Braskem, é relevante.
Recomendação: Não temos para o setor. Consideramos que o viés de longo prazo não é positivo.
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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher
Binkowski
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Atendendo a
instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo
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