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Setor Educação: Margens ainda pressionadas
14 de Setembro de 2010
Desempenho
 


O setor de educação passa por um processo de mudanças há alguns anos. As companhias com capital aberto lideram uma parte destas mudanças. São elas que têm promovido a redução do número de instituições de ensino menores, através de suas aquisições. O aumento da concorrência é uma das características deste cenário, e tem atingido também estas grandes empresas. No mês de julho, a SEB – Sistema Educacional Brasileiro, com 46 anos de existência e com capital aberto, assinou um acordo de parceria e de sua venda à Pearson Education. O grupo é o maior do mercado editorial do mundo, presente em 50 países, com produtos voltados para as áreas educacional e profissional. No Brasil, atua há quase 15 anos.

A maior concorrência, como as compras feitas pelas instituições brasileiras, continuam impactando as margens das companhias. No segundo trimestre isso ficou visível, pois praticamente todas elas apresentaram redução ou estabilização de margens em relação ao mesmo período do ano passado, com exceção da Anhanguera. O agravante foi a sazonalidade do período, que é o mais fraco do ano. Por isso, cada vez mais estas companhias têm lançado estratégias para melhorar seus ganhos finais.

A Estácio, que apresentou um crescimento muito pequeno da base de alunos, programou, ao longo do semestre, ações de retenção dos atuais e campanhas publicitárias em todas as regiões onde atua para atrair novos. Os segmentos que se destacaram em termos de receita foram os de pós-graduação e ensino à distância (EAD), que é uma tendência do setor. A Kroton desenvolveu um novo modelo pedagógico no início de agosto, com o objetivo de unificar o sistema de todas as suas unidades, reduzir custo, reter e atrair clientes.
 

                Mercado de Ações
 

As cotações das companhias em bolsa têm refletido os resultados e as movimentações do mercado. O destaque é da Anhanguera, que acumula ganho de 19,9% no ano até 09.09, conforme levantamento da Corretora Ativa. A SEB, segundo o Acionista.com.br, valorizou 26,99% nos primeiros oito meses do ano. Mas a Estácio e a Kroton desvalorizam, respectivamente, 28,3% e 20,1% até 09.09, conforme dados da Ativa. Até este dia, o Ibovespa caia 2,9%.

 
Opinião do Mercado
 

Jacqueline Lison
Fator Corretora
Informações divulgadas no Relatório de 10.08
(análise mais recente)


O desempenho do setor de educação foi impactado pela sazonalidade típica do período, especialmente no segundo trimestre de 2010. Por isso, de maneira geral, as empresas devem apresentar queda no número médio de alunos no ensino superior, em função da evasão que ocorre ao longo do semestre letivo. No entanto, isso será compensado parcialmente pelo adiamento da prova do ENEM, que postergou parte das matrículas para este trimestre.

Em relação às empresas, acreditamos nos bons resultados da Anhanguera, com a expansão da receita em relação ao mesmo período do ano passado, e ganho de margem Lajida, assim como a continuidade da maturação das unidades adquiridas. Os resultados da Estácio devem ser regulares, com pequena queda no número de alunos. Em contrapartida, ganhos de eficiência decorrentes do processo de reestruturação em curso devem levar a pequena expansão da margem Lajida na comparação anual. Esperamos fraco resultado para a Kroton. O processo de integração do IUNI e implantação do novo modelo acadêmico impactaram negativamente os resultados do 2T10, pelo aumento de custos e despesas, sem ainda contrapartida de sinergias. A aquisição do IUNI, ainda muito recente, deve ter impacto pequeno sobre a Kroton. Os resultados da SEB são influenciados pela rede Pueri Domus, que tem os números impactos principalmente em sistemas de ensino, pois a receita desse segmento é concentrada no início do ano.

Recomendação: COMPRA para Kroton (KROT11) com preço-alvo de R$ 25,00 para final deste ano. ATRAENTE para Anhanguera (AEDU11) com preço-alvo de R$ 34,00 para mesmo período. E MANUNTEÇÃO para Estácio (ESTCE3) com preço-alvo de R$ 27,00 para dez/2010.
 



José Góes
Analista e economista-chefe
Wintrade Corretora


De uma forma geral, os resultados das empresas listadas em bolsa do setor não vieram tão bem quanto se esperava. Parte disso se deve ao processo de consolidação por qual o segmento ainda passa. Esse é um dos motivos das margens destas companhias ainda não serem tão boas. Além disso, elas devem aos poucos encontrar o melhor nicho onde atuar. No longo prazo, acredito muito no setor. Ele é impactado diretamente pela melhora macroeconômica brasileira, e segue a expansão de indicadores como de renda e formalidade.

Recomendação: Não tem projeção para os papéis.

 



Vitor Pini
Analista Bradesco Corretora


Os resultados foram impactados pela sazonalidade do segundo trimestre, quando as novas matrículas acontecem em número menor. O destaque positivo foi a Anhnaguera, que continua apresentando margens e resultados melhores, especialmente, na comparação de ano contra ano. A Kroton teve resultados comprometidos devido à aquisição mais recente, a IUNI. Com ela, a empresa dobrou o seu número de alunos. Mas devido a essa incorporação, há bastante espaço para ganhos. A melhora de resultados deve vir a partir de 2011, e 2012 será um período estável. A Estácio teve um resultado razoável e dentro do esperado. Ela vem de um processo de melhoria nas margens, já que pouco antes da abertura de capital, era uma empresa sem fins lucrativos. Por ser uma empresa grande, ela tem capacidade de ter margens mais altas.

Recomendação: Em Revisão. No entanto, a visão é positiva. O setor tem um potencial, considerando, por exemplo, a baixa penetração do ensino superior no Brasil, que é de 21%, frente 60% na Argentina e a necessidade mão-de-obra capacitada para fazer frente à expansão da economia. As empresas bem capitalizadas têm tudo para aproveitar este cenário. No curto prazo, uma das medidas que deve ter efeitos positivos são as mudanças no Fies, o programa de financiamento do governo.


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Indicadores
Empresa ► Anhanguera Estácio Kroton SEB
  Dados▼ AEDU11 ESTC3 KROT11 PFRM3
Nível Gov. Corporativa N2 NM N2 N2
PL 2tr09 R$ MM 1.029,07 460,63 452,72 314,05
PL 2tr10 R$ MM 1.102,41 492,24 787,40 335,81
LL 2tr09 R$ MM 11,84 8,28 6,22 11,01
LL 2tr10 R$ MM 13,22 5,90 (23,94) (5,55)
Variacao LL 2T10(%) 11,64 (28,79) (484,78) (150,44)
ROE 2T10(%) 1,19 1,19 NE NE
Índices Bovespa        
Ibovespa
IBRX-50
IBRX
IGC .. .. .. ..
Itag .. .. .. ..
ISE
IVBX2
MLCX       .
SMLL .. ..
ICON ..
INDX .
IEE
IMOB
ITEL
IFNC

Informações Relevantes:
ROE -
Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE -
Não Existe
Fonte:
Resultados Consolidados disponibilizados na BM&FBOVESPA seguindo a Legislação Societária.

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                Governança Corporativa
Empresas

Pay out

Periodicidade

Tag Along ON PN Conselheiros Independentes
Anhanguera 1% Anual 100% Sim
Estácio 50% Anual 100% Sim
Kroton 25% Anual 100% Sim
SEB

25%

Anual 100% Sim

Informações Relevantes:

Payout é o percentual pago do lucro líquido em forma de dividendos e juros sobre capital.
Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de Tag Along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação, a Ordinária (ON).
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática. Os dados da CSN dizem respeito à prática
da companhia nos últimos anos.
Fonte: site das companhias e BM&FBovespa (Tag Along)
 

Acesse também Agenda dos Resultados 2T10 & Cotações GC

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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