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Setor Papel e Celulose

Desempenho

Para um setor altamente globalizado, demandante de capital intensivo, e de projetos com maturação de longo prazo, as perspectivas da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) são positivas. De acordo com a instituição, as produtoras de papel e celulose continuarão expandindo produção e volumes vendidos. Em 2007, a produção de celulose aumentou 5,5% em relação a 2006, alcançando 11.750 milhões de toneladas.

A expansão da produção é importante diante do aumento constante da demanda pela commodity. A China e países europeus, respectivamente, compram 30% e 49% do montante exportado do Brasil. São nesses mercados que as demandas devem continuar crescendo. A Bracelpa projeta aumento de mais de 6% nas exportações de papel e celulose até o final deste ano. A garantia que as brasileiras vão continuar aproveitando a forte demanda são os projetos de expansão da capacidade produtiva que todas as empresas desenvolvem. A Bracelpa aguarda investimentos de R$ 3 bilhões em 2007, e mais R$ 7,9 bilhões entre 2008 e 2012 pela indústria nacional de celulose e papel.  

Apesar da continuidade da demanda e da correspondência das empresas com aumento de produção, alguns analistas projetam queda do preço da celulose de fibra longa (proveniente do eucalipto). Essa diminuição pode acontecer devido à entrada de novas capacidades no cenário mundial. A projeção da Ativa Corretora é que as cotações para a celulose de fibra longa diminuam 5% em relação ao ano passado. Essa queda não deve ser considerada negativa para as companhias, mas sim encarada como um ajuste de curto prazo nos preços.

Um dos aspectos que tem impactado o desempenho dessas empresas é o patamar valorizado da moeda nacional em relação ao dólar norte-americano. Todos os indicadores de desempenho que foram negativos na relação 1tr07 e 1tr06 são justificados pelo fator cambial. De acordo com a analista do Banco do Brasil, Anna Lúcia Queiroz, as empresas têm utilizado mecanismos de hedge como forma de combater perdas com o real valorizado.

 

Ebitda/ R$ Milhões

1T06

1T07

Variação %

 

LL /  R$ Milhões

1T06

1T07

Variação %

Aracruz Celulose

398,00

416,00

4,5

 

Aracruz Celulose

347,90

278,00

(20,1)

Klabin S.A

186,00

203,50

9,4

 

Klabin S.A

162,65

165,49

1,7

Suzano P&C

216,39

274,63

26,9

 

Suzano P&C

152,19

106,14

(30,3)

Votorantim C&P

246,00

233,00

(5,3)

 

Votorantim C&P

158,98

160,14

0,7

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RL /  R$ Milhões

1T06

1T07

Variação %

 

PL / R$ Milhões

1T06

1T07

Variação %

Aracruz Celulose

850,90

832,60

(2,2)

 

Aracruz Celulose

4.414.666,00

5.021.944,00

13,8

Klabin S.A

645,16

690,54

7,0

 

Klabin S.A

2.407.136,00

2.586.995,00

7,5

Suzano P&C

656,12

809,32

23,3

 

Suzano P&C

4.013.486,00

4.119.666,00

2,6

Votorantim C&P

850,44

881,22

3,6

 

Votorantim C&P

4.321.000,00

5.277.653,00

22,1

Fonte: Relatórios das Empresas

 

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Opinião do Mercado

Anna Lúcia Queiroz - Analista do Banco do Brasil

O Setor está vivendo um céu de brigadeiro. A restrição de oferta no mercado de celulose mundial mantém os preços em bons patamares. Projeto um aumento de 3% a 4% na cotação de celulose de fibra longa em 2007. Se as cotações caírem, será uma redução pequena, e só a partir do segundo semestre deste ano. Além disso, o mercado de fibra curto também pode ser beneficiado, pois o spread em relação à fibra longa aumenta, e alguma indústria pode passar a usar fibra curta, Dessa forma, podemos também ter a elevação  da demanda por esse tipo de celulose.

A entrada de novas capacidades não modifica o cenário do setor. Algumas fábricas chilenas entraram em operação no ano passado. E, assim que uma unidade começa a operar, ela nunca inicia com 100% de capacidade. Portanto, essa oferta está sendo sentida em 2007. Mas, apesar do aumento do volume de fibra longa, não houve queda do preço. Da mesma forma, acredito que a entrada de nova capacidade da Suzano, programada para o segundo semestre deste ano, deve estar a 100% no mercado apenas no primeiro semestre de 2008.


Catarina Pedrosa - Analista do Banif Invest

Estamos otimistas para o mercado de celulose de fibra curta, em que atuam Aracruz, Suzano e VCP. Projetamos que os preços fiquem nos níveis atuais, inclusive em um cenário negativo. Além disso, acreditamos que, após o verão europeu, pode haver alta nas cotações desse tipo de celulose. Isso afetaria positivamente às companhias, pois elas poderiam ser beneficiadas, por exemplo, em relação às perdas que têm tido com o câmbio.

Avaliamos a Klabin como uma empresa ligada ao setor de consumo. Por isso, também vemos um cenário positivo para a Companhia. Um das razões é que o mercado brasileiro tem elevado os níveis de consumo, e deve continuar absorvendo maior demanda, inclusive do mercado de papel.  

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Equipe Técnica Acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br
14/05/2007

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