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Setor Petróleo - Mudanças legais agradam mercado
13 de abril de 2010
Desempenho
 

A definição sobre o novo marco regulatório para a exploração de petróleo nas camadas pré-sal colocará o setor em um novo cenário que somente poderá ser avaliado corretamente com a prática na opinião de especialistas. A Lei 5938/09, que está em votação no Senado, é formada por quatro Projetos de Lei (PL). A nova legislação sinaliza diversas mudanças ao setor. Uma das novidades é que a exploração dos poços de petróleo encontrados na camada pré-sal não será feita por meio de concessões, como acontece nos poços das camadas menos profundas, e sim na forma de partilha.

Essa alteração acontece para que a União passe a ser proprietária do petróleo encontrado. Isso se dará através da criação de uma estatal, a Petrosal, cuja constituição é tratada em um dos PLs. Isso significa que as empresas exploradoras não terão os mesmos direitos e ganhos que têm com a exploração das camadas menos profundas, atualmente exploradas. Essas companhias ficarão com um percentual do lucro líquido obtido com a extração do óleo. Essa parcela será definida em cada poço descoberto por um comitê formado majoritariamente por integrantes da estatal do pré-sal. Integrantes da Petrobrás e de uma outra companhia exploradora terão um número menor de cadeiras. Em alguns casos, a Petrobras poderá ser a única empresa exploradora.

Uma das informações que causa polêmica entre empresários e investidores do setor é que os investimentos terão que ser feitos pela empresa exploradora e, em alguns casos, somente pela Petrobras. A crítica em relação à nova regulamentação é que ela não daria segurança jurídica suficiente para atrair investimentos. Além disso, dois desses PLs em votação dizem respeito diretamente à Petrobrás e aos seus acionistas minoritários. Um deles trata sobre a mudança de capitalização da empresa.

A expectativa do presidente da companhia, Sérgio Gabrielle, é que a sugestão de aumento de capitalização, que resultaria na multiplicação do número de ações em negociação, ou seja, dos acionistas minoritários, seja aprovada ainda no primeiro semestre de 2010. Caso não haja definição neste ano, a empresa irá analisar outros caminhos para dar continuidade aos planos de crescimento, que envolvem a extração de óleo das camadas de pré-sal. Essas definições são necessárias para que a companhia dê andamento aos investimentos e também estão relacionados ao plano de investimentos anunciado neste ano.

                Mercado de Ações
 

Os papéis relacionados ao setor iniciaram o ano com perdas significativas. No curto prazo, eles devem ser manter pressionados. No entanto, a perspectiva dos analistas é que todos os papéis voltem a subir, após a divulgação de resoluções relativas às mudanças regulatórias e informações mais precisas sobre o potencial das novas áreas de exploração sejam confirmada. De acordo com a corretora SLW, as ações preferenciais da Petrobrás acumulam desvalorização de 2,4% em 2010 (até 07.04). A Unipar PNB e a Comgás são as únicas do setor com ganho, respectivamente, 7,6% e 4,5%. De acordo com cálculos do Acionista.com.br, os papéis ON da Lupatech e OGX e o PNB da Unipar acumularam desvalorização, respectivamente, de 11,23%, 2,63% e 33,62% no primeiro trimestre do ano.

Opinião do Mercado

Eduardo Velho - Economista-chefe
Ewerton Zacharias - Analista
Prosper Corretora


O prazo para aprovação dos quatro projetos de lei (PL) que definem o novo marco regulatório ainda no primeiro semestre deste ano está apertado. É importante considerar que esses PLs trazem pontos polêmicos e estão sendo debatidos em meio à cena eleitoral. Ficam evidentes os embates políticos, como foi visto na Câmara dos Deputados, durante a votação do uso do FGTS na capitalização e da distribuição dos royalties entre estados e municípios. A Petrobras evita falar sobre opções de capitalização que não estejam abordadas no projeto de lei em votação. Algumas delas seriam a redução de investimentos ou um aumento de capital via emissão de ações preferenciais, situações que foram levantadas nas últimas semanas, trazendo ainda mais dúvidas ao mercado e penalizando as ações da companhia. Essas opções foram levantadas porque um aumento do endividamento da companhia traria riscos quanto ao investiment grade atribuído pelas agências internacionais de classificação de risco.

Independente do que for aprovado, o novo plano de investimentos da Petrobras deverá atender uma análise de financiabilidade que limite o indicador Dívida Líquida/EBITDA em 2,5 vezes e o grau de alavancagem líquida menor que 35%. A companhia terminou o 4T09 com uma alavancagem de 31%, ante 28% no 3T09. Quanto ao valor da capitalização necessário, especula-se que seria de US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões. No entanto, qualquer simulação neste momento ainda é prematura, uma vez que as premissas não estão estabelecidas quanto à valoração dos 5 bilhões de barris de petróleo (estimativas da quantidade encontrada na camada pré-sal na área de Tupi), e que é objeto da “cessão onerosa”, incluída na legislação redigida para essas novas descobertas.

Recomendação: Diante das incertezas em torno desse processo, as ações da Petrobras devem seguir pressionadas. De qualquer forma, nossa recomendação é de COMPRA, considerando que a ação está bastante descontada tendo em vista que desde o segundo semestre do ano passado “vem andando de lado”. Acreditamos que a aprovação da proposta de capitalização da companhia também pelo Senado possa ter impacto positivo no movimento dos papéis. Ademais, do lado operacional, a empresa vem divulgando novas descobertas, dentro e fora do pré-sal, e batendo recordes de exportação de petróleo.

As expectativas para a Confab e a Lupatech são muito positivas para o longo prazo em virtude da demanda para desenvolvimento das áreas do pré-sal. No curto prazo estas empresas ainda devem apresentar resultados fracos, mostrando melhora do segundo semestre em diante, para quando esperam entradas novas encomendas de valores mais significativos. Assim, acreditamos que são papéis para se manter em carteira para aqueles investidores com foco no longo prazo.

Outro papel para o qual recomendamos COMPRA é a OGX, que sucessivamente vem divulgando descobertas de indícios de hidrocarbonetos e já anunciou a antecipação da extração do seu primeiro óleo do final para o começo de 2011.


Planner Corretora
Relatórios – Analista-chefe Ricardo Martins

Uma das últimas novidades em relação à OGX foi a descoberta da presença de hidrocarbonetos na seção albiana do poço OGX-7denominado Huna e no poço OGX-10 denominado Hawaii nas seções cenomaniana e albiana. Ambos estão localizados no bloco BM-C-42, em águas rasas da parte sul da Bacia de Campos. A OGX detém 100% de participação neste bloco. A nosso ver a companhia deve beneficiar-se destas recentes descobertas. Atualmente a OGX que tem cinco unidades de perfuração na Bacia de Campos, já tinha anunciado no mês passado a presença de hidrocarbonetos nos poços OGX-6 e OGX-8. E agora nos poços OGX-7 e OGX-10.

Reafirmamos que a provável divulgação de algum número potencial de óleo recuperável cria oportunidade de posicionamento no papel OGXP3. A empresa tem reiterado que pretende iniciar sua produção no primeiro trimestre de 2011, fechando o ano que vem com uma produção média de 20 mil barris por dia. Assim, a proximidade do efetivo início de produção minimiza os riscos de execução. Lembramos que o aumento de peso no Ibovespa de 0,868% para 2,087%, sinalizado na 1ª prévia do índice, também deve pesar positivamente para a ação.

A Petrobras desistiu de dois dos três blocos exploratórios em parceria com a empresa estatal indiana ONGC localizados em águas profundas na Costa Leste da Índia. Por isso, fez alguns esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em relação ao terceiro bloco (CY-DWN-2001/1), a Petrobras continua a parceria de maneira ativa, já que ainda existem análises a serem realizadas e um poço a ser perfurado. A companhia destaca que os investimentos realizados na Índia representam menos de 0,05% do valor total dos investimentos do Plano de Negócios 2009/2013 de US$ 174,4 bilhões e menos de 0,3% do investimento da área internacional de US$ 16,2 bilhões para o período.

Em nossa opinião o efeito desta notícia frente às ações da Petrobras deve ser nulo, baseado inclusive na reduzida participação proporcional dos investimentos naquele país. Reiteramos que em função da relevância da nova fronteira exploratória representada pelo pré-sal, a empresa realocou seus investimentos de modo a viabilizar a prospecção, exploração e produção destas áreas. O foco do crescimento volta-se para o Brasil.

Mantemos nossa visão positiva para suas ações com vistas o longo prazo. No curto há que se definir a questão da cessão onerosa com a valoração dos 5 bilhões de barris e subseqüente capitalização da companhia. Nesse particular, de acordo com as declarações ontem do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), dos quatro (4) projetos que estão no Senado que tratam da regulamentação da exploração de petróleo na camada pré-sal, provavelmente o da capitalização da Petrobras deve ser votado antes das eleições de outubro. Segundo ele, a medida viabilizaria, para este ano, investimentos de pelo menos R$ 88,5 bilhões. Ele afirmou ontem (07/04) que os demais projetos: instituição do regime de partilha, criação da Petro-sal e instituição do Fundo Social, ainda estão sendo negociados com a oposição. Mantemos a recomendação de COMPRA para suas ações PETR4 com preço alvo de R$ 51,80/ação.


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Indicadores
Empresa ►

Comgás

Lupatech OGX OSX Petrobras Ultrapar
  Dados▼ CGAS11 LUPA3 OGXP3 OSXB3 PTR4 UGPA4
Nível Gov. Corporativa - NM NM NM - N1
PL 2008 R$ MM 1.137,08 306,63 9.165,73 (35,95) 139.365,28 4.650,08
PL 2009 R$ MM 1.279,11 287,26 9.186,29 28,37 159.464,60 4.828,27
LL 2008 R$ MM 514,05 (29,53) 359,88 (57,67) 32.987,79 390,27
LL 2009 R$ MM 367,87 15,408 10,83 (33,36) 28.981,71 466,75
Variacao LL 2009 (%) (28,44) (152,18) (96,99) (42,16) (12,14) 19,60
ROE 2009(%) 28,75  5,36 0,11 NE 18,17 9,66
Índices Bovespa            
Ibovespa . . . .
IBRX-50 . . . .
IBRX . . . . .
IGC . . . ..
Itag . . . .
ISE . .
IVBX2 . .
MLCX . . ...
SMLL . ...
ICON . .
INDX . ...
IEE . .
IMOB . .
ITEL . . . . .
IFNC . . . .. .

Informações Relevantes:
Apesar das empresas Novamarlim Participações e Novamarlim Petróelo terem capital aberto e ativos listados no Mercado de Balcão (MB), eles não estão ativos para negociação. A Refinaria Manguinhos não tem nenhum ativo negociado no lote padrão no mercado à vista.
ROE - Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE - Não Existe
Fonte: Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas Periodicidade Dividendos/ano %Dividendo LL Tag Along (On) e (PN) Conselheiros Independentes
Comgás Anual

25%+10% PNAe B

Não Sim
Lupatech Anual

25%

100% Sim
OGX Anual 0,001% 100% Sim
OSX Anual 0,001% 100% Sim
Petrobras Anual 25% Não Sim
Ultrapar Semestral 50% 100% Sim


Informações Relevantes:
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itesn, podem ser feitos diferentemente na prática. Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização ;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Fonte: site das companhias e Bovespa (Tag Along)
 

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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