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Índice |
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Setor Papel e Celulose |
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11 de dezembro de 2008
O aumento dos
estoques mundiais é um dos mais importantes sinalizadores de que o
setor de papel e celulose está sendo afetado pela crise mundial. O
cenário de redução de investimentos em diversos segmentos já
contaminou as produtoras de papel e celulose no Brasil. O primeiro
efeito foi a queda do preço da celulose, acompanhando a redução de
valor de todas as commodities. Desde setembro, a cotação vem
apresentando queda. Nesse mês foi de US$ 20 por toneladas (t), em
outubro foi de US$60/t, quando atingiu os mesmos patamares de doze
meses atrás. No final de novembro, a cotação fechou a US$ 654, segundo
dados da Corretora Ativa. No acumulado do ano, essa desvalorização é
de 15%, ainda tímida frente à queda de 64,5% no preço dos metais e
57,5% na cotação do petróleo.
A dúvida é se e
até quando a celulose continuará caindo. Parte do mercado acredita que
esse é o movimento esperado, apesar do esforço das empresas em reduzir
o ritmo de produção - segundo efeito da crise para o setor. Além de
paradas em fábricas, como a VCP e a Suzano fizeram, as empresas já
adiaram grandes projetos, como VCP e Aracruz. Segundo analisas, essas
decisões não foram tomadas tanto em função de uma redução considerável
da demanda futura por papel e celulose, mas principalmente pelos
problemas com operações com derivativos que a Aracruz teve e pela
redução de crédito de maneira geral no mercado.
No entanto, há
sinais claros de queda na demanda, e isso é o que mais preocupa. O
esforço das brasileiras em incrementar a produção a fim de aproveitar
as dificuldades que os países do Hemisfério Norte enfrentavam no
início deste ano não foi efetivo. Até outubro, a produção de celulose
aumentou 9% no Brasil, totalizando 10,692 milhões de toneladas, e a de
papel 1,9%. A redução do consumo chinês, segundo maior mercado de
papel e papelão do mundo e um dos menores consumo per capita, é uma
das grandes responsáveis pela elevação dos estoques mundiais.
Atualmente, a Ásia consome cerca de 40% da produção do setor. No
entanto, outros 40% vão para a América do Norte e 25% para a Europa.
Apesar da crise, as projeções da Associação Brasileira de Celulose e
Papel (Bracelpa) são de elevação de 30,6% das vendas externas das
brasileiras de celulose e 14,6% para as exportações de papel em 2008.
Diante desta estimativa e dos preços em reais dos produtos estarem
aumentando, com o dólar, os balanços esperados para o último trimestre
do ano ainda são positivos, e devem ser melhores que no 3T08.
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Empresas/ R$ MM |
PL
9M07 |
PL
9M08 |
LL 9M07 |
LL
9M08 |
ROE 3T08 (%) |
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Aracruz Celulose |
5.453,682 |
3.978,519 |
857,981 |
(1.227,501) |
(30,85) |
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Klabin |
2.788,975 |
2.622,665 |
549,583 |
(1,019) |
(0,03) |
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Suzano Papel e Celulose |
4.372,919 |
4.226,062 |
446,573 |
21,121 |
0,49 |
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Votorantim P&C |
5.761,173 |
5.139,611 |
648,436 |
(339,994) |
(6,61) |
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Fonte: Bovespa
/
ROE (Retorno
sobre Patrimônio) calculado pelo Acionista.com.br |
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Os papéis do setor
sofreram com a Bovespa, mas o setor caiu mais, de acordo com dados da
Corretora Ativa. Até o final de novembro, o Ibovespa apresenta uma
queda acumulada de 44,7% frente à perda de 69,2% do setor. As
companhias foram impactadas pelos problemas com derivados, como é caso
da Aracruz, que caiu 84,70% neste ano até novembro. A cotação da VCP
foi puxada pelas tratativas de adquirir a Aracruz, e pelo posterior
adiamento da compra, o papel da VCP teve queda de 76,09% no mesmo
período. Para se recuperar na bolsa, a Aracruz precisa resolver os
problemas financeiros, que neste momento, depende também da liquidez
do mercado. A VCP esclareceu que não tem obrigação de efetivar a
aquisição do controle da Aracruz pelos valores acordados na negociação
com a família Lorentzen (Arapar). A Suzano Papel & Celulose e a
Klabin desvalorizaram menos, respectivamente, 57,24% e 47,44%, de
acordo com dados do Acionista.com.br. |
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Relatório Planner Corretora
Peter Ping Ho - Analista Planner Corretora
Relatório
O
desaquecimento das principais economias globais
motivada pela crise financeira, e a conseqüente
redução de crédito no mercado tem reduzido a demanda
por papéis de imprimir e escrever e por embalagens,
conforme a desaceleração do comércio entre países.
Esse foi um dos fatores que provocaram a recente
realização dos papéis da Aracruz. O aumento dos
estoques e a necessidade de adequação da companhia à
nova realidade de crédito global obrigou à companhia a
reduzir os desembolsos e a manter o caixa em
determinados patamares, como forma de dar continuidade
aos negócios, após as perdas anunciadas com as
operações de derivativos. E isso deve afetar a
performance da companhia.
O
mercado recebeu bem a notícia de que a VCP iria
adquirir as ações da Arapar, integrante do bloco de
controle da Aracruz, e posteriormente constituiria uma
“holding” para integrar as suas operações. No
entanto, a divulgação de perdas financeiras com as
operações de derivativos pela Aracruz e a atual
realidade de crédito global postergou a efetivação da
transação. As incertezas quanto ao crescimento
econômico também são negativas para o setor e,
portanto para VCP e Aracruz, porque geram redução na
demanda e queda no preço da celulose.
As mudanças do cenário
macroeconômico, que também irão reduzir o crescimento
econômico mundial nos próximos anos e o crescimento da
demanda pelas principais commodities contribui para a
postergação da efetivação da transação das operações
entre as empresas. A VCP anunciou também a
possibilidade de retardar a implantação do Projeto
Losango (RS), como a aquisição de equipamentos e o
início das obras que ocorreriam no 2S09, de forma que
a unidade entraria em operação no 2S11.
Recomendação: MANUTENÇÃO para Aracruz e VCP, com
revisão dos preços. |
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Catarina Pedrosa - Analista Chefe da Corretora Banif
As
brasileiras não conseguiram aproveitar o cenário de
queda na produção internacional que marcou o primeiro
trimestre deste ano, porque acompanharam a crise
mundial. Isso ficou claro ao anunciarem pequenas
reduções nas produções. Fizeram isso, em um primeiro
momento, para tentar segurar os preços internacionais,
mas não conseguiram.
As
perspectivas são que o volume produzido pelo setor
continue caindo, assim como os preços, à medida que os
estoques vão aumentando. Nos balanços das brasileiras
ainda vemos bons resultados operacionais. Os números
do terceiro trimestre ainda vieram bons. E o último
trimestre também deve ser positivo, influenciado pelo
câmbio – com o dólar mais valorizado.
Para o ano que vem, devemos acompanhar se a cotação do
papel e da celulose vai continuar reduzindo e como se
comportará a demanda chinesa, que já diminuiu, como
podemos observar na elevação dos estoques mundiais.
Também será importante acompanhar o imposto sobre
madeira e como será o inverno europeu. Mesmo severo (o
que reduz a capacidade de produção das empresas de
celulose e papel no hemisfério norte), a demanda
mundial deve ser afetada.
Recomendação:
COMPRA para Aracruz, com preço-alvo de R$3,70. NÃO
ATRATIVA para VCP, com preço-alvo de R$22,00. NEUTRO
para Klabin, com preço-alvo de R$ 4,80. NÃO ATRATIVA
Suzano Papel e Celulose, com preço de R$ 12,40. As
projeções levam em conta o percentual ganho acima do
Ibovespa e os preços são para dez/2009. |
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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher
Binkowski
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Atendendo a
instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e
publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente
suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente
e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja
vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa
natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários
foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os
fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários
por ela administrados não possui participação acionária direta ou
indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de
quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de
análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição,
alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente,
de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua
análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu
patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e
intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à
qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados
ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos
valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou
pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de
direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia;
e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de
compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de
quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas
no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações
financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se
for o caso.
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econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas
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