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Setor Varejo

Desempenho

06 de agosto de 2008

Os diferentes segmentos que fazem parte do setor de varejo vêm sendo beneficiados pela melhora da renda, das condições de crédito e pela difusão de formas eletrônicas (online) de compra e pagamento (cartões de créditos e de lojas). De um modo geral, o 1tr08 foi positivo para as empresas do setor que, em sua maioria, apresentaram evolução nas vendas, controle relativo de despesas, porém sem crescimento de margens operacionais na comparação com o mesmo trimestre de 2007, conforme levantamento da Corretora Ativa. Para os resultados do 2tr08 são esperados também resultados positivos, incrementados principalmente pela consolidação dos serviços financeiros oferecidos por muitas destas empresas. No ano passado o mercado de cartões de crédito cresceu 21,2% em faturamento, 20% no número de transações e 17,7% em emissões, segundo dados da ALL Consulting.

Quanto ao desempenho dos próximos trimestres, as próprias empresas servirão de termômetro para as projeções dos analistas quanto ao impacto da inflação e dos juros no setor. A redução no ritmo do crescimento do país já é esperada. No entanto, essa desaceleração ainda vem acompanhada de dados positivos e que influenciam diretamente as varejistas. A taxa de desemprego vem reduzindo desde o ano passado, em dezembro de 2007 era de 7,4%. A formalização do trabalhou aumentou, quase metade da população ocupada está com carteira assinada. Estudo da ALL Consulting conclui que o crescimento do setor é bem maior do que o do PIB brasileiro. De acordo com a gerente de projetos, Simone Escudêro, a receita líquida do setor varejista cresceu 11,8% em 2007. Alguns segmentos se destacaram como o comércio eletrônico, que apresentou faturamento líquido superior 43% no 1S08 em relação ao ano anterior. Outro destaque foi o segmento de lojas de materiais de construção, com expansão de 8,5% no período.

O ano de 2008 ainda é de expansão para o setor. Embora haja um crescimento contínuo da taxa de juros, ainda não há impacto nas empresas. O aumento dos juros deve ter um efeito negativo nos setores automobilístico, imobiliário e eletroeletrônico nos próximos anos. A justificativa é que o consumo da população gira em torno da expectativa de aumento ou não da taxa de juros. Portanto, a partir do momento em que esse incremento na taxa for percebido pela população, ela pode reduzir a compra desses bens. Outra conseqüência do efeito negativo do crescimento dos juros poderá ser revisão e a redução dos investimentos no setor.

     
 

Empresas / R$ mm

PL 1T07

PL 1T08

LL 1T07

LL 1T08

ROE 1T08 (%)

Variação 1S08 (%)

Hypermarcas NM 18/4/08

-

687,363

2,040

(3,966)

-0,57

15,57

Le Lis Blanc NM 29/4/08

-

18,997

3,466

1,740

9,15

5,56

Lojas Renner NM 1/7/05

560,743

610,100

16,777

27,172

4,45

(9,59)

Marisa NM 22/10/07

59,987

548,001

15,455

(12,400)

-2,26

(43,17)

Natura NM 26/5/04

659,902

737,785

80,344

78,965

10,70

0,12

Pão de Açucar N1 29/4/03

4.878,077

5,055,702

35,950

36,147

0,71

0,62

Saraiva N2 7/4/06

272,275

325,883

40,838

43,127

13,23

(5,84)

B2W NM 30/3/05

384,226

284,818

12,639

14,962

5,25

(17,17)

Fonte: Bovespa
Portal Acionista - Variação do papel no primeiro semestre de 2008 e ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido).
 
     
 

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Mercado de Ações

Em bolsa os papéis têm sentido o aumento dos juros e da inflação, apesar dos resultados e fundamentos das companhias não estarem decepcionando. Analistas acreditam que não há razões para os papéis terem caído ao nível a que chegaram, principalmente, porque os resultados esperados do 2tr08 também serão positivos.

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Opinião do Mercado

Luciana Leocádio - Analista Corretora Ativa
Relatório Perspectivas

Para o 2T08, nossa expectativa é de que o varejo continue sendo beneficiado pelo aumento do consumo da população brasileira no curto prazo, apesar da política monetária restritiva com alta da taxa básica de juros. Acreditamos que o impacto maior dessa política poderá ter efeitos maiores no 2S08. Esperamos que as vendas continuem apresentando alta significativa e que a rentabilidade cresça, com a maior diluição de custos e despesas com a maturação das lojas abertas pelas principais empresas do setor ao longo de 2006 e 2007.

Recomendação: Lojas Renner e Lojas Americanas. Essas empresas surpreenderam com ganho de margem Ebitda. Destacamos também a maturação de novas lojas e a consolidação dos produtos financeiros lançados recentemente, levando a diluição de custos fixos.


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Marco Aurélio Barbosa - Analista Corretora Coinvalores

A recomendação para papéis do setor está baseada nos fundamentos das empresas, não no cenário atual. Se o aumento da inflação e dos juros permanecerem por médio e longo prazo, isso pode indicar que as empresas de varejo vão sofrer com isso, mesmo diante de um alto consumo. No curto prazo o setor se mostrará positivo devido à divulgação dos resultados do 2tr08. As companhias foram influenciadas positivamente pelas vendas no dia das mães e no dia dos namorados. No entanto, será a partir da divulgação dos resultados do 2tr08 e dos guindances divulgados pelas empresas é que poderemos traçar melhor o cenário para os próximos trimestres. O fato é que o ritmo de crescimento da economia vai ser menor a partir de agora por causa do cenário de juros e inflação em alta. Por isso, qualquer sinal de desaceleração da inflação será positivo para as ações das empresas de varejo. Acompanhar a divulgação mensal de índices de preço será importante para saber onde estará a inflação.

Recomendação: COMPRA B2W, Lojas Americanas e Lojas Renner.


Peter Ping Ho - Analista Planner Corrretora

Em um primeiro momento, os juros não terão impacto nas empresas do setor. Juros maiores não são perceptíveis nas prestações, por exemplo. O que pode pressionar a decisão de reduzir o consumo é o aumento de preços, principalmente, no segmento de alimentos. É possível uma mudança no padrão de consumo, por exemplo, o consumo de produtos industrializados (de preço e valor agregado maior) poderá diminuir, e os a procura por alimentos in natura, mais baratos, deve aumentar.

No segmento de vestuário dificilmente haverá impacto, porque a compra desse item é permanente e está garantido à medida que a pessoa recebe seu salário. Empresas como Lojas Americanas, Natura e Submarino poderão futuramente ser prejudicadas por possíveis apertos monetários. Companhias que produzem e vendem linhas branca e marrom são aquelas com maiores chances de sofrer os efeitos desse cenário. Esses são produtos aos quais os consumidores podem postergar a compra. Automóveis e móveis também entram nesse grupo também.

Recomendação: Não tenho uma recomendação de compra, mas o Pão de Açúcar é uma companhia em processo de reestruturação do grupo e incluída em um segmento, que é o de supermercados, que menos vai ser impactado pelo aumento de juros e da inflação. Os alimentos são considerados produtos de necessidade básica, que, dificilmente, as pessoas deixarão de comprar, mesmo com preços mais altos. Isso não pode ser aplicado às empresas de linha branca e marrom, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e computadores.

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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