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Setor Tecnologia da Informação

Desempenho

05 de março de 2009

A produção de computadores no Brasil encerrou o quarto trimestre de 2008 (4T08) com uma queda de 10% em relação ao 3T08. O desempenho do setor de tecnologia da informação – que inclui diversos segmentos – invariavelmente é relacionada a qualquer movimento da economia real. Mais de 95% do faturamento das empresas brasileiras atuantes neste setor vêm do mercado interno. Por isso, os números de demissões e férias coletivas são sinais negativos, da mesma forma como a diminuição de 12,3% do crédito para pessoas jurídicas em relação há 12 meses. Especialmente, para algumas delas, como a Positivo Informática. A empresa é líder no Brasil com mais de 15% do mercado que reúne desktops e notebooks. O crédito para o segmento de pessoas físicas, no entanto, caiu apenas 2,8% no 4T08 em comparação anualizada.

Por outro lado, os dados de 4T08, recentemente divulgados, por empresas que poderão ser mais afetadas pelo cenário de retração de crédito e redução na renda (impulsionada pelo aumento de pessoas demitidas como medida de corte de custos nas empresas), ainda não reforçam perspectivas mais pessimistas. A Positivo vendeu no último trimestre do ano mais do que a soma dos segundo, terceiro e quarto colocados do mercado, e conquistou quase 30% do market share, aumentando em 6,5% da sua posição no cenário interno em relação ao 3T08.  

Apesar da dificuldade de traçar e – principalmente – acertar perspectivas neste momento, um efeito negativo para o setor já é praticamente certo: a redução nas margens das companhias. Um dos principais motivos é o efeito cambial. A valorização do dólar encarece os produtos vendidos pelo setor, devido à montagem das peças e aos insumos e produtos importados. Portanto, produzir ficou mais caro. Por isso, as empresas vão ter que escolher: ou repassam os custos para os clientes, ou apertam as margens. A segunda opção é considerada a mais provável pelo mercado.    
 

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Mercado de Ações

Os papéis do setor foram muito impactados pelo cenário de crise internacional. Algumas ações foram mais do que outras, como as empresas que atuam no mercado de hardware e venda de computadores, como a Positivo Informática, de acordo com a analista da Link Investimentos, Maria Tereza Azevedo. A Bematech é outro exemplo, cujas vendas desaceleraram com a redução de crédito. “Esses mercados têm seus serviços muito atrelados à economia real. Portanto, dão uma resposta mais rápida a esses movimentos”, justifica a analista. Até a Contax, por exemplo, que atua no segmento de call center também foi afetada. No entanto, empresas como a TOTVS já subiu 11,7% até o início do mês de março, frente a uma queda de 3,3% do Ibovespa, lembra o analista do Banif Invest, Alex Pardellas. De acordo com a analista da Ativa Corretora, Luciana Leocádio, a variação positiva e melhor do que a própria Bovespa neste início de ano é explicada pelo patamar de queda muito acentuado após a deflagração da crise no mês de outubro do ano passado.  

 

Empresas (NM)/ R$ Milhões

PL 2007

PL 2008

LL 2007

LL 2008

ROE 2008 (%)

Bematech

345,030

379,551

71,9

53,9

14,2%

Totvs

357,104

453,678

107,723

129,292

28,5%

 

 
  IdéiasNet  - Empresa de Participações em outras do setor – ainda não divulgou resultados do 4T08  e  consolidado de 2008. Positivo Informática irá divulgar resultados completos em 20 de março.
Fonte: Bovespa
ROE – Rentabilidade do Lucro Líquido (LL) sobre o Patrimônio Líquido (PL).  
Fonte: ROE calculado pelo Acionista.com.br 
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Opinião do Mercado

Alex Pardellas - Analista Banif Invest

Antes de mais nada, todos os segmentos vão e estão sentindo a crise. As pequenas e médias empresas – que constituem o mercado da TOTVS, por exemplo, e são cerca de 1,5 milhões no Brasil – não estão sofrendo tanto. Uma das razões é a baixa penetração que uma empresa de atuação da TOTVS principalmente através dos produtos de ERP (softwear de gestão) tem. Estima-se que apenas 7,5% de empresas desse porte tenham esses sistemas instalados. Por isso, e porque sabem da necessidade desses softwares é que aquelas que já têm, não vão deixar de ter. E aquelas que precisam investir, devem fazer, apesar do cenário. A aquisição de softwares de gestão significa investimento no controle e ganho de produtividade. A escassez de crédito também não está afetando de forma significativa o setor, como impacta as produtoras de bens-duráveis.

Recomendação: Em revisão.


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Luciana Leocádio - Analista Corretora Ativa

O grau de incerteza para perspectivas de médio e curto prazo vem com alguns reflexos. O segmento mais atingido é o de computadores, principalmente, pelas vendas no varejo, nas quais já vemos retração desde o 4T08, o que deverá acontecer no 1T09. O setor de automação comercial, na qual atua a Bematech, e é voltado para o varejo, também pode ser afetado, apesar de não estarmos vendo isso ainda.

A queda nas vendas acontece por vários motivos. Primeiramente ela efetivamente já é menor do que no mesmo trimestre do ano passado. Podemos considerar que a reversão também é sentida porque elas vinham num ritmo forte de crescimento. A diminuição na oferta de crédito também deve ser considerada. As demissões e a conseqüente redução da renda também desestimulam o consumo desses produtos. Portanto, todos os fatores que funcionavam muito bem para o setor: crédito, dólar desvalorizado, aumento da renda, estão com uma tendência contrária aos últimos anos.  

Recomendação: Em revisão. A empresa que se encontra numa posição melhor é a TOTVS. Ela vem mostrando bons resultados. Tem um tipo de produto que, em momentos de crise, pode ter um impulso nas vendas, pois representa investimento em eficiência. Não penso que as vendas da TOTVS devam acelerar, no entanto, não veremos retração, como no caso da Positivo, que já no 4T08, em relação ao 4T07 foi de 8,7%.  


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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