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Índice |
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Setor Energia |
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O nível de investimento – considerado baixo – e o atraso na liberação
de licenças ambientais para execução de projetos são duas questões já
características do setor, mas cuja preocupação com o risco que
representam cresce frente ao próximo leilão de energia nova, que será
realizado no dia 10 de outubro. O aumento do consumo nacional de
energia de 3,75% no primeiro semestre de 2006 em relação a 2005 e o
teto do preço fixado para o leilão reforçam a possibilidade de falta
de energia em 2010.
As preocupações quanto a mais um período de apagão no País foram
justificadas com a divulgação de que o teto para a venda de fontes
hidrelétricas será de R$ 125,00, e para tipos termelétricos, de R$
140,00. A taxa de retorno oferecida por esses patamares desanimaram
investidores e empresas. Algumas companhias chegaram a anunciar a não
participação neste leilão por entenderem que os valores fixados não
garantem taxa de retorno satisfatória. Conseqüentemente, projetos de
expansão de usinas e construção podem atrasar.
Desde dezembro do ano passado, A Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) deve 17 liberações ambientais. Para este leilão, a usina de
Dardanelos, no Mato Grosso do Sul, além de outras duas usinas
localizadas no Rio de Janeiro, representarão uma demora de um ano na
concessão ambiental. Outros empreendimentos importantes, que não
entram neste terceiro leilão no ano, são a usina do Rio Madeira e de
Tucuruí.
O que ameniza esse cenário é a redução de juros promovida pelo BNDES.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Social baixou em 1,5 ponto
percentual a tarifa para financiamentos para usinas de transmissão e
geração. Além disso, houve a redução da TJLP, a taxa de juro de longo
prazo até o final de 2006 baixou de 7,5% para 6,85% ao ano. Outro dado
positivo é o aumento da oferta de energia no Brasil em 2,47% em 2005
em relação a 2004, segundo dados do Operador Nacional (ONS). Deste
percentual, faz parte o crescimento de 4,4% de energia renovável, e a
queda da oferta de fontes baseadas em carvão e derivados e urânio – as
não-renováveis.
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Na última semana de setembro, antes da divulgação dos valores
praticados no leilão, as ações das geradoras apresentaram tendência de
alta. Após a publicação dos tetos, os investidores realizaram lucros.
As cotações em 30 dias dos papéis ordinários da Cemig, CPFL e
Tractebel estão negativas.
Para o período de 365 dias, todas os papéis estão valorizadas. A
significativa cotação das ações em longo prazo acompanha o bom
desempenho do setor. O modesto crescimento do patrimônio líquido da
maioria das elétricas em relação a um ano não significa maus
resultados. O favoritismo do setor energético é verificado na
composição das carteiras dos investidores, nas quais estão presentes
papéis destas companhias. O desempenho é justificado pela alta
rentabilidade das ações, algumas com patamares de 40%.
O rendimento do Índice de Energia Elétrica na Bovespa - o IEE – também
é um sinalizador disso. O ganho em 2006 está em 18,23%, contra 7,1% do
Ibovespa. Nos últimos 365 dias, o IEE aponta percentual de rendimento
de 27%, já o indicador das ações mais negociadas na bolsa de valores
de São Paulo, apresentou 15% de ganho.
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R$ Milhões Patrimônio Líquido |
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1S05 |
1S06 |
Variação % |
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AES Tiete |
628.308,00 |
780.943,00 |
24,3 |
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Cesp |
7.143.076,00 |
6.996.551,00 |
(2,1) |
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Cemig |
7.524.582,00 |
7.680.866,00 |
2,1 |
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CPFL Holding |
5.102.560,00 |
4.796.072,00 |
(6,0) |
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Copel |
5.657.834,00 |
6.190.574,00 |
9,4 |
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Eletrobrás |
71.637.670,00 |
76.767.449,00 |
7,2 |
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Eletropaulo |
1.980.414,00 |
2.182.076,00 |
10,2 |
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Energias do Brasil Holding |
3.609.034,00 |
3.606.743,00 |
(0,1) |
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Tractebel |
3.059.420,00 |
3.248.182,00 |
6,2 |
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Fonte: Bovespa |
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Carlos Nunes - Analista da Corretora SLW
No primeiro leilão, os preços foram baixos. Os players
privados não entraram, apenas as estatais e as
empreiteiras. No segundo leilão de energia, que foi em
julho, a entrega foi negociada para 2009, sendo que
desta vez o investidor privado participou. Os valores
foram mais elevados, e o leilão aconteceu já sob novas
regras. Porém, nem todos os projetos tinham a licença
ambiental e, portanto, não puderam entrar no leilão.
No terceiro leilão, que negociará a energia para 2011
e acontecerá em outubro, o preço teria que ser maior.
A finalidade seria a de equilibrar os valores com
taxas de retorno satisfatórias para os investidores.
Por isso, devido aos preços que foram fixados, é
possível que não tenhamos o leilão esperado. Todavia,
dada as últimas medidas tomadas pelo BNDES que
reduziram o custo de capital para os novos empréstimos,
os preços fixados para o leilão voltaram a ser, em
parte, atrativos.
A questão do preço vem sendo uma grande discussão do
setor, já que a Aneel continua numa fazendo uma "queda
de braços" com os investidores privados. Ou seja,
enquanto os investidores demandam taxas de retornos
atrativas, a Aneel preocupa-se muito mais com questões
ligadas à chamada "modicidade tarifária". Este
conflito de interesses poderá afastar aos poucos os
investidores privados do setor.
Outra questão diz respeito ao atraso na concessão de
licenças ambientais, fundamentais para que projetos
saiam do papel. Este fato representa um risco
potencial para o país já que, a partir de 2009 sofrer
um apagão em 2010. Um dado agravante é que o Ibama não
está concedendo facilmente essas autorizações.
O risco de o Brasil sofrer um apagão fica evidente
diante de outras questões. O plano de contingência de
gás boliviano da Petrobrás é uma delas. Para 2009,
existe a necessidade de ligar usinas térmicas, por
exemplo. Caso não haja lastro de gás suficiente, a
opção seria os novos projetos de geração hidrelétrica
ou outras fontes, como biomassa. Porém, isso só vai
ocorrer se os próximos leilões tiverem uma
participação ativa do investidor privado, uma vez que
a capacidade de investimento das empresas estatais é
bem inferior a necessidade de novos investimentos do
setor.
Recomendação: A Copel é uma opção de compra
para curto prazo. O
papel está sendo cotado a múltiplos mais baixos que a
média do setor, o que proporciona um potencial maior
de valorização das ações. A empresa
tende a
ser mais agressiva no leilão,
uma vez que a mesma
aceita taxas de retornos um pouco menores que os
demais players privados do setor . A
Tractebel e a AES Tiete
podem ser boas opções
de longo prazo. Elas pagam 95% dos lucros e
possuem baixo nível de investimento. A AES Tiete não
vai colocar novos projetos em práticas, apenas gerar
caixa. Além disso, as companhias
quase não têm dívidas e tem dividend yield
alto, percentuais de cerca de 10%, sendo que um yield
superior a 3% é considerado bom.
-
Rafael Quintanilha - Analista da Corretora Agora
Sênior
O leilão de outubro não tem efeito no fluxo de caixa
das empresas até o final do ano. Porém, pode influir
no desempenho das ações das companhias. Vai depender
de cada projeto no leilão, qual vai ser o comprador e
quanto vai pagar, se vai haver um bom nível de
rentabilidade. Uma nova usina em que os investidores
apostam e estão depositando expectativa é a
Hidrelétrica de Mauá, no Paraná. Sobre ela, pode-se
esperar surpresas, positiva ou negativas.
O risco para o setor é o racionamento. A opção por
energia renovável, aumento do investimento em
termelétricas do Operador Nacional, através da
Eletrobrás, é um discursos comum no mercado. O aumento
da matriz energética, com as fontes termelétricas,
diminui a dependência das hidrelétricas. Mesmo o País
tendo muitos rios, nem todos tem aproveitamento como
fontes de energia.
Outro aspecto que contribui para cair a chance de
racionamento a partir de 2010 é a conclusão de que não
deve faltar gás. Os analistas de petróleo da Ágora
sustentam essa opinião, mesmo com a queda na produção
nacional dessa fonte de energia.
Recomendação: Para compra, indicamos empresas
integradas (geradoras, distribuidoras e
transmissoras), como CPFL, Energias do Brasil e Cemig
(mesmo sendo estatal). Optamos por elas porque têm
abertura de capital na direção do parque de geração e
para investimentos. Portanto, elas não seriam tão
penalizadas com tarifas baixas em leilões.
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Equipe Técnica Acionista.com.br
03/10/06
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Atendendo a
instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e
publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente
suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente
e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja
vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa
natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários
foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo
Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os
fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários
por ela administrados não possui participação acionária direta ou
indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de
quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de
análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição,
alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente,
de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua
análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu
patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e
intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à
qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados
ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos
valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou
pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de
direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia;
e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de
compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de
quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas
no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações
financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se
for o caso.
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