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Setor Financeiro

Desempenho

02 de maio de 2008

O cenário do setor financeiro em 2008 será marcado pelo aumento da Selic e pelas medidas regulatórias aplicadas pelo Governo Federal. Entre elas estão à elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da contribuição social, e o recolhimento de compulsório sobre as operações de leasing. Elas estão em linha com a função do Governo de regular a economia, e com a finalidade de conter eventuais surtos inflacionários, que são possíveis à medida que o Brasil se aproxima dos seus limites de crescimento, conforme sinalizou a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Entretanto, o aumento das taxas pode inibir a captação dos bancos.

No entanto, a expectativa para o setor financeiro é que as operações de crédito continuem tendo expansão forte. Em 2007, a base de crescimento, mês a mês, foi de uma média de 20% no primeiro semestre, e 25% no segundo. A expansão no volume de crédito dos bancos foi maior do que esse incremento no sistema, que teve aumento de 27,9% no volume emprestado. O HSBC observa que a qualidade do crédito no Brasil permanece estável, e que o maior desafio para os bancos está relacionado às pressões inflacionárias. Parar esse cenário, a instituição aponta para um destaque nas operações de crédito ao setor corporativo de médio porte, ao financiamento a veículos e, em menor escala, ao crédito consignado.
 

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Mercado de Ações

A elevação de 50 pontos bases na taxa Selic para 11,75% impulsionou os papéis dos grandes bancos. Eles recuperaram as perdas acumuladas desde o início de 2008, devido à contaminação dos mercados financeiros com a crise dos créditos subprimes nos Estados Unidos. Esses bancos têm parcela importante da captação associada aos depósitos e à poupança, operações não relacionadas à taxa básica de juros. No entanto, outras operações serão influenciadas pela alta dos juros, como aquelas de ativos pós-fixados, de CDI, de tesouraria e de créditos. Parte positiva dessa relação entre elevação das taxas cobradas pelos bancos e aumento dos juros se traduziu em ganhos imediatos às grandes instituições no mercado financeiro após a decisão do Copom na metade do mês de abril. Por outro lado, o preço da captação no exterior acompanha a variação da Selic, e isso representa aumento de custos.

Os bancos médios são mais sensíveis a medidas como essas, assim como às recentes alterações nas tarifas promovidas pelo Governo Federal. Os resultados em 2007 e a expectativa para o 1Tr08 demonstram o efeito negativo dessas medidas, pois suas operações estão muito relacionadas a produtos de créditos, conforme mencionado em relatórios da equipe de pesquisa do HSBC. Já no primeiro trimestre deste ano, o cálculo do Acionista.com.br para as cotações das instituições financeiras, que não inclui o pagamento de dividendos, aponta para valorização negativa de todos os papéis. As maiores perdas foram dos bancos considerados small caps, que acompanharam o movimento de saída de recursos de investidores estrangeiros do mercado brasileiro, assim como aconteceu em outros mercados emergentes, após o agravamento dos subprimes americanos.
 

 

Empresas R$ milhões

¹

PL 06

PL 07

LL 06

LL 07

ROE (%)

ABC Brasil

N1(07/07)

438,817

1.085,582

61

97,511

8,98

Bicbanco

N1 (07/07)

527,323

1.563,401

104,076

181,941

11,63

Banco do Brasil

NM(06/06)

20.758,158

24.262,096

6.043,777

5.058,119

20,84

Banrisul

N1 (07/07)

1.295,079

2.792,013

361,659

916,381

32,82

Bradesco

N1(06/01)

24.636,362

30.357,344

5.054,040

8.009,724

26,38

Cruzeiro do Sul

N1 (06/07)

164,029

924,439

(30,010)

203,390

22,00

Daycoval

N1 (06/07)

437,767

1.517,493

85,082

206,017

13,57

Indusval

N1 (07/07)

149,709

406,748

23,634

45,374

11,15

Itaú

N1 (06/01)

23.564,471

28.969,086

4.308,927

8.473,604

29,25

Nossa Caixa

NM 10/05)

2.598,951

2.765,660

453,472

303,127

10,96

Paraná

N1 (06/07)

153,046

747,103

43,564

67,779

9,07

Pine

N1(06/01)

335,200

800,428

62,626

149,776

18,71

Sofisa

N1 (05/07)

318,573

854,231

45,078

45,078

5,27

Unibanco

N1 (06/01)

1.920,857

11.237,304

1.750,011

3.447,825

30,68

 
Fontes: ¹ Informações entre parênteses: mês e ano de entrada no nível de Governança Corporativa em que se encontra.

             Resultados - Bovespa
             Cotações e ROE (rentabilidade sobre patrimônio, medida pelo lucro líquido sobre o patrimônio líquido - Portal Acionista
 
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Opinião do Mercado

Aloísio Lemos -Analista Agora Invest

Hoje, o mais provável, é que o incremento do crédito no Brasil esteja seguindo a média do ano passado. Para este ano, nossa expectativa é de aumento de 20% no volume de crédito, visto que já vemos uma redução do ritmo do crescimento dessas operações a partir deste ano. No entanto, isso não significa que o crédito vai diminuir no país, pelo contrário, vai continuar se expandindo. A redução desse ritmo se deve a alguns fatores, como as medidas tarifárias do Governo e o forte crescimento do crédito no ano passado. Ainda não identifiquei em que ritmo vai ser essa diminuição e em quais segmentos ela será mais característica. Mas apesar disso, o cenário deste ano para o crédito é positivo e de crescimento, por isso, ele deve continuar como o vetor da rentabilidade dos bancos. Os segmentos de maior expansão permanecerão as operações de varejo (ou seja, os empréstimos para pessoas físicas), o consignado, o financiamento a veículos e os cartões de crédito. Do lado das pessoas jurídicas, o destaque será dos volumes emprestados às pequenas e médias empresas. O financiamento a grandes companhias já está baseado em outras fontes de recursos, como o mercado de capitais.

O desempenho dos bancos de médio porte também está relacionado às operações de crédito. A única diferença entre esses dois grupos é mesmo o tamanho das instituições. Só que diferentemente dos maiores, os de médio porte não querem se tornar líderes nos mercados em que atuam. O que é importante para essas empresas é que elas entreguem o que o mercado espera. O ganho de tamanho que tiveram com as ofertas de ações faz com que eles tenham que rentabilizar mais suas operações. E eu tenho como premissa que eles vão entregar o que se espera.

Recomendação: COMPRA para todos (daqueles que fazem cobertura, que são Itaú e Unibanco, dos large caps, e Daycoval, Pine e Sofisa, entre os bancos small caps). Essas instituições têm um potencial de rentabilidade maior em relação aos grandes. Os riscos de se investir nelas são maiores e os papéis não recuperaram as perdas que vem ocorrendo desde 2007 com a contaminação da crise dos subprimes no mercado capitais mundial. Além disso, elas têm o risco de todas as small caps, que é a liquidez menor e o fato de serem menos conhecidas. O up side dos bancos médios está em torno de 100% para dezembro, e o das instituições líderes, fica entre 30% e 40%.

Obs: O Bradesco comprou a Ágora recentemente. Por isso, o analista não fez menção ao banco e não deu recomendação para os papéis da companhia.
 


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Luis Miguel Santacreo - Analista Austin Rating

O cenário do setor financeiro para 2008 pode ser dividido em dois momentos. O primeiro reflete a dinâmica do ano passado, com demanda crescente de crédito, e a oferta dos bancos. Desde 2007 já se questionava o aumento dos juros, com a demanda da economia aquecida. O Governo já tomou medidas, que não foram radicais, mas que influenciaram o cenário. Houve mudanças nas tarifas. Essas medidas tomadas pelo Governo no 1Tr08 influenciarão no cenário do 2Tr08 e ao longo do segundo semestre deste ano. Uma das alterações é que não temos mais a expectativa, como há um ano, de que os juros brasileiros chegarão a um dígito até o final do ano. O patamar da inflação não está sinalizado, o preço das commodities está num nível elevado, e não temos clareza sobre o desempenho que podemos esperar da atividade econômica e das instituições financeiras.

O quadro hoje não está preciso como no passado. Uma das dúvidas é se o consumidor brasileiro vai continuar tomando crédito. Esse cenário se aplica para instituições de diferentes tamanhos. O que estamos percebendo é o que os grandes bancos também estão pagando mais caro para captar. A questão é como cada instituição vai repassar esse incremento na captação para os tomadores de crédito. Esse seria um aspecto diferencial para avaliar as instituições. Outro aspecto relacionado ao desempenho do setor continua sendo a dinâmica associada ao mercado interno, que é marcado pelo crescimento do poder de aquisição da população, o controle da inflação e o crescimento do emprego. A grande influência da economia internacional está relacionada aos recursos que as instituições brasileiras tomaram lá fora, e agora estão buscando funding aqui. Esse é um dos efeitos a partir da crise dos subprimes nos EUA.


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
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