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Setor Seguros

Desempenho

01 de dezembro de 2008

O mercado segurador foi um dos mais atingidos desde o início dos problemas com os créditos podres nos EUA. No Brasil, o único efeito visível até agora, mas ainda não foi dimensionado, é a redução no ritmo de produção das montadoras de veículos, já que o país é o terceiro maior mercado segurador de automóveis. Outra mudança significativa, no entanto, positiva, é a fusão do Unibanco com o Itaú. As duas companhias tinham participação relevante no setor. Agora formam a segunda maior seguradora, apenas atrás do Bradesco. As duas outras posições são ocupadas, respectivamente, por SulAmérica e Porto Seguro, seguidas do Banco do Brasil. Pode não parecer, mas o setor de seguro, através dos seus diversos segmentos são muito pulverizados. Na saúde chegam a ter até 1800 empresas ligadas à Agência Nacional de Saúde (ANS). Por isso, a consolidação que se espera para o setor é positiva.

O consumidor vai desfrutar de produtos e pacotes mais baratos, impulsionados pela briga dos concorrentes. As empresas elevarão o número de clientes em um mercado em expansão e com grande potencial de crescimento. O setor cresce cerca de três vezes mais que a economia. Portanto, mesmo com um incremento do PIB inferior aos anos anteriores, o setor deve apresentar bons números – que são traduzidos pelo aumento nos prêmios (receitas) das empresas. Esse incremento é esperado, não só pela perspectiva de crescimento de 20% que a Susep (Superintendência de Seguros Privados) calcula para este ano, mas porque boa parte dos brasileiros ainda não é atendida pelo mercado. As classes D e E são os maiores desafios às companhias. Elas começam a ser olhadas através da expansão das vendas de veículos e dos seguros às Pequenas e Médias Empresas (PME), que chamaram atenção pelo crescimento em 2008.

 

Empresas R$ milhões

 

PL 3T07

PL 3T08

LL 3T07

LL 3T08

ROE (%)

Banco do Brasil

NM

29.213,612

34.167,826

1.810,213

6.015,151

17,60

Bradesco

N1

23.065,294

27.888,850

1.364,037

5.858,534

21,00

Itaú

N1

28.002,775

31.590,963

2.427,849

5.931,807

18,77

Porto Seguro

NM

1.887,371

2.000,652

129,4

211,561

10,75

SulAmérica Seguros

N2

1.193,43

2.270,50

66,2

121,10

5,33

Unibanco

N1

6.778,376

7.629,341

612,919

1.177,404

15,43

 

 
 

Fontes: Resultados - Bovespa
ROE (rentabilidade sobre patrimônio, medida pelo lucro líquido sobre o patrimônio líquido -   Portal Acionista.com.br)

 
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Mercado de Ações

Os papéis dos bancos que atuam no mercado segurador não sofreram tanto quanto a Porto Seguro e a SulAmérica. Ambas apresentam uma desvalorização acumulada no ano em torno de 45%, mais ou menos em linha com a queda do Ibovespa. Além da queda dos bancos líderes do setor ter sido menor, Bradesco perdeu 34,9% e Itaú, 24,1% até final de novembro, essa desvalorização não teve relação com o setor de seguro, o que não aconteceu com o Unibanco. A instituição, cujo papel caiu 38%, tinha um acordo acionário com a AIG, que chegou à falência com por ter adquirido créditos podres. A sociedade foi desfeita, mas não influenciou na recuperação do papel. Diferentemente ocorreu com as seguradoras SulAmérica e Porto Seguro, que, principalmente a segunda, já sentiu o efeito da crise, devido à forte atuação no segmento de automóveis, um dos atingidos com a falta de crédito.

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Opinião do Mercado

Lika Takahashi - Analista Fator Corretora

A Confederação Nacional de Seguros, Resseguros, Previdência Privada Aberta, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), que é a principal associação de classe das seguradoras, divulgou novas projeções para o mercado segurador. Os números da CNSeg estão em linha com as nossas projeções. As projeções sobre o crescimento dos prêmios dos seguros de automóveis e saúde, que são os principais segmentos em que atuam a Porto Seguro e a SulAmérica, são de 12% para o segmento de automóveis neste ano, e 14% em 2009. Os prêmios para saúde aumentarão10% e 8%, respectivamente, em 2008 e no ano que vem.

Recomendação: Diante dos resultados, mantemos nossa recomendação de ATRAENTE para as ações/units da Porto Seguro e SulAmérica, com preços-alvo de R$ 21,10 e R$ 40,10, respectivamente, para dez/09.


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Henrique Navarro - Analista Santander

Para acompanhar o setor de seguros é importante verificar o índice combinado das empresas. Ele indica o quanto sobra do que a empresa gasta com pagamento de sinistros, de comissões para corretores, e com os custos administrativos. Quanto mais próximo de 100%, mais a empresa está gastando. Neste momento, ainda não podemos ver os efeitos do cenário de crise mundial, nem da união do Itaú e Unibanco, um dos maiores no setor de seguro. Quanto à consolidação do setor, devemos presenciar o aumento da competitividade ao longo do tempo no Brasil. Para os grandes bancos esse ambiente é mais interessante, porque cada cliente conquistado pode consumir mais do que um produto apenas, o que vai exigir um esforço de vendas das seguradoras.

Quanto à crise, ainda é cedo para ver algum efeito. Com a desaceleração da economia, pouco a pouco, veremos os índices do setor se deteriorarem. A queda na venda de veículos, que já aconteceu, deve diminuir os prêmios totais dos segmentos e do setor. No futuro o que pode acontecer é, com a redução do ritmo da indústria, o setor de seguros sentir a redução nos prêmios de saúde, a partir das demissões das companhias. Mas, por enquanto, é difícil mensurar o impacto real que isso teria na indústria de seguros.

O importante neste momento é saber que o Brasil tem o segundo maior mercado segurador do mundo, o terceiro no segmento de automóveis e está em primeiro lugar no seguro de risco (do qual o Unibanco passou a ser líder, com 8% de participação, após o fim do acordo com a AIG). O setor cresce cerca de três vezes o PIB. Portanto, mesmo se o país crescer menos, o setor terá uma expansão significativa. Além disso, outro aspecto que deve ficar claro é que esse mercado no Brasil é diferente de outros países. A AIG, por exemplo, teve problemas de solvência porque tinha ativos de má qualidade. No Brasil não existe essa possibilidade. O setor é extremamente fiscalizado, entre outras instituições, pela Susep, que mantém uma lista determinada de ativos que as segurados podem investir, como por exemplo, somente ações de primeira linha, títulos do governo. O investimento nesses ativos serve como garantia para possíveis perdas na carteira de bens segurados das empresas.    

Recomendação: Não me posicionaria na Porto Seguro neste momento, pois o papel deve sofrer, principalmente, devido ao foco no mercado de automóveis. A SulAmérica é atraente, está barata, e a companhia tem demonstrado resultados sólidos. No entanto, o papel tem pouca liquidez, pode ser considerado um middle capital.


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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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