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Vai ser assim

11 JAN, 2018 / POR: ALVARO BANDEIRA*

                                   

Agora vai ser assim.

Depois do rali de onze pregões de alta, seria bom um processo de acumulação, até que as ofertas de ações por lucro recentes percam a força, e o mercado volte a buscar novos patamares. Dois eventos podem alterar esse comportamento. De um lado, o julgamento de Lula marcado para 24 de janeiro e, de outro, o fluxo de recursos carreado para ações.

Um placar condenando Lula por 3x0 daria chance para nova expansão do mercado secundário de ações, descontada parte da antecipação desse movimento. De outro, se continuarmos a ter reposicionamento das carteiras em ativos de risco, essa acumulação pode ser mais curta e com absorção de vendas dentro da própria sessão.

Essa é a nossa visão, independente do dia a dia modificado pelo noticiário econômico e político, local e internacional. Hoje no cenário externo, o BCE divulgou a ata da última reunião sobre política monetária que veio mais dura que o normal, declarando que diretrizes de política monetária podem ser mudadas no início de 2018. Porém, os agentes do mercado só esperam isso mais para o final do primeiro semestre ou no segundo semestre.

Nos EUA, tivemos o anúncio da inflação medida pelo PPI (Atacado) de dezembro, na verdade deflação de 0,1%, com núcleo em deflação de 0,1%. Foi a primeira deflação mensal desde 2016. Os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior ampliaram em 11000 posições, para 265000 no total, quando a previsão era de 245000 pedidos.

Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1,37%, com o barril cotado a 64,44, depois de projeções de alta dos preços. O euro era transacionado em forte alta para US$ 1,204 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 2,54%. O ouro operava em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas majoritariamente em quedas na bolsa de Chicago. Adicionalmente, a Coreia quer banir negócios anônimos com criptomoeda, e o bitcoin sentiu o efeito.

No Brasil, o IPEA anunciou que a inflação das classes de baixa renda em 2017 foi de 2,16% e as de alta renda de 3,70%. A agencia de classificação de risco Fitch declarou que adiamentos na reforma da Previdência destacam grande risco fiscal. Foi a segunda agência a advertir sobre isso, o que é má sinalização.

Tivemos a divulgação do relatório Prisma de previsões que veio melhor para o déficit primário do governo central em 2018 em queda para R$ 153,9 bilhões, com arrecadação em queda e despesas em alta. O relatório estima dívida bruta em 2018 em queda para 76,0% do PIB (anterior em 77,21%) e 2019 em queda para 78,39% (de 79,46%). Na sequência dos mercados, ainda no cenário local, os DIs terminaram o dia com comportamento misto para os juros (curtos em alta) e o dólar em queda de 0,61% e cotado a R$ 3,21. Na B3, na sessão de 09 de janeiro, os investidores estrangeiros alocaram R$ 41,7 milhões, deixando o saldo acumulado em R$ 2,69 bilhões. Houve ingresso em todos os dias de 2018.

No mercado acionário, dia de alta da bolsa de Londres de 0,19%, Paris com queda de 0,29% e Frankfurt com -0,59%. Madri e Milão em dia de alta de respectivamente 0,11% e 0,64%. No mercado americano, faltando uma hora e meia para encerramento, alta do Dow Jones de 0,56% e Nasdaq com 0,51%. Na B3, faltando dez minutos para encerramento, alta de 1,35% e índice em 79255 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos o volume de serviços prestados em novembro. Nos EUA, a inflação pelo CPI (Consumidor), as vendas no varejo de dezembro, relatório da USDA sobre oferta agrícola e discurso de Rosengren do FED regional de Boston.

Boa noite.


*Alvaro Bandeira: Economista-Chefe Home Broker Modalmais.