10 Anos de Plano Real - quais foram os melhores investimentos?
por Paulo Gomes *

01 de julho de 2004

Há dez anos o Brasil iniciava o Plano Real, que além de uma moeda forte trouxe aos investidores a oportunidade de observar com mais clareza quais ativos de fato valorizaram seus investimentos. Até 1994 a correção monetária e a constante elevação dos preços absolutos dos ativos confundiam os agentes, dificultando a análise de preços absolutos. A introdução de uma unidade de referência de valor (a URV) e, a partir de julho de 1994, da moeda Real, tornaram claros os preços relativos de toda a economia. O mesmo ocorreu com os investimentos.

Desde julho de 1994, os juros pagos pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acumularam rentabilidade de 997,7% - o que corresponde a uma taxa anual média de 27,07%, ou 2,02% ao mês. Também nos últimos dez anos, o Ibovespa (o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) valorizou 474,1%, o equivalente a uma taxa média anual de 19,10%, ou 1,47% ao mês. A caderneta de poupança acumulou ganho de 343,54% desde o início do Real, o que seria em média 16,06% ao ano ou 1,25% ao mês. Entre os ativos mais conservadores, o ouro valorizou 239,2% nos dez anos de Real - em média, 12,99% ao ano, ou 1,02% ao mês - enquanto o dólar apresentou uma variação ainda menor: 210,75%, o que significa em média uma alta de 9,91% ao ano, ou 0,79% ao mês.

A conclusão é de que o Plano Real remunerou melhor àqueles que mais acreditaram no Brasil. Isto se justifica diante das inúmeras turbulências surgidas nos últimos dez anos. Em 1995 houve a crise do México. Dois anos depois, a crise da Ásia foi deflagrada. No ano seguinte (1998) a Rússia entrou em colapso econômico. Em 1999 o Brasil foi obrigado a desvalorizar o Real, como resultado de uma crise interna. No início do ano 2000 o Nasdaq atingiu o seu ápice e a sua bolha foi estourada. No ano seguinte o atentado ao World Trade Center derrubou junto os ativos de risco (incluindo-se todos os ativos de países emergentes). No ano 2002 os investidores se preocuparam com a eleição de Lula e o potencial (não confirmado em 2003) de ruptura de contratos.

Portanto, nada mais natural que os investidores que confiaram no país (sobretudo no seu setor privado) no longo prazo receberem o bônus da confiança. Todavia é necessário ressaltar que os juros altos ficaram todo este período acima daqueles cobrados por países com perfis semelhantes. O Custo deste juros se refletiu na taxa de crescimento da economia (Produto Interno Bruto - PIB), que foi nos últimos dez anos menor que a taxa média de crescimento mundial e que a dos países emergentes.


Paulo Gomes é estrategista chefe da Global Invest Asset Management

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