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Ameaça de aumento de juro nos EUA expõe fragilidade do Brasil
Bolsa desaba 6,14%, dólar vai a R$ 2,93 e risco país dispara, mostrando inconsistência dos fundamentos
A simples possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central) elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos, aliada ao anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do
BC do Brasil de que deve travar a queda dos juros, provocou um estrago nos mercados financeiros brasileiros.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabou 6,14%, o risco-país disparou 15%, o dólar subiu 1,2%, fechando em R$ 2,931 (venda), a maior cotação desde 18 de dezembro de 2003 (R$ 2,933).
Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ Carlos Pincusfeld, a queda dos ativos internos expõe a fragilidade da economia nacional: "É curioso como um espirro (a sinalização do Fed) derruba meses e meses de "bom
comportamento". Ficou provado que a aparente melhoria deveu-se apenas à elevada liquidez internacional", disse, acrescentando que a tendência, "mais uma vez", é de migração do mercado acionário para a especulação com juros.
"Apenas banqueiros e governo são contrários a algum tipo de defesa contra essa volatilidade", disse, defendendo o controle dos capitais especulativos.
"Teoricamente, os momentos de bonança são os melhores na hora de mudar a política econômica. Mas a questão política, aproveitando a comoção, pode inverter essa lógica", comentou.
Já Henrique Jager, do Dieese, defende a centralização do câmbio: "O mais interessante é adotar mecanismos que nos defendam, caso os EUA dêem uma pisada na política interna".
Para Jager, os EUA não têm conseguido sair da estagnação, o que dificulta uma alta acentuada dos juros: "Mas, pela primeira vez na história, estão encontrando alguma
dificuldade para rolar seus títulos", ressalva.
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