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Empresários reagem a Lula e exigem mudança na economia

15 de março de 2004

Ganancioso é o governo, que aumentou os impostos, o que obrigou as empresas a repassar a alta para os preços. Assim reagiu o consultor Antoninho Marmo Trevisan às críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) a empresários, a quem o presidente responsabilizou pela alta da inflação neste início de ano.

Trevisan, um dos principais apoios de Lula entre o empresariado nas eleições de 2002, disse que a elevação da alíquota da Cofins levou ao aumento de preços no atacado.

Para Trevisan, a política tributária deve estar subordinada à política industrial, e não o inverso, como ocorre hoje. "Se não houver uma mudança do rumo da política econômica, estaremos todos mortos". A análise do consultor foi endossada por vários empresários, entre eles o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, e Paulo Skaf, candidato da oposição presidência da Fiesp.

Lula chegou a perguntar aos membros do conselho: "Quem sabe fosse importante que o conselho discutisse o que fazer quando um determinado setor da economia tem sede de ganhar mais, aproveitando o poder de compra de alguns segmentos e, em vez de vender mais, aumenta o preço." O presidente chegou a ameaçar reduzir alíquotas de importação de alguns setores para zero.

Palocci fica de fora

A ausência do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na reunião do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) gerou rumores sobre mal-estar entre integrantes do governo. Na véspera, ele confirmara sua presença na reunião. Se especulou que Palocci estaria descontente com a política industrial definida sob o comando do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Mesmo com poucas medidas concretas, a ação contraria a ortodoxia de Palocci. O ministro da Fazenda teria temido ainda que sua presença transferisse o foco do debate para sua impopular política macroeconômica
 

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