
Salário baixo e desemprego alto travam mercado interno
11
de junho de 2004
O mercado interno brasileiro
continua comprimido pela queda da massa salarial. A Pesquisa Industrial
Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de abril
mostra fraco desempenho da produção de bens de consumo semi e não-duráveis
(alimentos, bebidas, roupas e calçados).
A maior parte dos semi e não
duráveis é voltada para o consumo interno, bastante sensível às condições de
emprego e renda da população.
Nos primeiros quatro meses do ano,
este grupo registrou a menor expansão entre os pesquisados na comparação com
o mesmo período de 2003.
Enquanto a produção de bens de
capital (máquinas e equipamentos) cresceu 21,4% no primeiro quadrimestre, os
semi e não duráveis avançaram apenas 1,5%.
Os bens intermediários tiveram
alta de 4,7%. Os bens duráveis (eletrodomésticos, automóveis, celulares),
estimulados pelas condições mais favoráveis de crédito ao consumidor,
registraram crescimento de 21,1%.
"Há um sinal discreto de reação
dos não duráveis. É preciso aguardar mais um pouco", disse o coordenador da
área de Indústria do IBGE, Silvio Sales.
De março para abril, os semi e não
duráveis registraram leve alta de 0,2%, também a mais baixa em relação às
demais.
"No mercado interno, há um
comportamento claro de crescimento dos duráveis, como automóveis,
eletrodomésticos e celulares. Isso guarda relação com a gradual redução dos
juros e a melhoria no mercado de trabalho, o aumento da ocupação e dos
salários industriais", afirmou.
Para ele, porém, o efeito do
aumento do número de pessoas trabalhando em abril não causou forte reação no
consumo de semi e não duráveis porque a massa salarial segue em baixa.
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