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- Especialistas alertam para
risco de nova crise cambial no país
- 10 de maio de 2004
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 0,37% em abril,
segundo o IBGE. O percentual está bem abaixo do esperado e é menor que o
índice de março, quando a inflação havia sido de 0,47%. Contudo, o mercado
passou a sexta-feira atento a notícias como o índice de desemprego nos EUA em
abril, que se manteve em 5,6%, ou no preço do petróleo, que ultrapassou a
barreira dos US$ 40.
Para o professor da Universidade de Paris 13, Pierre Salama, a abertura
financeira está condenando o Brasil e a América do Latina à estagnação.
"Comercialmente, a região ainda é fechada. A especulação financeira está
acentuando a enorme disparidade de riqueza na região, que tem o Brasil como
líder da desigualdade".
João Sicsú, da UFRJ, ressalta que o Brasil não tem mecanismos de defesa em
relação à volatilidade na economia mundial. "Não era esta política adotada
pelo governo Lula que estava propiciando a queda do dólar, do risco país ou a
subida da bolsa. A liquidez internacional era quem estava no comando. Estamos
tão vulneráveis às crises cambiais e fuga de capitais quanto no governo
anterior".
Ele alerta para o risco de uma nova crise cambial. "O choque do preço do
petróleo indica inflação e aumento de taxa de juros nas economias avançadas.
Tanto que o Banco da Inglaterra já elevou taxa de juros em 0,5 ponto
percentual. Essas defesas em geral atraem capitais para esses países,
deixando-nos sem liquidez. Isto se chama crise cambial", disse.
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