Juros caíram pouco e continuam altos, diz Iedi
Por Equipe Técnica Acionista
24 de março de 2004
As taxas de juros do crédito e os spreads bancários são altos em
demasia e vem declinando muito pouco nos últimos meses. A conclusão
é do Instituto de Estudos Econômicos e de Desenvolvimento Industrial
(Iedi). Segundo o Iedi, tomando-se as taxas de juros médias de
crédito das instituições financeiras para pessoas físicas e
jurídicas, estas baixaram a partir de junho do ano passado, quando o
Banco Central iniciou a redução da taxa Selic. “A taxa que alcançava
quase 58% ao ano em maio de 2003, retrocedeu para 48,6% em outubro
desse mesmo ano. Caiu quase 9 pontos percentuais. Daí até agora a
queda foi muito menor: em fevereiro último a taxa de juros era foi
de 45,1% ao ano, acusando uma queda de apenas 3,5 pontos percentuais
desde outubro de 2003”, destaca a análise divulgada na noite de
ontem.
Já o spread bancário médio nesses mesmos meses caiu de 33,7% ao ano
(maio/2003) para 30,5% em outubro de 2003, uma queda modesta de 3
pontos percentuais. “De lá para cá, recuou para 29,4% ao ano
(fev./2004), ou seja, quase nada. Isso significa dizer que, em sua
maior parcela, a queda das taxas do crédito decorreram da redução do
custo de captação das instituições financeiras, e muito pouco da
redução do spread”, conclui.
O Iedi acrescenta que as taxas vigentes em fevereiro deflacionadas
pela inflação média prevista para os próximos doze meses (5,46%),
representam taxas como 55,7% ao ano para pessoas físicas, 23,5% ao
ano para pessoas jurídicas e 37,6% ao ano para a média global. “Nem
seria necessário advertir que tais taxas são absolutamente
incompatíveis com a rentabilidade dos negócios da economia real e
excluem a imensa maioria das famílias brasileiras das compras a
prazo, privando-as do acesso aos bens de maior valor unitário. Esse
é um fator que estreita o mercado interno consumidor e limita o
crescimento da economia”, observa.
Para a instituição, as principais ações do governo para a redução
das taxas do crédito, a nova Lei de Falências e o cadastro positivo
de crédito –, embora importantes, terão pouco efeito imediato. “É
necessário rever os tributos incidentes sobre a intermediação
financeira, reduzir significativamente o depósito compulsório dos
bancos e ampliar a concorrência na oferta de crédito por meio dos
bancos públicos e do estímulo à intermediação não-bancária”,
incentiva.
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