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Indústria em outro patamar
Guilherme da Nóbrega
12 de maio de 2004

Os números do IBGE confirmam o que já não devia ser surpresa: a indústria brasileira está em meio a um ciclo de expansão que não é nem pontual, nem circunstancial.

Até pouco tempo atrás, os mais céticos alertavam que este processo apoiava-se, quase exclusivamente, nas vendas ao exterior. E, por seguir-se a uma queda acentuada, seria pouco mais do que uma simples correção – um vôo de galinha.

O que os últimos dados apontam é que, àquela fase inicial, o que se segue não é uma perda de fôlego, mas sim um ganho de qualidade. O crescimento se alastra para outros setores e fia-se, cada vez mais, na recuperação da demanda doméstica.

A produção física da indústria cresceu 2,1% em relação a fevereiro, já descontadas as influências sazonais. Este resultado está inflado pelo calendário, que neste ano reservou para fevereiro a queda de atividade decorrente do Carnaval.

Mesmo assim, a média do trimestre é promissora. A produção cresceu 5,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A série dessazonalizada mostra, na mesma comparação, crescimento de 4,7%.

Segundo o IBGE, 54 dos 75 subsetores pesquisados produziram mais, no primeiro trimestre deste ano, do que no mesmo período em 2003.

Finalmente, há sinais de que as vendas internas já têm papel importante na recuperação – como era de se esperar. Ao longo do ano passado, as vendas internas fizeram contraponto ao dinamismo das exportações. Desde janeiro, passaram a empurrar na mesma direção, como mostra o gráfico.

Demanda interna e externa na recuperação industrial *
Variação sobre o mesmo mês no ano anterior

Fonte: Rosenberg Associados.
(*) O cálculo é feito a partir do indicador de vendas industriais da Funcex.

Seria, de fato, muito estranho se o aumento real de renda nos setores ligados à exportação não chegasse, um pouco mais adiante e talvez um pouco diluído, aos demais setores da economia. A conjuntura industrial brasileira se mantém favorável e deve repetir, nos próximos meses, este padrão de crescimento gradual e equilibrado.



 
*Guilherme da Nóbrega
Economista/Banco Fibra

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